sábado, 22 de setembro de 2018

EDUCAÇÃO COM GARANTIA DE QUALIDADE

Repito o texto de meu blog de 8 DE ABR DE 2009, com algumas adaptações, principalmente em função do crescimento explosivo da educação a distância:


É chegado o tempo de as instituições de ensino darem garantia, à sua clientela, da qualidade dos serviços educacionais que lhes prestam.
Durante muitos anos frequentei a UNESCO, OEA e outras instituições internacionais que atuam no setor educacional, ora como representante do Governo brasileiro ora como Consultor contratado por essas organizações. Continuo acompanhando suas atividades e da OCDE, recebendo e lendo suas publicações,  navegando em seus sites e participando de webinars que promovem periodicamente. Posso assegurar que nunca se pensou na hipótese de dar, aos alunos, garantia de qualidade dos serviços educacionais pelos quais pagam, de uma forma ou de outra.
Nos últimos tempos, tenho recebido uma profusão de e-mails que me oferecem, a bom preço e em inglês sofrível, diplomas de mestrado e doutorado com base apenas em minha experiência de vida (mas como, se os remetentes nem me conhecem ?). Como antídoto a esse estado de coisas, a essa permissividade pedagógica que se generaliza, sugiro o que nossas autoridades educacionais já deveriam ter proposto há tempos: (1) que a legislação brasileira passe a prever o direito de os consumidores cobrarem e o dever de os estabelecimentos assegurarem a qualidade dos serviços educacionais por eles prestados; (2) e que, como corolário, os agentes prestadores desses serviços no Brasil deem garantia de qualidade do ensino ministrado a seus alunos.
Nas duas últimas décadas, o sistema educacional brasileiro ampliou os números de seu atendimento mas pouco evoluiu do ponto de vista qualitativo. Apenas continua produzindo muito mais da mesma coisa: alunos despreparados, que em todos os testes internacionais sempre colocam nosso País próximo à “lanterninha” dentre as nações envolvidas. O mais conhecido e reputado desses testes, o PISA, da competente OCDE, tem sido impiedoso com a debilidade qualitativa de nossa educação.
A reação interna a essa triste e indesmentível realidade é estridente e unânime: há toda uma retórica oficial em favor do “ensino de melhor qualidade”. Novos programas, projetos, atividades, medidas... Ação inócua, sem consequências práticas... Mas seria diferente caso os estudantes formados recebessem “garantia de qualidade” (o que incluiria também a “garantia de durabilidade”) dos conhecimentos e habilidades que teoricamente deveriam dominar. Nesse contexto, a expedição de um diploma para um profissional, por exemplo, implicaria em responsabilidade solidária da instituição educacional formadora – que certamente passaria a fazê-lo com o comedimento responsável que a sociedade exige. O Código do Consumidor deveria adaptar-se às peculiaridades do mercado educacional e aí vigorar como nos demais setores produtivos, nos quais provocou um indiscutível salto de qualidade.
A Educação é sabidamente resistente à mudança e à inovação no mundo todo, talvez por sua relutância em abrir-se à participação multidisciplinar. O setor geralmente é monopólio de “oficiais do mesmo ofício” e a participação de outros profissionais é considerada um assalto a direitos natos de gestão reservados aos autodenominados “educadores”. Como o mundo real é complexo, mutável e sua dinâmica se rebela contra qualquer visão unidimensional, faltam criatividade e capacidade de adaptação ao sistema educacional.
Nas circunstâncias atuais, quando alguém se inscreve em um curso de qualquer nível de ensino – básico ou universitário – nada e ninguém pode assegurar que vá receber um serviço de qualidade. E o pior: caso se decepcione, o aluno não tem a quem recorrer e sofrerá um grande prejuízo pessoal cujo ônus será inteiramente seu. Não se concebe que a prestação de serviços tão decisivos para o futuro de seus usuários e de notável impacto nos destinos da sociedade em geral, esteja fora daquela legislação saneadora. Se as instituições que atendem aos estudantes brasileiros fossem obrigadas a prestar contas judicialmente no caso de (1) fazerem propaganda enganosa dos objetivos terminais que se propõem a alcançar com seus alunos, (2) transmitirem conhecimentos e habilidades já ultrapassados e obsoletos, (3) fraudarem cargas horárias exigidas legalmente, (4) simularem bibliotecas e laboratórios que não existem ou não funcionam, (5) ultrapassarem a lotação máxima admissível das salas de aula etc etc, certamente a qualidade média de nossa Educação melhoraria rapidamente. E só o Código do Consumidor, colocado nas mãos do povo, permitirá fiscalizar a observância das normas educacionais em nosso País-continente.
Os cursos pós-universitários e de educação à distância devem ser os primeiros contemplados por essa inovação, em face de suas características. Logo de início, em vez de punir com o rigor da lei, pode-se começar por obrigar as instituições docentes a cumprirem as promessas de seu projeto pedagógico e a oferecerem dispositivos de segurança para garantirem sua qualidade de ensino. Esses mecanismos – cuja adoção comprovará o empenho das instituições em prestar um bom serviço - podem ser facilmente implantados e seus custos são relativamente baixos para os agentes educativos que encaram sua missão com seriedade.
PS - Um dia após esta postagem a mídia noticia que as autoridades estão prendendo fraudadores de diplomas de ensino médio conseguidos por meio da Educação à Distância. Essa triste realidade atesta a necessidade das providências sugeridas neste blog.

sábado, 8 de setembro de 2018

DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO


O 8 de setembro, Dia Internacional da Alfabetização, é uma data importante em minha vida profissional e durante alguns anos foi dia de festa, de comemoração de grandes vitórias. Era nesse dia que a UNESCO anunciava os vencedores dos prêmios mundiais para os feitos mais notáveis no trabalho em favor da alfabetização. O Mobral foi reconhecido com alguns desses prêmios.
Em 1972 o MOBRAL recebeu a Menção Honrosa do Prêmio Mohammad Reza Pahlavi (monarca do Irã). Em 1974, o Juri desse mesmo Prêmio (Rehza Pahlevi) fez nova menção especial ao trabalho do MOBRAL, enfatizando que a instituição já havia sido agraciada anteriormente. A manifestação dos jurados equivalia a uma nova premiação.
Eu já havia saído do MOBRAL quando, em 1982, tive a agradável surpresa de saber que a instituição foi agraciada pela UNESCO com o IRAQ Literacy Prize,  pelo notável trabalho realizado na Serra do João do Vale, no Rio Grande do Norte. Trabalho iniciado e realizado pela Coordenadora Lurdinha Bitencourt quando eu era Presidente do MOBRAL.
O maior preito da UNESCO pelo excelente trabalho do MOBRAL, porém, foi reconhecer, recomendar e endossar a assistência técnica que a instituição brasileira deu a 23 países, na implantação e na consolidação de seus programas de educação de adultos, alguns dos quais realizaram feitos notáveis.
O JAMAL, por exemplo, em cuja implantação o Governo jamaicano recebeu assistência técnica do MOBRAL, através do envio de missões de especialistas, foi inclusive agraciado com menção honrosa do prêmio Nadeja Krupskaya em 1976.
Atualmente, a UNESCO confere dois prêmios:
 1.        Prêmio King Sejong - escolhe dois ganhadores,  foi criado em 1989 e é realizado em parceria com a Coreia do Sul;
2.         Prêmio Confucius -  seleciona três vencedores, foi estabelecido em 2005 e é realizado em cooperação com o governo da China.
Infelizmente, as atividades de alfabetização de adultos foram praticamente descontinuadas no Brasil, embora ainda tenhamos 11 milhões de iletrados de 15 e mais anos de idade.
Lembro, com tristeza, que presenciei na TV um depoimento pungente do Dr. Ricardo Paes de Barros, especialista qualificado no estudo da pobreza no Brasil: criticava a falência do programa de alfabetização de adultos, executado na gestão de Fernando Haddad como Ministro da Educação, consumindo verba gigantesca (R$ 450 milhões anuais à época), com resultados ridículos.
Com Haddad no Ministério a educação brasileira passou a consumir recursos financeiros de grande vulto, ultrapassando 6% do PIB, despesa maior do que a de muitos países desenvolvidos, mas a qualidade do ensino continuou entre as piores do mundo. O Ministro petista só serviu para comprovar uma tese que defendo há anos: o problema da educação não é de falta de recursos e sim de falta de competência!

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

NA ESQUINA DO ATENTADO À DEMOCRACIA


HALFELD X BATISTA DE OLIVEIRA – JUIZ DE FORA

Halfeld com Batista de Oliveira... Estive lá muitas vezes, nessa importante esquina da querida cidade de Juiz de Fora, nas décadas de 40, 50 e 60, principalmente depois que Cesar Sampaio Coelho, primo-irmão de meu pai, nela construiu seu Hotel Imperial. Era o caminho do hotel, onde nos hospedávamos,  para o Salvaterra, bar famoso pertencente a Amandio Sampaio Coelho, outro primo de meu pai. Primos Mariazinha, Nelson e Cesar, filhos dos tios Luiza e Cesar, irmão de meu pai, também moravam na Batista de Oliveira e a visita a sua casa era obrigatória.
Hoje, 6 de setembro de 2018, pelas várias televisões brasileiras, revi esse lugar de muitas recordações. E a partir de agora já não serão apenas as maravilhosas reminiscências de outrora, das viagens a Juiz de Fora para rever a grande família. A elas juntou-se uma imagem terrível, um pesadelo que provavelmente me acompanhará por toda vida. Atentado de um fanático contra a vida de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República Federativa do Brasil. Atentado à democracia, contra a liberdade de milhões de eleitores que já escolheram Bolsonaro para dar seu voto contra a corrupção e a insegurança que assolam o país.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

GESTÃO PRAGMÁTICA OU PRAGA MATEMÁTICA?


Era uma reunião de pessoas que haviam trabalhado  juntas  no MOBRAL dos bons tempos. Ambiente alegre, reencontros agradáveis, lembranças daquela missão árdua mas extremamente compensadora, com resultados palpáveis a curto prazo. Uma noite memorável.
Em meio às conversas animadas, uma das convivas, que teve um cargo importante no MOBRAL, se dirige ao grupo em que eu estava e faz uma pergunta bastante instigante: “como se explica que você, Arlindo, que é de direita, tenha criado no MOBRAL o Programa de Ação Comunitária, o PRODAC, que é um típico projeto esquerdista?” Respondi com a simplicidade que a ocasião exigia, dizendo: só existem projetos bons e maus e eu sempre optei pelos que considerava bons, como o PRODAC.
O PRODAC era um projeto visando despertar o espírito comunitário, a solidariedade e para isso se valia da realização de atividades visando o bem comum. Em resumo, o MOBRAL levantava por amostragem as aspirações de uma comunidade, partindo de seus problemas e das soluções por ela propostas. A seguir, reunia a população com os órgãos e autoridades capazes de resolver os problemas levantados para que juntos – a comunidade tinha sempre que participar por meio de trabalho voluntário – executassem as ações cabíveis. Era a soma de planejamento participativo e ação solidária da comunidade e dos órgãos públicos. Projeto maravilhoso.
Aquela pergunta feita na reunião, que parece simples, explica muita coisa. E desvenda uma constelação de problemas que são intransponíveis para as esquerdas quando assumem o poder, levando ao seu fracasso sistemático. É só olhar para a História: países que adotaram o sistema político comunista ou cripto-comunista e não acordaram a tempo, modificando-o, fracassaram invariavelmente, conduziram seus povos à miséria e à opressão.
A esquerda geralmente se sai muito bem na oposição pois tem ousadia, coragem e desfaçatez suficientes para prometer  o céu em plena terra. Mas sempre naufraga quando assume o poder. Exatamente pelo motivo que a minha interlocutora deixou entrever com sua pergunta... No mundo real, não existem projetos de esquerda ou de direita e os atributos dos projetos certamente são outros: viáveis ou inviáveis; bons ou maus em termos de custo-benefício; prioritários ou de importância secundária; emergenciais, urgentes ou adiáveis.
Para gestores cegos pela ideologia é que existem os tais projetos de esquerda, que merecem ser levados adiante, ao contrário dos projetos de outras matizes,  que simplesmente devem ser ignorados, sufocados.
Só a gestão pragmática da coisa pública, visando o bem comum, leva à prosperidade e atende aos interesses da nação e de seu povo. A incapacidade de perceber essa grande verdade é que conduz os governos ao fracasso.
Para o esquerdista no poder é uma obra digna de ser executada, por exemplo, um complexo como a Cidade das Artes no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, que custou uma fortuna e que só daqui a 20 ou 30 anos será ocupada plenamente.
Por outro lado, fazer a manutenção adequada do Museu Nacional, que foi residência de um escravocrata e depois de uma Família Imperial –  a aristocracia em sua plenitude – esse, embora barato, é um projeto de direita, para esquecer ou ao qual se deve atribuir prioridade próxima de zero.
O fracasso do esquerdismo na administração pública resulta do fanatismo cego, da discriminação, da  absoluta falta de pragmatismo. Essa é uma praga e uma verdade matemática!


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

MULTINACIOMAL


Nestes tempos de falta de confiança dos grandes investidores, atormentados por um Congresso tipo “toma lá dá cá”, um Executivo impopular e um Judiciário dizendo “nem isto nem aquilo, muito pelo contrário”, verifica-se com satisfação que empreendedores mais modestos ainda acreditam no futuro deste país em crise.
Um tipo de negócio do meu tempo de criança, que parecia estar desaparecendo, surge agora com grande dinamismo e nova roupagem: a barbearia, com ou sem adendos. Esse ressurgimento na área de serviços ocorre até mesmo no Estado do Rio de Janeiro onde, além da crise, grassou a mais daninha e bilionária onda de corrupção, envolvendo Governos e PETROBRAS – empresa que retardou seus projetos por força de um endividamento recordista até mesmo no âmbito mundial e que iria investir pesadamente no território fluminense, em especial no COMPERJ.
As barbearias ressurgem por todos os lados, certamente como exigência da nova moda masculina: utilizar o couro cabeludo como uma tela, inovação cujo pioneirismo deve ser atribuído por justiça aos jogadores de futebol, modelos de uma parte considerável de nossa juventude, certamente maravilhada com seus impressionantes exemplos de rápida ascensão social e econômica.
Mas não é só moda: a nova vaga tem muito de utilitária. Gerações que não conviveram desde cedo com a navalha, largamente usada para barbear nos meus tempos de criança, não adquiriram a intimidade necessária para lidar com o temível instrumento. Assim, dificilmente se adaptariam ao seu uso nestes tempos de correria em busca do nada e do talvez... Manuseá-la e manejá-la como instrumento artístico e seguro exige agora uma qualificação específica, de caráter profissional e o domínio dessa técnica gerou uma boa oportunidade de negócio para os iniciados.
Outro fator influente é a impossibilidade, no Brasil, de se fazer uma boa barba, econômica, no ambiente doméstico. As tentativas tecnológicas, com barbeadores elétricos, fracassaram e as lâminas... são caras e de qualidade inferior até ao SUS e à nossa educação básica nas escolas públicas.
Linha do tempo: quando trabalhei no IPEA, de 1965 a 1972, a instituição recebia farta assistência técnica do exterior e muitos especialistas estrangeiros eram nossos colegas no dia a dia do escritório. As viagens deles e nossas eram uma constante, para os Estados Unidos e para a Europa. Na véspera das partidas sempre havia aquela oferta amiga: a de trazer pequenas e leves encomendas para os colegas de trabalho. E não dava outra: dois pedidos principais, invariáveis, de pasta para dentes sensíveis e lâminas de barbear. O primeiro porque não havia similar nacional do creme dental; a segunda, pela gritante diferença de qualidade, as nossas lâminas sendo muito inferiores às da mesma marca e modelo vendidas nos países onde há controle de qualidade para valer.
A multinacional que fabrica o milagroso creme dental, de uma eficácia espetacular, rapidamente identificou o promissor mercado brasileiro e passou a fazê-lo localmente, com a mesma qualidade do produto vendido no resto do mundo e resultados fabulosos. É um sucesso.
Quanto às lâminas de barbear, 50 anos depois, continuam sendo de péssima qualidade no Brasil, prometendo na publicidade uma performance que nem de longe atingem. Dá aos consumidores a impressão de que esse produto jamais teve sua qualidade testada pelos órgãos responsáveis. Será que o INMETRO não tem o equipamento adequado para fazê-lo?
Liberal na área econômica, considero muito útil a presença de multinacionais  no setor produtivo brasileiro, pois nos trazem investimentos, empregos, avanços tecnológicos e competição. Mas há exceções...
Ainda bem que no caso em foco essa “multinaciomal” fez tantas “barbeiragens” que acabou reabilitando um tipo de negócio que parecia obsoleto.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Siamo Tutti Fritti


Existem, neste Brasil em crise moral, pessoas que têm poder e  o exercem perdulariamente. Muitas dessas pessoas não ouvem e muito menos falam a linguagem das ruas: "Vanitas vanitatum et omnia vanitas" (Eclesiastes).1    
É preciso que aprendam que a voz do povo é a voz de Deus (Vox populi, vox Dei). E como isso não basta, lembrar-lhes  que é transitória a glória do mundo (Sic transit gloria mundi).
Para que entendam e se corrijam, talvez escrever-lhes do mesmo modo pelo qual se expressam, assim pretendendo colocar--se superiormente, pois falta-lhes a virtude que já nos ensinava Homero: “a marca da sabedoria é ler corretamente o presente e marchar de acordo com a ocasião.”      
Esses poderosos “Sunt bona, sunt quaedam mediocria, sunt mala plura” (Epigrammi, lib.I, ep. 17, v.I) . 2
Divergem na aparência  mas “Firmissima est inter pares amicitia”3 
Para eles, “Più dell`'essere, conta il parere” (Giusti) 4.
Suas atitudes perante a coisa pública têm grande semelhança com a indiferença da Marquesa de Pompadour ao zombar do populacho: “Après nous le déluge”5
Ó seres superiores, incapazes de entender que “Omne vivum ex ovo”. 6
Analisando o conjunto de sua obra pode-se repetir Thiers: “Il n`y a plus une seule faute à commettre”7
Pois é certo:  "Judex damnatur ubi nocens absolvitur" (Publilio Siro, in Mimi).8
“Guai a côl ch`a s`ancaprissia, D`vôlei giusta la giustissia” (Angelo Brofferio, in La Pratica Legal)  9
Podemos ter certeza: "Les grands ne nous paroissent grands que parce que nous sommes à genoux. Levons-nous!" (Prudhomme) 10
 Afinal, nós os sustentamos: "Misera contribuens plebs" (Horacio) 11
"(Quia) Ventum seminabunt et turbinem metent" (Osea, cap VIII, v.7) 12
"L`'insurrection est le plus saint des devoirs" (General La Fayette) 13
Que saudade do Brasil de outrora! "Nessun maggior dolore che ricordarsi del tempo felice nella miseria" (in Otello de Rossini) 14
"Oh Liberté, que de crimes on commet en ton nom!" (Jeanne Roland de la Platière diante da guilhotina)15
Saremmo  Tutti  Felici...
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NOTAS
1 “Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade”
2 “Há bons, alguns são medíocres, mas os mais são ruins.”
3 “Solidíssima é a amizade entre os pares”
4  “Mais do que ser, vale o parecer”
5 “Depois de nós o dilúvio” 
6 “Todo ser vivente provém de um ovo”
7 “Não lhes falta um único erro a cometer”
8 “A absolvição do culpado é a condenação do juiz”
9 “Ai daquele que quer a justiça justa”
10 “Os grandes só nos parecem grandes por estarmos de joelhos. Levantemo-nos!
11 “A pobre plebe é quem paga”
12 “Quem semeia ventos colhe tempestades”
13. “A insurreição é o mais santo dos deveres”
14.  “ Não há maior dor, na miséria, do que recordar-se dos tempos felizes”
15. “Ó Liberdade, quantos crimes são cometidos em teu nome!

terça-feira, 19 de junho de 2018

A GRANDE DESCONSTRUÇÃO


Nos últimos tempos, cada vez com maior frequência, as redes sociais divulgam textos de algumas “celebridades” das esquerdas tupiniquins  (os “ícones” de outrora), declarando seu desgosto profundo com o PT, já agora identificado e provado  como o grande responsável pela implantação da corrupção sistêmica que tem consumido as riquezas da nação (cacófato bem colocado) brasileira. Alguns dos desiludidos vão muito além: em suas lamúrias atacam e renegam  não apenas o PT mas todo o ideário esquerdista e os partidos que o defendem.
Creio que em sua maioria sejam mágoas sinceras,  de pessoas honestas que não conheciam e não aceitam os malfeitos de seus antigos ídolos, agora desmascarados.
Mas alguns deles eram subversivos e participaram da luta armada, na qual assaltaram, sequestraram, mataram, praticaram o terrorismo cruel e quase unanimemente silenciaram ante as muitas mentiras veiculadas contra os governos  militares nos últimos 20 anos. Desses, seu arrependimento deve ser visto com grande reserva, pois é difícil perdoar a brutalidade de suas ações e a cumplicidade de seu silêncio calunioso. Certamente ocorreram excessos da repressão, pois se combatia uma “guerra suja”, que foi uma  iniciativa dos radicais de esquerda e não dos poderes constituídos, Mas os excessos, decorrentes das circunstâncias, foram exceções e não a regra. As nossas Forças Armadas foram vítimas, nos últimos anos, de uma generalização mentirosa, muito típica da desonestidade intelectual de comunistas e afins.
Pior ainda, nessa onda de arrependimento, são os muitos carreiristas sonsos que  estão entre os que agora fazem essa falsa  declaração de “mea culpa, mea  máxima culpa”. Estes,   em verdade, o que lamentam é o fato de terem perdido seus privilégios: as benesses das Leis Rouanet  e do Audiovisual (os militantes culturais); ou  as “boquinhas” das ONGs amigas do PT (os voluntários profissionais e os invasores da propriedade alheia, no campo e na cidade); ou ainda as polpudas verbas das Fundações ligadas a estabelecimentos públicos de ensino com as quais eram pagos os estudos com viés ideológico e as pesquisas com resultados pré-determinados dos militantes acadêmicos, usando o dinheiro dos contribuintes, repassado sem licitação. E assim por diante... Pois poucos setores escaparam à compra desse “apoio irrestrito ao PT”. O genial Nelson Rodrigues dizia com razão que “dinheiro compra até amor sincero”.
Essa multidão de arrependidos fez-me lembrar, por analogia, o meu próprio passado profissional , o qual nunca reneguei.

MEUS DIAS FORAM MELHORES
Trabalhei 16 anos consecutivos nos governos militares, de janeiro de 1965 a março de 1981, em dois órgãos federais: primeiro, durante 7 anos, como Coordenador do Setor de Educação e Mão de Obra do IPEA e Secretário-Executivo de seu Centro Nacional de Recursos Humanos; depois, mais 9 anos no MOBRAL, sendo 2 como Secretário Executivo do Presidente Mário Henrique Simonsen e 7 como seu sucessor na direção da instituição.
Esse ciclo profissional acabou com minha demissão do MOBRAL. Por ordem do Ministro da Educação, que era um General, telefonou-me um funcionário subalterno do MEC, na manhã de 31 de março de 1981, comunicando que meu mandato de Presidente do MOBRAL acabara naquele dia e que eu não seria reconduzido ao cargo. Demissão deselegante, totalmente fora do protocolo usual, especialmente para um servidor que se dedicava de corpo e alma ao trabalho. O Ministro, influenciado na minha demissão pelo Secretário Executivo do MEC, também um Coronel, provavelmente não teria  uma justificativa razoável  e sincera para  minha demissão. Ou pior: simplesmente não teria  coragem suficiente para encarar-me, para o derradeiro “tête a tête” protocolar. Daí a demissão telefônica, deselegante ou covarde, não sei...
Esse ato de força - o tempo mostrou - não foi nada feliz e marcou o início da decadência de um dos melhores programas dos governos militares. Para mim foi traumático naquele momento, embora bastante conveniente sob o ponto de vista pessoal. Eu estava cansado dos rituais do poder, tinha perdido e continuava perdendo boas oportunidades profissionais  fora do Governo, sempre mais rendosas e essa saída foi pecuniariamente proveitosa. Mas foi  uma injustiça e um verdadeiro atentado contra a imensa família do MOBRAL, a partir daí muito limitado em sua autonomia, subordinado ao MEC, um desses dinossauros estatais do qual pouco se pode esperar.
O que era o MOBRAL?  Eram muitos milhares de abnegados, em todo território nacional: gente exemplar, competente, dedicada, disposta a trabalhar, a qualquer  dia e hora, para cumprir sua nobre missão, em favor da população mais carente do Brasil.
Mesmo tendo sido vítima desse desenlace que os autores pretendiam humilhante, perpetrado por um General  e um Coronel, jamais me ocorreu renegar minha passagem pelos Governos militares. E quando a mídia e os meios políticos assacavam as maiores acusações  contra o “regime autoritário”, criavam Comissões da Verdade  (como previra George Orwell no seu livro “1984”), propagavam a mentira, a calúnia e colocavam os militares entre os grandes vilões da pátria, eu os defendia, dentro das minhas possibilidades, por uma questão de justiça e por não me faltar caráter.
Meus chefes eventuais, em meu ponto de vista, cometeram um grave erro, mas eu tenho que reconhecer e proclamar, depois do meu prolongado contato com as nossas Forças Armadas que estas são formadas por brasileiros sérios, honestos, patriotas, capazes de dar a vida pela integridade de nosso país. Nos 16 anos que precederam aquele desagradável 31 de março de 1981, todos os militares com os quais  lidei sempre respeitaram minha autonomia  e independência, admitiram e até aplaudiram que eu tratasse Governadores e Prefeitos igualmente, independente de suas cores partidárias. Jamais praticaram a imunda politicagem. Aliás, uma das razões do sucesso do MOBRAL.
Os militares nos ajudaram sempre que necessário e  nos  incentivaram  a buscar novos caminhos para promover a clientela do MOBRAL: exatamente os brasileiros mais carentes e desprotegidos.
Os Governos militares desenvolveram nossa economia e transformaram o até então desprezado Brasil  em uma potência regional. Promoveram grandes avanços na área social, sem demagogia e com o necessário realismo, evitando retrocessos futuros. Na área política, infelizmente, não promoveram a renovação dos quadros dirigentes, com a intensidade necessária. Falha totalmente previsível para os integrantes de instituições em que a franqueza e a sinceridade são consideradas virtudes indispensáveis, enquanto no mundo político a ética passa bem longe delas.
Aos desiludidos do esquerdismo só posso dizer que felizmente MEUS DIAS FORAM MELHORES! MUITO MELHORES MESMO!

VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...