1. Infelizmente,
concretizou-se minha previsão sobre
desemprego - ver blog FIM DE(AS)
FESTA(S), de 27/12/2015: só em dezembro o país perdeu 596.208 postos de trabalho formais. Historicamente,
desde o Governo Lula, dezembro é um mês de demissões em massa. Efeito
cumulativo do término das festividades e do continuado aumento irrealista do
salário mínimo e dos pisos salariais estaduais, sempre acima da inflação e
guiados pela demagogia populista que assola o país, sem a sustentação
indispensável do aumento da produtividade dos setores econômicos. Assim, no
total, em 2015, o Brasil fechou
1.542.371 vagas de trabalho com carteira assinada, pior resultado de todos os tempos. Em
consequência, o desemprego nacional já está flagelando 10 milhões de trabalhadores, o que
a PNAD Contínua confirmará. Isto, embora muitos demitidos, fugindo à miséria, tenham
passado no desespero à condição de trabalhadores por conta própria ou mesmo de
(pequenos) empreendedores, não sendo portanto contabilizados como desocupados.
Sua grande perda de renda e sua posição de instabilidade no mercado de trabalho,
porém, serão calamitosas. UM DESASTRE! SOFRIMENTO PARA GRANDE PARTE DO NOSSO
POVO!
2. Vibrei com o protesto do Sindicato Nacional dos
Aposentados em São Paulo. Um Carnaval
antecipado, com humor negro e tudo. Os idosos desfilaram pacificamente pelas ruas com doentes em macas, incapacitados
em cadeiras de rodas e andadores titubeantes, chamando a atenção do Brasil para
o abandono em que se encontra nossa velhice pobre ou mesmo remediada. Em 78% dos municípios brasileiros não há asilos ou casas de dia.
Apenas 4% dos estabelecimentos existentes são públicos. Considerando que com a
PEC das Domésticas os salários dos cuidadores de idosos ficaram proibitivos – a
não ser para a população rica – e o destino dos velhos dependentes e sem
famílias de apoio será inevitavelmente o asilo, pode-se avaliar a gravidade da
situação. Mas não é só isso: faltam geriatras e não há incentivos para sua
formação e atuação; o pessoal auxiliar é ainda mais escasso; há uma enorme
demanda não satisfeita por serviços de fisioterapia gratuitos e assim por
diante. A lista de necessidades a suprir é enorme e não há nenhuma indicação de
que os gestores governamentais estejam em sintonia com essa realidade, que vai
agravar-se na medida do crescente envelhecimento dos brasileiros. Mostrar que
têm voz e voto é muito importante para os desprezados idosos brasileiros. A passeata dos que estão morrendo nos corredores dos hospitais, por falta de remédios e UTIs há de apavorar seus carrascos incompetentes e corruptos que estão no poder.
3. Nos meus
tempos de criança havia uma realidade indesmentível: as lavanderias sempre
pertenciam a japoneses. Pelo menos na Ipanema dos anos 40 era assim. No
quarteirão da minha casa, entre as ruas Joana Angélica e Montenegro, ficava a
tinturaria do Sr. Nakamura, que todas as noites jogava pôquer com meu pai e
outros comerciantes. Na rua Teixeira de
Melo, no quarteirão da praia, situava-se a tinturaria do patriarca da família
Yoshida – joguei muito futebol na Praça General Osório com seus filhos Rubens e
Sílvio, craques do Clube Tatuís, ao qual também pertencia o depois famoso
Walter Clark, o verdadeiro construtor da moderna TV brasileira. Tenho saudades
desse tempo, uma enorme vontade de revivê-lo e uma grande esperança na tradição
nipônica: a esperança de ver o “japa” da Federal meter o pé na porta do
corrupto maior e – desta vez de verdade - lavar a alma do enojado povo brasileiro!