terça-feira, 7 de novembro de 2017

PNAD PASSADA A LIMPO

Logo pela manhã abro um jornal online especializado em economia e deparo com a manchete: “mercado de trabalho reage antes do esperado”. E pergunto: esperado por quem, cara pálida? Certamente pelos “especialistas” cultivados pela mídia, cujos “scripts” obedecem à “política da casa”. Pena que no Brasil poucos saibam como funciona o mercado de trabalho e que esses poucos, por sua posição de independência intelectual, estejam alijados da farra/farsa midiática. Há uma evidente lacuna na formação acadêmica de profissionais da área de economia – falta uma pós-graduação de qualidade tratando de mercado de trabalho. Mas pelo menos há um ponto positivo na matéria que li: começam a aceitar que agora ocorre uma reação – o que eu já prenunciava há um ano. Todavia ainda há muito o que corrigir na percepção desse tema, importante no atual quadro político do Brasil.
A comunicação para o grande público, referente aos resultados  da PNAD Contínua, por exemplo, parece-me sempre ambígua ou no mínimo obscura. O IBGE persiste em pintar um quadro extremamente negativo em vez de reconhecer a reação - que me parece evidente. Assim, pelo menos para quem frequenta este blog, vou tentar mostrar aqueles mesmos dados, mas de um modo que considero mais fácil de entender, permitindo-lhes perceber a real evolução do mercado de trabalho ao longo de 2017. Ano em que a economia brasileira está se recuperando da crise vermelha, dos horrores da república sindicalista que governou o país nos últimos anos, resultando em desocupação recorde - que chegou perto de 14% em 2016. República sindicalista que ainda domina muitos nichos de um setor que ela sempre buscou operar em favor de sua ideologia: o da informação.
Comparando as estimativas da PNAD Contínua para o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2017 com seus números atualizados, encontrados no trimestre seguinte, saberemos qual foi a variação sofrida pelas variáveis observadas durante 6 meses (ou 2 trimestres). Assim, fica fácil deduzir, até intuitivamente, o que deverá acontecer em 12 meses - se essas tendências mais recentes, dos dois primeiros trimestres do ano, se mantiverem.
·         A PNAD de jan-fev-mar 2017 estimou a taxa de desocupação em 13,7%. Seis meses depois, na PNAD de jul-ago-set 2017, essa taxa caiu para 12,4%
·         A população desocupada, durante esses 6 meses, caiu de 14,2 milhões para 13,0 milhões. Ou seja, 1.200.000 pessoas saíram dessa triste situação. E isso não ocorreu porque a população ativa diminuiu. Ao contrário, no primeiro trimestre havia 103,1 milhões de participantes no mercado de trabalho e no trimestre jul-ago-set esse número subiu para 104,3 milhões – mais 1.200.000 engrossando a população economicamente ativa após 6 meses
·         A população ocupada, nesse mesmo período, passou de 89,0 milhões para 91,3 milhões de trabalhadores. Em outras palavras, havia mais 2.300.000 pessoas desenvolvendo atividades produtivas: um importante acréscimo de mais de 383 mil trabalhadores por mês! O mercado, portanto, absorveu e deu ocupação a quem entrou na população economicamente ativa naquele período e ainda tirou da desocupação muitos milhares que estavam nessa trágica situação anteriormente
·         No período observado, a renda real do trabalho se manteve praticamente igual: era de R$ 2.129 no primeiro trimestre e passou a R$ 2.115 no trimestre jul-ago-set 2017, havendo um acréscimo expressivo no total da massa de rendimentos do trabalho – dinheiro disponível para consumo e investimento
A esse quadro positivo, porém, os porta-vozes da oposição insistem em contrapor um argumento, destinado a minimizar o sucesso da política reformista do governo, que está em pleno andamento: repetem estridentemente que ocorreu aumento da informalidade no mercado de trabalho e apresentam esse fato – normal na saída das grandes crises - como se ele invalidasse o crescimento da ocupação.
OS MUITOS CAMINHOS DA INFORMALIDADE
 A informalidade mereceria ser mais estudada e pesquisada no Brasil  pois embora tenha inconvenientes nem sempre deveria ser demonizada. A criação de um posto de trabalho formal tem um custo muito elevado em nosso país. Nossa carga de impostos em geral é abusiva, mas no caso do emprego a formalização tributa fortemente a empresa. Pior: demitir um empregado formal pode levar uma pequena empresa à falência, em função da insegurança jurídica resultante de uma legislação caduca. Tudo isso é um grande incentivo à informalidade. Em certos casos o próprio trabalhador  é muito prejudicado por leis equivocadas.
Um exemplo notável é a PEC das Domésticas, legislação que destruiu o  vigor desse mercado  no Brasil, prejudicando o trabalhador, além de infernizar a vida das famílias, principalmente as que têm crianças e idosos necessitados de cuidados específicos. Em função da nova legislação, o que ocorreu em cada lar foi a substituição maciça de empregadas domésticas de tempo de integral por duas ou até três diaristas, que não estão sujeitas aos rigores e exageros da nova legislação. Milhões de diaristas  agora constam nas estatísticas como informais. Criação de uma “lei burra”. Segundo estudo com dados de 2010, feito em 117 países pela  Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil tinha então 7,2 milhões de empregados domésticos, sendo 6,7 milhões de mulheres e 500 mil homens. Aparecia então como o país com a maior população de trabalhadores domésticos do mundo em números absolutos.  Hoje temos cerca de 6 milhões na ocupação, há pouca demanda dessa mão de obra, a informalidade é superior a 60% e as famílias não têm como pagar pelos seus serviços e mandam suas crianças para as creches, muitas vezes privadas, enquanto os idosos vão morrer nos asilos, também particulares. A PEC das Domésticas configura uma política pública equivocada. Mas como muitas outras coisas - do tempo da República Sindicalista – permanece intocada, infelicitando nosso povo, até que uma radical mudança  política finalmente ponha o país de novo no caminho do desenvolvimento sustentável.
Por outro lado, o mundo do trabalho está sofrendo mudanças espetaculares em função da evolução tecnológica e há quem não perceba esse fenômeno. Ainda agora acabo de ler o estudo “Computers and the Future of Skill Demand”, no qual fica evidente que a reprodução das qualificações humanas, pelo uso da inteligência artificial e da robótica, vai afetar dramaticamente o mercado de trabalho e tornar obsoletas e/ou desnecessárias muitas das atuais ocupações. Ao mesmo tempo, com essa mesma revolução nas tecnologias da informação e da comunicação, oportunidades antes impensadas de negócio estão surgindo. Nesse novo mundo produtivo os conceitos de emprego e profissão, de formal e informal, com seus respectivos paradigmas, mudarão radicalmente.
Ainda agora, em campanha para manter sua liberdade de atuação nas cidades brasileiras, ameaçada por uma nova legislação (aliás desnecessária) de nosso Congresso, o UBER divulgou estatística em que cifrava em 500 mil o número de motoristas que estão ganhando a vida graças ao aplicativo e seus similares - um sucesso de público, já que estão propiciando algo muito em falta no Brasil dos muitos monopólios e oligopólios: a concorrência, essa grande virtude do livre mercado. Pois bem, esses motoristas estão quase todos na informalidade,  mas muito satisfeitos, ganhando a vida em plena recessão.

Com a crise, acompanhada em 2015 de uma inflação acima de 10%, a alimentação fora de casa ficou caríssima para os trabalhadores em geral. A inflação de 6% em 2016 não melhorou a situação dos consumidores. Começaram a surgir novas soluções: food trucks e seus sucedâneos de bike, triciclo e moto, com fabricantes domésticos de “quentinhas” em proporções gigantescas etc. Estes, por seu turno, criaram uma verdadeira cadeia produtiva no sentido clássico, formada por fornecedores de alimentos e seus carregadores, cozinheiros e seus ajudantes, além de mototaxistas para as entregas ao consumidor final. Tudo na informalidade, única possibilidade de sobrevivência desses pequenos empreendedores. Mas são muitos milhares de novos informais. Lembremos que as empregadas domésticas de tempo integral foram substituídas e ficaram sobrando no mercado.
A própria PNAD mostra que o rendimento real médio dos atuais informais não está muito distante do que ganham os empregados formais do mesmo nível ocupacional. Sinal de que o mercado para a informalidade não está saturado e que essa condição parece uma transição válida para o trabalho decente...Devagar, portanto, críticos de encomenda!

A Reforma Trabalhista, ao entrar em vigor, trará de volta ao emprego formal muitos milhões dos atuais informais.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A HERANÇA TRÁGICA NA RAIS DE 2016

Com a divulgação da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), coletada em 31 de dezembro de 2016, ficou caracterizada a trágica situação do desemprego no setor formal do nosso mercado de trabalho, após vários anos de gestão incompetente da economia brasileira.
A RAIS abrange a totalidade dos empreendimentos formais, públicos e privados, do Brasil e mostra que nos últimos dois anos o mercado de trabalho em nosso país sofreu a maior involução de todos os tempos.
Segundo a RAIS, havíamos atingido 48.948.000 postos de trabalho em 2013 e  chegamos a 49.572.000 trabalhadores colocados no setor formal de nossa economia em 31 de dezembro de 2014. Ao longo de 2015, porém, foram perdidas 1.511.000 vagas e caímos para 48.061.000.  Durante o ano de 2016 mais 2.001.000 vínculos empregatícios  foram desfeitos, reduzindo o estoque de empregados a 46.060.000. Em dois anos, portanto, foram queimados mais de 3,5 milhões de postos no mercado de trabalho formal. Fechamos 2016 com menos empregos (46,1 milhões) do que tínhamos em  2011 (46,3 milhões). Em 2010 e 2011 a criação anual de empregos esteve sempre acima de 2 milhões anuais; no biênio 2012-2013 permaneceu acima  de 1 milhão por ano, mas em 2014 foi pouco superior a 600 mil novos empregos. Em 2015 e 2016 deu-se o retrocesso  lamentável!
Em virtude da crise, também o número de estabelecimentos foi reduzido de 8,314 milhões, em 31/12/2015, para 8,206 milhões ao final de 2016 - portanto mais de 108 mil empresas fecharam as portas no ano passado. 
A remuneração real média mensal  (que não inclui o 13º. salário) era de R$ 2.852, em 2016, tendo portanto retrocedido  ao nível de 2013 (quando atingira R$ 2.854 mensais). Perdas relativas consideráveis!
Levaremos tempo para recuperar-nos. Em 2016, três Unidades da Federação concentraram quase 50% das vagas destruídas: São Paulo perdeu 503 mil empregos;  no Rio de Janeiro desapareceram 289 mil postos de trabalho e em Minas Gerais 192 mil vínculos empregatícios foram desfeitos. Somente o estoque de trabalhadores com nível de escolaridade universitária, completa ou incompleta, teve crescimento em 2016, além de sua remuneração situar-se bastante acima da média global (R$ 5.458 mensais). O estoque de empregados com nível médio foi o que sofreu maiores perdas.
O ano de 2017 tem sido de recuperação lenta, gradual mas persistente, consistente com a agenda de reformas que os setores produtivos esperam concretizar-se, para assegurar–lhes maior segurança  jurídica e confiança na retomada do desenvolvimento nacional.
No âmbito do emprego formal , o CAGED do Ministério do Trabalho, referente a setembro de 2017, revelou um aumento de 34.392 postos de trabalho, o acumulado do ano já atingindo 208.874 no período jan-set. Neste último mês a Indústria de Transformação liderou a criação de empregos (+25.684), seguida de Comércio (+15.040) e de Serviços (+3.743). Como era de esperar, pela sazonalidade, a Agropecuária perdeu 8.372 vagas.
O Estado do Rio de Janeiro, que vive uma crise sem precedentes, perdeu 4.769 empregos em setembro, sendo 2.926 na Capital. No ano de 2017 o Estado já perdeu 83 mil vagas, sendo 51 mil em sua Capital.
Efetivada a Reforma Trabalhista, o quadro deverá melhorar sensivelmente a longo prazo. No caso específico do Rio de Janeiro, iniciada sua recuperação fiscal, as perspectivas serão bem melhores.
A PNAD Contínua do IBGE, a ser divulgada em breve, deverá corroborar essas previsões otimistas.


sábado, 30 de setembro de 2017

“ESPECIALISTAS” EM MERCADO DE TRABALHO CADA VEZ MAIS SURPRESOS!

O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de agosto de 2017 trouxe novamente boas notícias, conforme prevíamos: pelo quinto mês consecutivo houve aumento do emprego com carteira assinada. Foram 35.457 novos postos de trabalho, criados principalmente em serviços (23,3 mil empregos) e na indústria de transformação (12,8 mil vagas), como também aconteceu em  julho. Este último resultado  faz antever  uma excelente perspectiva para os próximos três meses ( setembro, outubro e novembro) pois o reemprego na indústria se propaga posteriormente ao comércio e serviços. Dezembro, ao contrário, é sempre o mês das demissões maciças... Por outro lado, a perda de 12.412 postos na agricultura em agosto é normal, recorrente e sazonal.
O CAGED permite concluir que no total do ano de 2017 o Brasil já criou 163.417 novas vagas formais, um resultado que confirma a recuperação gradual do mercado de trabalho e o progresso do emprego decente, de boa qualidade. Um refrigério depois da calamitosa crise do mercado de trabalho causada pelo descalabro do governo anterior.
O resultado do CAGED seria ainda melhor  caso as economias do Estado do Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco  não estivessem destruindo empregos formais maciçamente.  No acumulado de 2017 o Estado do Rio de Janeiro  fechou 78.175 postos de trabalho, Alagoas perdeu 33.507 vagas e Pernambuco 24.594. Se não existisse o peso morto dessas três Unidades da Federação, a economia brasileira já teria criado 300 mil empregos formais ao longo de 2017! Aliás, correlações muito elucidativas podem ser feitas entre a situação do emprego formal nesses três Estados e a gestão dos respectivos governos.
Por outro lado, os resultados da PNAD CONTÍNUA do IBGE, estimativa amostral  para o trimestre junho-julho-agosto de 2017, confirmaram a recuperação do emprego no Brasil. A taxa de desocupação que era de 13,7% no trimestre jan-fev-mar de 2017 e atingia 14,2 milhões de trabalhadores caiu para 12,6%  e 13,1 milhões de desocupados no trimestre jun-jul-ago de 2017. Entre esses períodos a população ocupada passou de 88,9 milhões de pessoas para 91,1 milhões, aumentando portanto em quase 2.200.000 postos de trabalho, o que é marca a ser festejada. Cresceu  a força de trabalho do país (de 103,1 para 104,2 milhões) e em paralelo a massa de rendimento real do trabalho de R$ 186 bilhões para R$ 187 bilhões. A economia, portanto, está conseguindo prover a absorção adequada dos que chegam à idade de trabalhar.
Infelizmente, o IBGE, em sua análise sempre deficiente, amplamente divulgada, prefere enfatizar o crescimento da informalidade, transição natural para a posterior ocupação decente, nas saídas das grandes crises do mercado de trabalho. E a crise criada por Lula e Dilma conseguiu até superar o desastre do emprego no governo de FHC – o que não é pouca coisa!

Com a Reforma Trabalhista, a entrar em vigor em novembro de 2017, o reemprego tomará novo impulso e a recuperação acelerar-se-á, ao contrário das expectativas pessimistas dos denominados “especialistas tupiniquins em mercado de trabalho” e dos técnicos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Decepção para mim, que já fui consultor da OIT, nos bons tempos do CINTEFOR. Aliás, uma boa iniciativa para as Universidades brasileiras seria tratar da formação de pós-graduados em mercado de trabalho, uma deficiência notória de nossos quadros profissionais.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

MAIS PRIVATIZAÇÃO = MENOS CORRUPÇÃO

Almoçávamos no restaurante do Jockey Clube, no Centro do Rio de Janeiro. Estávamos no final de 1984. De repente, Antonio Carlos Magalhães veio até nossa mesa e disse sorridente:   “Roberto, você vai votar no perdedor! Eu estou com o vencedor e vou ser Ministro... daqueles bem gastadores!” Roberto Campos era Senador e iria votar na eleição indireta para a Presidência da República em janeiro de 1985. Sua preferência era conhecida, obedecia à fidelidade partidária, mas desagradava  a alguns de seus amigos mais próximos pelo fato de pesarem, sobre seu candidato, fortes acusações de corrupção. Questionei-o sobre sua escolha e Campos  respondeu-me que muito pelo contrário, seu voto, caso vitorioso, reduziria dramaticamente a corrupção no Brasil. E explicava: seu candidato, homem da iniciativa privada modernizante, prometera a seus eleitores potenciais que iria reduzir drasticamente a participação do Estado em vários setores da nossa economia. Na opinião de Roberto Campos essa decisão acarretaria um choque ético pois ele acreditava que “a corrupção só existe quando o Governo está presente e a privatização é um caminho seguro para reduzi-la”. Daí sua escolha, naquele momento de transição política, que abriria uma nova era na vida nacional.
O anúncio das inúmeras privatizações previstas pelo Governo Temer, embora extremamente positivo,  despertou as críticas esperadas e de motivações óbvias: críticas oportunistas, daqueles que pegam carona na impopularidade do Presidente para faturar politicamente; críticas ideológicas, da mesma turma que já nos anos 50 gritava “o petróleo é nosso!”, um slogan vazio mas de vendagem fácil; e críticas fisiológicas diversas. São, por exemplo, os lamentos de funcionários públicos que querem defender seu emprego e as benesses que as tetas estatais lhes propiciam, nem sempre legitimamente, mas invariavelmente  com o dinheiro do contribuinte indefeso, espoliado. Assim como as críticas das ONGs e blogs que se sustentam com as doações fáceis, ocultas ou dissimuladas, daqueles empreendimentos públicos falidos.
Os nacionalistas do “petróleo é nosso” foram ironicamente sinceros no uso do possessivo: a PETROBRAS, com petróleo, refinarias, navios, plataformas e tudo mais  foi deles, realmente, nos últimos anos, durante os quais a dirigiram e lhe roubaram  e deixaram roubar fortunas incalculáveis.
A PETROBRAS, que Roberto Campos chamava de PETROSSAURO, é o atestado mais eloquente de que a privatização é um instrumento depurador. Na empresa pública, ao contrário do que ocorre na iniciativa privada, a má gestão não é punida pelo mercado e pode fabricar prejuízos estratosféricos.
Meu posicionamento político atual é similar ao do mestre Roberto Campos, ao decidir votar em Paulo Maluf, na transição dos governos militares para a normalidade democrática. Apesar das restrições éticas, o Presidente Temer, reformista e corajoso, marca mais um tento e se credencia ao reconhecimento da História ao reduzir o tamanho deste gigante oligóide: o Estado brasileiro

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

LIBERDADE ECONÔMICA PARA OS BRASILEIROS!!!

Além das reformas a que o Governo Temer se propõe, mui acertadamente, mesmo afrontando uma impopularidade inédita, há mais uma missão na qual dever-se-ia empenhar em profundidade: a de repor a liberdade econômica dos brasileiros, cada vez mais restrita. . Há muito o que corrigir em nosso país, sem dúvida. As reformas propostas por Temer – Trabalhista, Tributária, Previdenciária  etc - são legítimas e urgentes, mas dar mais liberdade econômica aos trabalhadores, aos empreendedores e aos cidadãos em geral é também uma prioridade indiscutível.
A falta crescente de liberdade econômica no Brasil é sufocante, inibidora da criatividade e do empreendedorismo, esterilizante da inovação e do desenvolvimento. Depois de tantos anos de governos esquerdistas, sempre desejosos de vigiar e se imiscuir na vida de todo mundo – pois isso faz parte indissociável de sua ideologia! - chegamos a um ponto de intolerância indesejável contra muitas das manifestações em favor da liberdade que são totalmente naturais em qualquer povo.
A TROIKA GAUCHE – FHC, Lula e Dilma – fez um trabalho admirável contra as liberdades em geral e em favor do politicamente correto castrador, que não poupou nem  o espírito  humorístico natural do brasileiro de todas as classes. Contraditoriamente, eles reclamavam da censura dos Governos Militares e instituíram a maior mordaça de nossa história. Nunca antes, na história deste país... É de chorar!
A liberdade econômica foi muito sacrificada por esses ditadores enrustidos e é hora de recuperar as perdas. Quando, no Governo Lula, foi proibido vender banana às dúzias e pãozinho por unidade eu logo pressenti a onda comunistóide que iria inundar nossas vidas e afogar nossas almas.
A burocracia faz parte importante dessa receita de ditadura econômica: é um dos instrumentos mais eficazes para reduzir nossa liberdade. E ela só aumentou nos últimos anos. Faz parte da ideologia da esquerda ampliar o tamanho do Estado, inchar o número de funcionários públicos, criar novos tipos de servidores que não pareçam formalmente funcionários públicos mas ajam como tal. E usar essa turma toda como marionetes e dependentes de um poder central que se quer ilimitado.
Daí a proliferação das ONGs, a criação das OSCIP, OS e outros bichos similares, vorazes do dinheiro dos contribuintes... mas  sempre sob a pele de cordeiro! Invariavelmente com um padrinho político, preferencialmente congressista, para canalizar adequadamente as benesses recebidas do Estado. Aparentemente lutando por uma boa causa, geralmente para denunciar algo, alguém e para criar antagonismos entre os que são diferentes entre si. FHC multiplicou-as e cuidou de dar-lhes poder e verbas públicas abundantes, disfarçadas sob a forma de prestação de serviços, contratada sem licitação, causando a destruição das empresas privadas que atuavam nesse segmento.
Com o propósito de sufocar as empresas privadas, Lula fez crescer desmesuradamente o poder atribuído aos Sindicatos e aos pelegos – sindicalistas que fingem defender os direitos dos trabalhadores, mas apenas fingem! O Ministério do Trabalho e o FAT (Fundo sem fundos), nos governos petistas, foram os pastos entregues à voracidade desses novos-ricos.
Todos esses entes diabólicos receberam  dinheiro a rodo, para realizações que nunca foram avaliadas, cujas contas estão espalhadas nas estatais e órgãos públicos, há anos, sem serem prestadas a quem de direito.
Quando se combate ferozmente o UBER; quando se quer proibir que o direito de propriedade seja exercido plenamente, nas locações por temporada; quando se quer punir iniciativas inovadoras que exijam liberdade de ação, isso é reflexo da mentalidade que a esquerda inculcou nas cabeças desavisadas que frequentaram professores e Universidades de qualidade discutível, aparelhadas pelo comunismo disfarçado de humanismo igualitário.
Um exemplo claro é o obstáculo burocrático ao empreendedorismo no Brasil. O projeto GEM (Global Entrepreneurship Monitor), da London Business School e do Babson College, tem realizado inúmeras pesquisas, em vários países, com características as mais distintas, as quais mostram claramente que a criação de empresas é um dos principais motores do desenvolvimento econômico e social de um país, graças à sua influência sobre a criação de postos de trabalho e a geração de renda. Mas segundo os dados do Banco Mundial, o processo de abrir uma empresa em nosso território dura 119 dias, colocando o Brasil no 179º lugar no ranking de burocracia estudado em 183 países. Apenas a Guiné Equatorial (137 dias), Venezuela (141), República do Congo (160) e Suriname (694 dias!) nos superam nessa demonstração de falta de competência e deficiência de competitividade (adaptação de texto capturado às 22:45h de 16/08/2017, no site da Revista EXAME: exame.abril.com.br). Note-se que há países, como a Nova Zelândia, em que é possível abrir uma empresa em menos de 24 horas. O drama repete-se quando do encerramento de empresas no Brasil, cujo processo dura vários meses, mesmo quando a firma está totalmente em dia com seus compromissos. O mais curioso é que as autoridades que insistem em manter esse ritual macabro afirmam que tudo é feito para evitar fraudes, lavagem de dinheiro, acidentes nos locais de trabalho etc. Uma desculpa indesculpável neste país em que os “laranjas” existem aos milhares, as remessas de dinheiro sujo para o exterior são bilionárias, acidentes com dezenas de mortos e feridos em locais de entretenimento não são incomuns e assim por diante... Mas a verdade verdadeira é manter os privilégios cartoriais, justificar muitos milhares de funcionários públicos totalmente dispensáveis e gastar muito papel e tinta, sempre comprados a peso de ouro. Exigir uma certidão, uma firma reconhecida, uma assinatura de corpo presente, a passagem por esta e aquela repartição, carimbos e Oks de incontáveis servidores, tudo faz parte dessa tragédia!
No Brasil, além da enorme carga tributária - sem a justa retribuição dos serviços correspondentes – o cidadão tem, muitas vezes, que fazer um esforço enorme para pagar seus impostos, contribuições e similares. As exigências descabidas proliferam, sempre roubando o nosso tempo e a nossa paciência.

A Reforma Trabalhista ampliou a liberdade econômica, dando mais autonomia a empresários e empregados para negociar seu relacionamento. Foi um bom começo, mas ainda é pouco:
Queremos Estado menor, a custos suportáveis, menos ingerência em nossas vidas e maior eficiência, eficácia e efetividade da máquina pública!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

OS “ESPECIALISTAS” EM MERCADO DE TRABALHO ESTÃO SURPRESOS!

O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de julho de 2017, enviado ao Ministério do Trabalho pelos empresários, trouxe boas notícias, conforme prevíamos. Pelo quarto mês consecutivo houve aumento do emprego com carteira assinada. Foram 35,9 mil novos postos de trabalho, criados principalmente na indústria (12,6 mil vagas), o que faz antever  uma excelente perspectiva para os próximos meses (agosto, setembro e outubro), também em Comércio e Serviços, os quais já foram bem em julho.
No total do ano de 2017 o Brasil já atingiu 103 mil novas ocupações formais, um resultado que caracteriza a recuperação gradual do mercado de trabalho e o progresso do emprego decente, de boa qualidade. É de lembrar que o Governo Dilma arruinou a economia brasileira e bateu um recorde do desemprego que parecia difícil de ultrapassar: a desocupação fabricada no Governo de Fernando Henrique Cardoso, administração que desorganizou o mercado de trabalho, ampliando a informalidade e destruindo a competitividade de alguns setores de nossa economia, pela falta de planejamento e de uma gestão razoavelmente competente.
O resultado do CAGED seria ainda melhor, caso a economia do Estado do Rio de Janeiro não estivesse imersa no  caos  que a caracteriza, após a leva de vorazes gafanhotos da corrupção, do populismo e da estatização irresponsável que devoraram seus fundamentos, outrora sólidos e extremamente significativos no contexto global brasileiro. Só em julho o Estado perdeu mais de 9 mil empregos, sendo o ÚLTIMO COLOCADO NO RANKING do CAGED. A demora de seus gestores no Executivo e – principalmente - no Legislativo, para chegar a um ajuste fiscal sério e garantir um acordo com o Governo Federal para voltar a receber recursos financeiros, torturam o povo fluminense pobre e da sua baixa classe média, privados de seus salários, pensões e aposentadorias. Se não existisse o peso morto do Rio de Janeiro, a economia brasileira já teria criado mais de 200 mil empregos formais ao longo de 2017!
Aguardemos agora os resultados da próxima PNAD CONTÍNUA do IBGE, com sua estimativa de desemprego, teoricamente baseada em amostra estatisticamente significativa, colhida em milhares de Municípios e que abrange também o mercado informal de trabalho. A PNAD CONTÍNUA pode nos dar um quadro mais completo, desde que elaborada atendendo aos requisitos técnicos exigidos pelas boas práticas. Esperemos, também, que a análise da pesquisa divulgada pelo IBGE para a mídia seja isenta de politicagem, o que infelizmente é uma característica da comunicação daquele  órgão, tradicionalmente aparelhado pelos partidários da esquerda radical brasileira.
Com a Reforma Trabalhista, o mercado tomará novo impulso e dará ao trabalhador brasileiro melhores oportunidades de emprego e renda. E se tivermos uma simplificação tributária significativa e a Reforma da Previdência necessária, estou seguro que o Brasil voltará ao caminho do desenvolvimento. Ao contrário dos "especialistas em mercado de trabalho" que assessoram e recitam suas profecias na grande mídia brasileira!



sexta-feira, 28 de julho de 2017

SALVE! SIGNIFICATIVA QUEDA DO DESEMPREGO NO BRASIL!

Felizmente, meus prognósticos otimistas sobre a evolução do emprego em nosso país se confirmam (ver meu blog de 16 de março de 2017, intitulado OTIMISMO BEM EMPREGADO): os resultados da PNAD Contínua para o 2º.trimestre de 2017 (abril-maio-junho de 2017) não deixam dúvidas de que  as estatísticas do mercado de trabalho melhoram  visivelmente e refletem a retomada, ainda que tímida, do desenvolvimento econômico brasileiro.
Ao mesmo tempo, desmentem não só as previsões dos denominados “especialistas” domésticos  mas também as da OIT (Organização Internacional do Trabalho)  e do FMI (Fundo Monetário Internacional): todos, com ampla divulgação da mídia aparelhada, anunciaram insistentemente que só em 2018 o Brasil começaria a normalizar seu mercado de trabalho. E batiam na tecla de que  “o mercado de trabalho seria o último a se recuperar...”
Como já expliquei anteriormente, o Brasil, antes da aprovação da Reforma Trabalhista, tinha uma particularidade extremamente negativa: aqui, admitir um empregado era certamente caro e demiti-lo ainda mais oneroso e até de custo imprevisível! Daí a defasagem tão repetida e que  perdeu sentido a partir do anúncio da modernização da CLT pelo Governo Temer.
A PNAD Contínua do 2º. Trimestre mostra que a população ocupada cresceu 1,5% em relação ao trimestre anterior, subindo de 88.947.000 para 90.236.000 trabalhadores: salto significativo de 1.289.000 novos participantes ativos do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a taxa de desocupação caiu para 13,0%, atingindo 13.486.000 trabalhadores. No primeiro trimestre de 2017 a taxa de desocupação era 13,7%, infelicitando 14.176.000 trabalhadores. Assim, no período de três meses, a desocupação caiu 5% e 690 mil brasileiros saíram desse sufoco infernal e voltaram a trabalhar, recuperando seu espaço na economia. Embora os pessimistas insistam na tecla que houve um aumento da informalidade (390 mil trabalhadores por conta própria a mais no trimestre), o resultado é muito positivo. Nesses períodos, de transição da crise para a normalidade econômica,  é natural um certo aumento da informalidade que pode até mostrar-se benéfica: o conta própria, muitas vezes, se torna um empreendedor  criativo, motor potente das economias capitalistas.
Tudo isso ocorreu dentro de um panorama normal de recuperação econômica e inclusive nossa força de trabalho aumentou no trimestre de 103.123.000 para 103.722.000 participantes, enquanto a população de 14 anos e mais de idade, fora de atividade, permaneceu praticamente igual, passando 64.413.000 para 64.415.000 inativos.
É natural que ainda tenhamos que enfrentar oscilações,  mas com o advento da Reforma Trabalhista as perspectivas são promissoras.  No segundo semestre a Indústria potencializará os demais setores.
Um amigo meu, grande gozador, diz que em breve a taxa de desemprego estará ainda mais baixa que a popularidade do Governo Temer.

Verdade:  é quase impossível ser reformista e popular ao mesmo tempo, especialmente em países com educação de qualidade duvidosa e cujo eleitorado é facilmente seduzido pelas promessas mentirosas dos políticos populistas de plantão.

VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...