quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

MORITURI TE SALUTANT (SUETÔNIO)

1.           Infelizmente, concretizou-se  minha previsão sobre desemprego - ver blog  FIM DE(AS) FESTA(S), de 27/12/2015: só em dezembro o país perdeu  596.208 postos de trabalho formais. Historicamente, desde o Governo Lula, dezembro é um mês de demissões em massa. Efeito cumulativo do término das festividades e do continuado aumento irrealista do salário mínimo e dos pisos salariais estaduais, sempre acima da inflação e guiados pela demagogia populista que assola o país, sem a sustentação indispensável do aumento da produtividade dos setores econômicos. Assim, no total,  em 2015, o Brasil fechou 1.542.371 vagas de trabalho com carteira assinada,  pior resultado de todos os tempos. Em consequência, o desemprego nacional já está  flagelando 10 milhões de trabalhadores, o que a PNAD Contínua confirmará. Isto, embora muitos demitidos, fugindo à miséria, tenham passado no desespero à condição de trabalhadores por conta própria ou mesmo de (pequenos) empreendedores, não sendo portanto contabilizados como desocupados. Sua grande perda de renda e sua posição de instabilidade no mercado de trabalho, porém, serão calamitosas. UM DESASTRE! SOFRIMENTO PARA GRANDE PARTE DO NOSSO POVO!
2.         Vibrei com o protesto do Sindicato Nacional dos  Aposentados em São Paulo. Um Carnaval antecipado, com humor negro e tudo. Os idosos desfilaram pacificamente  pelas ruas com doentes em macas, incapacitados em cadeiras de rodas e andadores titubeantes, chamando a atenção do Brasil para o abandono em que se encontra nossa velhice pobre ou mesmo remediada.  Em 78% dos municípios  brasileiros não há asilos ou casas de dia. Apenas 4% dos estabelecimentos existentes são públicos. Considerando que com a PEC das Domésticas os salários dos cuidadores de idosos ficaram proibitivos – a não ser para a população rica – e o destino dos velhos dependentes e sem famílias de apoio será inevitavelmente o asilo, pode-se avaliar a gravidade da situação. Mas não é só isso: faltam geriatras e não há incentivos para sua formação e atuação; o pessoal auxiliar é ainda mais escasso; há uma enorme demanda não satisfeita por serviços de fisioterapia gratuitos e assim por diante. A lista de necessidades a suprir é enorme e não há nenhuma indicação de que os gestores governamentais estejam em sintonia com essa realidade, que vai agravar-se na medida do crescente envelhecimento dos brasileiros. Mostrar que têm voz e voto é muito importante para os desprezados idosos brasileiros. A passeata dos que estão morrendo nos corredores dos hospitais, por falta de remédios e UTIs há de apavorar seus carrascos incompetentes e corruptos que estão no poder.

3.            Nos meus tempos de criança havia uma realidade indesmentível: as lavanderias sempre pertenciam a japoneses. Pelo menos na Ipanema dos anos 40 era assim. No quarteirão da minha casa, entre as ruas Joana Angélica e Montenegro, ficava a tinturaria do Sr. Nakamura, que todas as noites jogava pôquer com meu pai e outros comerciantes.  Na rua Teixeira de Melo, no quarteirão da praia, situava-se a tinturaria do patriarca da família Yoshida – joguei muito futebol na Praça General Osório com seus filhos Rubens e Sílvio, craques do Clube Tatuís, ao qual também pertencia o depois famoso Walter Clark, o verdadeiro construtor da moderna TV brasileira. Tenho saudades desse tempo, uma enorme vontade de revivê-lo e uma grande esperança na tradição nipônica: a esperança de ver o “japa” da Federal meter o pé na porta do corrupto maior e – desta vez de verdade - lavar a alma do enojado povo brasileiro!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

DINHEIRO NÃO COMPRA FELICIDADE!

Dinheiro não compra felicidade. Há quem diga que ajuda. Mas melhor receita de vida - embora não infalível - é ter objetivos, fazer o bem e focar no presente. Isso nos faz aproximar  da ambicionada meta.
Educação de qualidade é como a felicidade. Todos a desejam  e ninguém descobriu a fórmula certa até agora. Muita pesquisa tem sido feita visando descobrir qual a escola ideal. Não se chegou a qualquer conclusão absoluta. Um estudo americano encontrou um ponto que parece comum  nas escolas de qualidade: há nelas uma grande concentração de  alunos que vão brilhar em uma mesma e bem determinada área, que pode ser  na cultura, no esporte, em certa atividade profissional específica.
Meu depoimento pessoal, que obviamente não é representativo: estudei no Colégio Mello e Souza - que tinha alto padrão de qualidade. Até hoje agradeço a inspiração de meus pais, de me terem colocado lá, iniciativa muito importante para meu futuro.  Pois o Mello e Souza, além da excelência acadêmica, tinha a interessante característica de iniciar e formar muitos jogadores de voleibol. Na minha turma mesmo tinha o Ronaldo Coutinho, que jogava no Flamengo, assim como seu irmão mais novo, o saudoso Cláudio Coutinho, também craque da rede no time da Gávea, além de excelente técnico de futebol de prestígio internacional.  Vários integrantes das seleções brasileiras de voleibol foram alunos do Mello e Souza: Johnny O`Shea, Vitor Barcellos, Feitosa, Nuzman (atual Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro), João Cláudio e eu  mesmo. Outra área de destaque dos alunos do nosso colégio era a música, com Luizinho Eça e Menescal, que animavam um fabuloso baile aos sábados, em que o baterista Francisco Horta – posteriormente Meritíssimo Juiz e Presidente do Fluminense – fazia uma barulhada bem agradável.    A bossa  nova passou pelo Mello e Souza.                          
Na busca da educação de qualidade muitos se enganam, pensando que apenas mais verba resolve. Mas dinheiro também não compra educação de qualidade. O que ocorreu no Brasil no passado recente prova isso. Os países da OECD gastam, na média, 5,3% do PIB,  oferecem  educação de qualidade e todos sempre superaram nosso país no teste PISA. O Brasil já está destinando 5,6% do PIB (2012) para a educação e a performance continua deplorável. Desperdício  - o que tem ocorrido maciçamente em nossa educação nos últimos anos – é uma das causas desse desastre e  chega a ser criminoso em um país com tantas necessidades não supridas.  Quando vi um especialista em educação afirmar na TV que o Governo Federal, no Ministério de Fernando Haddad, gastava anualmente 450 milhões de dólares no programa Brasil Alfabetizado e não chegava a alfabetizar  1 milhão de pessoas com essa fortuna, fiquei perplexo. Ao conhecer as estatísticas, entendi tudo: em 2000, o Brasil gastava 3,1% do PIB em educação; pulou para 4,0%, 4,8% e 5,2% respectivamente em 2005, 2008 e 2010, chegando a 5,6% em 2012. O dinheiro estava sobrando, jorrando e cimentando carreiras políticas. Ao longo desse período, a qualidade da nossa educação não teve qualquer melhora. Muito pelo contrário.
Uma boa receita para a educação de qualidade é ter gestores sérios, qualificados e altamente motivados. Capazes de liderar e motivar seus auxiliares para as árduas tarefas da educação. Não tem sido o caso do Brasil.
Quando dizem que pretendemos gastar 10% do PIB em educação, sinto muita tristeza: presenciar um discurso tão medíocre, repetido por tanta gente e com o aval dos detentores do poder em nosso país é desastroso.  Essa gente acredita em números mágicos, aqueles que iludem o povo tanto como os clássicos “R$ 9,99 marqueteiros” dos produtos à venda  nos supermercados e nas lojas de departamentos (antes da inflação eram apenas R$ 1,99!).
Políticos populistas fixam esses números-balela como obrigatórios e depois votam em peso a favor da DRU (desvinculação das receitas da União), para corrigir o pecado original da vinculação, obtendo  um salvo-conduto para burlar os dispositivos legais – ou até constitucionais – que eles mesmos estabeleceram. São os  “percentuais da embromação”.
Um ou dois dias depois de eu ter postado blog a favor dos deserdados do FIES, a OECD publicou seu sempre magnífico relatório sobre a educação (Education  at a Glance  2015) e mostrou que os países com os melhores resultados em educação gastam percentuais do PIB inferiores ao praticado no Brasil. Não falta verba, faltam-nos boas práticas de gestão. E sobram os inevitáveis demagogos populistas de esquerda.
O mesmo acontece na saúde pública. Lembro-me do quase desespero de Roberto Campos em 1988, quando Ulysses Guimarães e sua trupe construíam o que chamaram de “Constituição Cidadã”. Ulysses assegurava: “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. Campos perguntava de onde sairiam tantos recursos para universalizar a saúde pública e Ulysses não titubeava: “isso, resolveremos depois...”

Todos os dias, nas rádios, TVs e ao vivo presenciamos as barbaridades que são cometidas contra o povão que procura atendimento nas unidades públicas de saúde e morre nos corredores e calçadas dos hospitais. Ou até é jogado para fora das ambulâncias – essa prática era inédita até agora e me inspirou para escrever este texto. Coisas do SUS.  Lembro que LULA  gabou-se, em cadeia nacional, que o SUS é motivo de inveja no primeiro mundo. Disse isso mas se tratou sempre – e de graça - no Sírio e Libanês. 

domingo, 27 de dezembro de 2015

FIM DE(AS) FESTA(S)

O clima é dos piores. As notícias ruins, para o Brasil e seu povo, não param de chegar: inflação perto de 11%, PIB com retração de quase 4%, dólar nas alturas, déficit recorde nas contas públicas, reservas e nota da dívida em queda, lama no rio Doce, dengue, chikungunia e zica em todo país, microcefalia idem e Lava-Jato, Zelotes e Acrônimo, muita corrupção - “como nunca antes, na história deste país”. Faltam tornozeleiras!
Mas em janeiro talvez tenhamos a divulgação de uma nova estatística, demolidora: desemprego de 10%, 10 milhões de desocupados. Neste dezembro, nossa economia vai perder de 600 a 700 mil  empregos com carteira assinada. Assim, considerado todo 2015, o Brasil terá destruído de  1,6 milhão a 1,7 milhão de postos formais de trabalho, já que até o fim de novembro fechamos 945.363 vagas, de acordo com informações do Ministério do Trabalho (CAGED). Em novembro, foram cortados 130.629 postos  e o número de trabalhadores com carteira assinada atingiu 40,26 milhões; há um ano, este número estava em 41,78 milhões de pessoas - perda recorde. Nem FHC conseguiu desempregar tanta gente.
Excetuando a BALANÇA COMERCIAL, com saldo positivo de US$ 15 bilhões, graças ao resistente agronegócio (sempre acossado pelo MST, o exército do Lula), nada funcionou em 2015. Os serviços públicos são exemplares: a saúde é uma espécie de câmara de torturas; a educação básica é o cadafalso dos talentos nascidos nos lares pobres; a segurança é uma roleta russa com 5 balas. Os servidores públicos estaduais e municipais estão deixando de receber seus salários. Fornecedores, falindo.
Não tem outro jeito Dona Dilma: primeiro faça as pazes com o PMDB e adote as políticas do documento “Ponte para o Futuro”; depois, coloque um computador com tela bem grande, em que caiba o Delfim Neto, na casa do próprio, já com SKYPE instalado e em linha direta e permanente com um PC no gabinete do seu Ministro do Planejamento, para que este esclareça suas muitas dúvidas, sempre que deseje. E mande que seu auxiliar obedeça cegamente às ordens. Delfim é espaçoso, talvez um pouco incômodo, mas é o único amigo competente do Lula e  tem a malandragem necessária para nos tirar desse buraco. Mesmo que isso custe uma gorda consultoria, tipo salário de Ministro do STF. Mas nesse caso até que vale a pena!

É A HORA DE PEDIR SOCORRO AOS TECNOCRATAS QUE AINDA ESTÃO VIVOS! ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS!

sábado, 12 de dezembro de 2015

NO TEMPO DOS TECNOCRATAS

Há muitos anos que a palavra “TECNOCRATA” não circula nas rádios e televisões, nos jornais e revistas de nosso país. Talvez alguns leitores mais jovens nem saibam do que se trata...
Pois era assim que a mídia se referia aos técnicos que ocupavam cargos importantes  e tinham poder decisório, o que era muito comum no tempo dos governos militares. É claro que muitos postos de relevo eram ocupados por políticos ou por técnicos que eles indicavam e sobre os quais os referidos ”padrinhos” exerciam grande influência. Mas havia certo equilíbrio com as indicações feitas em função do saber requerido para o exercício profissional específico.
Eu era um daqueles seres, ora extintos... Tecnocrata!
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Um dia qualquer de janeiro de 1965, Mario Henrique Simonsen, que era sócio da empresa (CONSULTEC) em que eu começara como estagiário e já então trabalhava como engenheiro-economista,  perguntou-me se eu gostaria de ir para o Ministério do Planejamento, onde o Ministro Roberto Campos estava criando o EPEA (hoje IPEA).  Eu seria encarregado de organizar o Setor de Desenvolvimento Social  da instituição que surgiria com o objetivo de elaborar um Plano Decenal para o Brasil.  Eu tinha 27 anos - era uma oportunidade ímpar.
Perguntei como surgira o convite e Simonsen me explicou: Roberto Campos havia lido um artigo da revista APEC (Análise e Perspectiva Econômica) que apontava a necessidade de o Brasil ter um programa de Educação nos moldes do Plano Regional Mediterrâneo da OECD, baseado nas demandas de mão de obra dos países a que se aplicava. Como o artigo  não era assinado, Campos perguntou a Victor Silva (que dirigira a APEC e era Diretor do Brasil no BID) quem fora seu autor.  Eu tinha escrito a matéria.  Daí o convite, usando meu “amigão” Simonsen, o que o tornava irresistível.
Roberto Campos também  era sócio da CONSULTEC  quando fui estagiar lá, no início de 1960. Sabia que eu tinha elaborado três projetos educacionais para o Estado da Guanabara no Governo Carlos Lacerda: os Memoriais de Pedido de Financiamento para Ampliação das Escolas Primárias e para a Construção de Ginásios Industriais assim como para a Implantação da Escola de Desenho Industrial – ESDI. Realizações que me credenciaram a ser convidado, posteriormente, a realizar um estudo encomendado pela Universidade de Harvard à CONSULTEC, através do seu Professor Lincoln Gordon, que era coincidentemente o Embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A monografia em foco, intitulada “EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NO BRASIL”,  muito elogiada por Lincoln Gordon, foi publicada pela Livraria COSMOS-CONSULTEC,  em outubro de 1963, constando de  2 volumes, com 468 folhas. Um detalhe importante: minha monografia substituía um trabalho que deveria ser feito pelo Prof. Roberto Campos, impossibilitado de elaborá-lo por força de ter assumido o posto de Embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
Aceitei o convite trazido por Simonsen e assim iniciei uma fase de minha vida profissional dedicada à educação que durou 16 anos. Logo de início, no IPEA, coordenei a elaboração do Diagnóstico da Educação Brasileira e depois do Plano Decenal de Educação e Mão de Obra do Governo Castello Branco, ainda na gestão do Ministro Roberto Campos. Trabalhava de 12 a 14 horas por dia, exceção feita aos tempos de lazer para jogar voleibol pelo time principal do Fluminense ou com meus amigos na praia de Ipanema, nos fins de semana.
Assim eram escolhidos aqueles que a partir de  um  certo momento dos Governos militares  a mídia passou a denominar de tecnocratas, sempre com uma conotação pejorativa, associando-os a  um posicionamento rígido, pouco político, como se ignorassem as dimensões humanas dos problemas, privilegiando aspectos meramente técnicos. A mídia aproveitava-se do fato de que eram esses técnicos que assumiam os ônus das medidas necessárias ao desenvolvimento brasileiro mas que eram impopulares. Como é o caso, atualmente, do ajuste fiscal, do corte de programas sociais...
O “tecnocrata maior” – segundo a imprensa oposicionista – era Roberto Campos , que certa vez, irritado, definiu o termo afirmando  - com muita razão - que “tecnocrata é um técnico do qual não gostamos”.
Esta semana, matéria do “VALOR ECONÔMICO” revelou-nos que desde 2013 os técnicos do Tesouro Nacional alertavam seus superiores sobre as “pedaladas fiscais” do Governo Dilma e o perigo de que essas práticas irresponsáveis causassem o rebaixamento da nota do Brasil nas agências internacionais. Um dos superiores desses abnegados, em reunião sobre o assunto, disse-lhes que o poder de decidir pertencia a quem tinha voto e que nenhum dos presentes  tinha  sido eleito. Os técnicos não têm força nem prestígio nos governos populistas, despreparados e levianos.

Vocês sabem como são escolhidos atualmente os gestores da administração pública no Brasil? São todos indicados pelos políticos, que têm o monopólio das decisões no país, o poder quase absoluto. Será que está dando certo? O caos que tomou conta de nosso país não sugere mudança radical?  Não deveria haver certo equilíbrio entre as duas opções - a técnica e a política? A alternativa técnica não caberia em certos postos críticos, que envolvem grande responsabilidade financeira ou questões de segurança, afetando milhares e até milhões de pessoas?

Hoje já não se fala (mal) dos tecnocratas, “faute de combattants”! Mas é certo que muitos de seus substitutos, indicados pelos políticos e obedientes, fornecem vasta e atraente matéria para os espaços e tempos da mídia tupiniquim com forte tropismo para o escândalo.

domingo, 29 de novembro de 2015

PARIS VAUT BIEN UNE MESSE!

Henrique de Navarra nem pestanejou... Para conquistar o trono francês (como Henrique IV), converteu-se ao catolicismo e justificou-se aos antigos correligionários huguenotes - que protestavam – berrando-lhes “à perdre d`haleine”:  “PARIS VAUT BIEN UNE MESSE!"
E tinha razão: Paris sempre valeu – e continua valendo - não uma, mas um rosário de missas. Até um ateu irreconciliável renuncia à sua teimosa posição de ceticismo e passa a crer na beleza, na harmonia e na comunhão dos humanos, ao contemplar a Notre Dame, na Île de la Cité, ou a Saint Germain des Près ou ainda a Saint Sulpice, no bairro da estudantada. Efeito, talvez, do “azul Paris”, a cor dos céus só alcançáveis pelos gênios da pintura que ornamentam o Louvre.
O Terror voltou à “Cité Lumière”, embora sem Danton, Marat  e Robespierre. Os consulados americanos logo aconselharam a desistir das férias em Paris nos próximos meses, por temer que a cidade viva um clima de mess – bagunça, na sua língua – em virtude de atentados recorrentes.
Não têm razão e vão perder “um séjour inoubliable”. Paris vale até uma eventual MESS!
Marisa, bisneta de uma bela francesa, me disse o mesmo ao almoço – ninguém resiste aos encantos de uma original moqueca de camarão bem brasileira!  Paris vale, sim, até uma improvável “mess”...   
Ficaremos em Montmartre, aos pés da Sacré Coeur, que resistiu às bombas nazistas e ainda protegidos pelas intermináveis filas daquele funicular - que nem os terroristas aguentam. Bem perto da Place du Tertre  e daquele restaurante que parece uma loja de flores mas serve um “boeuf  à bourguignone fantastique”! Pudicamente bem acima da pecaminosa Pigalle, com seu Moulin Rouge, que já triturou muitas reputações ilibadas.
Se der tempo, andaremos um pouco mais e revisitaremos os vitrais de Chartres – que filtraram e multicoloriram os raios do sol que brilhava no dia da sagração de Henrique IV, o rei-carola (pois assim são os políticos, camaleões desde sempre).
Só não iremos à Basílica de Saint-Denis, onde o futuro rei católico abjurou o protestantismo  diante do arcebispo de Bourges. Nada de provocar algum “jihadista” recalcitrante, remanescente da limpeza policial.

Amemos  Paris e não a abandonemos  às ameaças dos terroristas. Afinal, se você é brasileiro, adulto e ainda está vivo, seu “know how” é inestimável! Lidamos com essa gente cotidianamente e em todos os níveis. No poder, já os transformamos em piada e em breve vamos tirá-los de lá. Quanto aos outros, com efeitos letais, sabemos que só acabarão quanto efetivamente  - nesta terra abençoada - tivermos  GOVERNO!

domingo, 22 de novembro de 2015

EDUCAÇÃO CURA POBREZA E MISÉRIA!

Educação de qualidade é um remédio definitivo - sem contraindicações - para a cura da pobreza e da miséria. Talvez não seja o único, mas é o caminho mais seguro e de menor custo, com a vantagem de gerar inúmeros subprodutos valiosos – a curto e a longo prazo - para a construção do bem comum. Pena que nem todos os governos abracem com sinceridade e competência essa verdade, amplamente comprovada pela história das nações.
Filho de imigrantes que compreendiam o valor primordial da educação, posso bem avaliar o significado socioeconômico e o peso emocional extremamente positivo do primeiro diploma universitário conquistado por  famílias que lutam por uma vida melhor  e a cujos ascendentes faltaram   oportunidades de realização intelectual no passado. Cabe o lugar comum: O PRIMEIRO DIPLOMA UNIVERSITÁRIO A FAMÍLIA NÃO ESQUECE! 
É, portanto, fácil imaginar a desesperança de centenas de milhares de jovens de baixa renda que acreditaram no FIES e que o perderam por força da falência das finanças públicas. Infelicitados multiplamente pois tiveram que interromper  os estudos antes de concluir seus cursos, contraíram uma dívida acima de suas posses  e frustraram seus sonhos de uma carreira profissional sólida.
Durante sete anos (1965-1971) coordenei os setores do IPEA encarregados do planejamento de educação e mão de obra do Governo Federal. Sei, por dever de ofício, que o programa deveria e poderia ter sido conduzido com maior cuidado, para não exceder  sua capacidade financeira  nem ferir as leis do mercado de trabalho. Em vez disso, em especial a partir de 2010, o FIES foi modificado deliberadamente e agigantou-se, assumindo características  que previsivelmente  iriam inviabilizá-lo mais cedo ou mais tarde.
A expansão do ensino superior, que forma os trabalhadores mais qualificados do país e tem custos muito elevados, deve ser feita essencialmente atendendo às necessidades previstas do mercado de trabalho, pela ampliação dos estabelecimentos educacionais de melhor qualidade. Não foi o que ocorreu: o governo populista cooptou faculdades e universidades de qualidade heterogênea, com seu dinheiro fácil, para a aventura do crescimento irresponsável e seduziu os estudantes, justificadamente ansiosos pela conquista do ambicionado diploma de ensino superior.
Um dia, aparentemente surpreso, o Ministro da Educação declarou para a mídia que “o dinheiro do FIES acabou!”.  Desvendada a verdade, centenas de milhares de estudantes universitários  foram defenestrados do programa e frustraram seus sonhos profissionais.
Para piorar o quadro, de acordo com o CAGED, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o mercado formal celetista, com a queda de 169.131 postos de trabalho em outubro de 2015, acumulou no ano uma redução de 818.918 postos de trabalho com carteira assinada. Nos últimos doze meses, foram perdidos  1.381.992 empregos. Muitos desses demitidos estavam no FIES,  dependiam de seus salários para sobreviverem  e do financiamento – ora descontinuado - para estudarem.  Com o colapso do programa, sofrerão perda irreparável.  
Para muitos deles a conquista do ambicionado diploma era o ideal que daria um sentido às suas vidas. 
O GOVERNO  FEDERAL TEM A OBRIGAÇÃO MORAL DE AMENIZAR ESSA TREMENDA FRUSTRAÇÃO DE NOSSA JUVENTUDE!!!
 Algumas sugestões podem ajudar, sempre levando em consideração que há diferentes situações  a contemplar. Os  estudantes abandonaram seus cursos em estágios diversos, em função da data de entrada no ensino superior. O importante é que não se perca os investimentos  feitos pelos alunos e também se tire proveito da expansão de vagas que os estabelecimentos realizaram para atender à continuidade do programa que, afinal, murchou.
Nesse sentido, cumpre  lembrar que compete à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) do MEC, conforme o Art. 13 do Decreto nº 7.690, de 2 de março de 2012, dentre outros objetivos, o de “desenvolver novos modelos de gestão e de parceria público-privada, na perspectiva da unificação, otimização e expansão da Educação Profissional e Tecnológica”. No âmbito dessa competência, o MEC pode e deve articular, com os estabelecimentos que perderam bolsistas do FIES, uma ação emergencial para aproveitar os estudos já feitos por esses alunos – seus créditos acadêmicos – em cursos tecnológicos com características acadêmicas similares aos abandonados. Por serem de curta duração, tais cursos possibilitariam aos estudantes uma alternativa de formação superior de custo mais baixo, além da possibilidade de ingresso mais rápido no mercado de trabalho em condições favoráveis de empregabilidade e mesmo de salário, apesar de todas as dificuldades geradas pela crise econômica.
Outra solução pode ser a continuidade dos estudos dos alunos alijados do FIES em cursos de educação a distância  (EAD), que apresentam baixo custo e que o próprio MEC pode providenciar e prover até gratuitamente.
Paralelamente, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)  deveria engajar o Sistema Nacional de Emprego (SINE) nesse esforço, atendendo náufragos do FIES com prioridade em suas agências para dar-lhes orientação vocacional, além de facilitar seu encaminhamento e colocação nas empresas que oferecem vagas. Essa coordenação entre os sistemas MEC e MTE, desejável sob todos os aspectos, seria um fator de aperfeiçoamento do claudicante conceito de educação continuada que nossas autoridades ainda não conseguiram consolidar.

Não há maior injustiça social do que aquela causada pelas falsas promessas de redução das desigualdades. O Governo tem que resgatar essa dívida moral e dispõe dos meios para fazê-lo. Basta vontade política!

VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...