quinta-feira, 14 de abril de 2016

DE VERDE E AMARELO EU VOU! NÓS, BRASILEIROS, VAMOS!

Roberto Campos estava muito doente à época em  que tramitava o pedido de impeachment do Presidente Fernando Collor. Mas no dia da grande votação, o deputado cumpriu seu dever: com enorme sacrifício físico, em cadeira de rodas, adentrou o plenário e sob aplausos retumbantes pronunciou seu  voto  - pelo Brasil  -  a favor do impedimento.  Roberto Campos  criava assim um “imperativo categórico” para os congressistas que honram seus mandatos: ir em qualquer circunstância sempre que o Brasil precisar.
Não há desculpa para quem faltar à votação do impeachment. Os ausentes estarão perfeitamente identificados em  um de dois grupos: (1) ou são a favor dos governos do  PT, de Lula e Dilma – enfim, disso tudo que aí está  - ou (2) foram cooptados pelo “chefão” no hotel da tulipa dourada. Esta semana mesmo,  Roberto Jefferson, em entrevista memorável à TV, contou que Lula não busca  aliados: quer “prostitutos”, aos quais compra para que obedeçam cegamente.
Em qualquer dos dois casos, esses políticos  ausentes devem ser olhados pelos eleitores como traidores dos interesses do Brasil e de seu povo, como cúmplices do desgoverno que acoberta a corrupção, malbarata nossos impostos, fomenta a inflação, amplia o desemprego e agora corta programas sociais, minados pela disseminação da fraude, usada amplamente como instrumento eleitoral.
Afortunadamente, Roberto Campos sobreviveu àquela doença e ainda nos brindou com alguns anos de agradável convívio. Comentou comigo, certa vez, que aquele dia no Congresso foi singular em sua vida pública: ao ser aplaudido, sentiu-se um político amado, popular. Uma ocasião rara, pois enquanto Ministro do Planejamento -  de meados de 1964 a março de 1967 – foi permanentemente criticado na imprensa, pelas medidas de sacrifício que o governo Castello Branco teve que adotar para remediar o caos estabelecido durante a presidência ruinosa de Jango Goulart.
A situação política e econômica do Brasil antes de 31 de março de 1964 era muito parecida com a que vivemos hoje: imperavam a baderna, a falta de segurança, o desemprego dos trabalhadores,  o fechamento das empresas, havia agitação nas ruas e invasões de terras particulares no campo - todo esse conjunto negativo dentro de uma orquestração de assalto ao poder pelos comunistas,  que pregavam a sublevação e os motins nas forças armadas e eram apoiados em sindicatos-pelegos que marchavam desafiadoramente com suas bandeiras vermelhas.  Mas o brilhante Governo Castello Branco, do qual Roberto Campos foi uma espécie de Primeiro-Ministro, colocou o país no caminho certo e o Brasil em pouco tempo tornou-se a sexta economia do mundo.
Um dia, em uma reunião, eu me queixava  da crescente “esquerdização”  que acometia a sociedade brasileira, incentivada pelo governo, orquestrada pelo professorado e os meios acadêmicos e propagandeada  pela mídia e a classe artística, lançando mão de sofismas,   mentiras  e reescrevendo a história. Fui interrompido pelo sábio Roberto Campos.  Ele me disse que não tinha jeito:  nos 20 anos seguintes o Brasil seria governado pelos esquerdistas,que iludiriam o povo, com suas promessas irresistíveis, até que um deles faria tantas asneiras que arruinaria a economia e sofreria um naufrágio político definitivo, de graves consequências. Profético, só errou ao nomear o responsável pelos desmandos, que acabou sendo uma dupla sinistra: Lula-Dilma. Com o PT, encerrar-se-á esse ciclo trágico da vida nacional.
Minha mãe, portuguesa, costumava recitar-me o provérbio de sua terra: “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. E assim tem sido. Neste momento  vivemos a expectativa de um futuro governo equilibrado, no qual se possa ter confiança e sobretudo esperança.

Dia 17 de abril, eu também vou, de verde e amarelo! Vamos todos, para comemorar a democracia!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O CULTO AO DESEMPREGO OCULTO

Eu preparava um blog sobre a mistificação feita em relação às estatísticas de desocupação no Brasil. De repente,  uma  reportagem de TV mostrou-me o desespero das famílias infelicitadas pela perda do emprego por seus membros. As consequências  terríveis  foram realçadas: acúmulo de contas a pagar, inadimplência, queda abrupta no padrão de vida, perda do plano de saúde, incapacidade de manter os filhos nas escolas de sua escolha e uma constelação de outros problemas. Muito mais eloquentes do que tudo que eu possa vir a escrever, aqueles dramas humanos compõem um quadro extremamente penoso, em um país que bem poderia estar em situação mais confortável. De qualquer forma, não posso omitir-me no tocante à desinformação que corre à solta pelo Brasil. Concentrado na luta pela manutenção do poder - que lhe escorre pelas mãos politicamente inábeis e maculadas pelos inúmeros escândalos que brotam em múltiplos setores da vida nacional – o Governo embaralha toda informação que lhe é desfavorável. É o caso do mercado de trabalho.
Na última campanha presidencial, o marketing de Dilma bateu fortemente no Governo FHC, até então recordista absoluto do desemprego no Brasil pós-guerra.Seu adversário tucano não teve competência para desvincular-se dessa herança partidária maldita. O problema, porém,  é que neste momento a República Sindicalista do PT já ultrapassou amplamente seus ex-governantes rivais na destruição de empregos e as perspectivas são sombrias, antevendo-se  grande sofrimento futuro para a classe trabalhadora brasileira, pelo menos enquanto faltar-nos  uma política de emprego eficaz.
A solução marota consiste em não informar com clareza a opinião pública, em relação às estatísticas de desemprego no Brasil. A mídia, a qual não dispõe de especialistas em mercado de trabalho – que  aliás faltam até nos quadros governamentais – está submetida  a um excesso de dados parecidos, de fontes diversas, nem sempre claramente explicados em seus detalhes. Daí, acabam gerando para seu público  uma tremenda  confusão em torno do assunto.
 O IBGE mascara a realidade e confunde-nos quando insiste na divulgação da inútil PME (Pesquisa Mensal de Emprego) - que cobre apenas 6 (seis) regiões metropolitanas do país e que há anos deixou de ser relevante. Ao dar publicidade aos resultados da PME de fevereiro de 2016, que mostram um desemprego de apenas 8,2%, muito abaixo da desocupação no país como um todo, o IBGE agrada seus patrões e não explica claramente à mídia o verdadeiro significado e as limitações desses dados.
A confusão do público leigo foi agravada ainda mais pelo fato de a PME  ter sido divulgada na mesma semana que a  PNAD Contínua relativa ao trimestre de novembro de 2015 a janeiro de 2016, a qual registrou a taxa média de 9,6% de desemprego para o Brasil como um todo, portanto mais representativa e bem superior à encontrada na PME .  Mas a confusão entre as duas estatísticas persistiu.
Os analistas qualificados sabem que neste mês de abril, pelo ritmo crescente recentemente observado, a desocupação já ultrapassou 10% largamente e  já existem quase 11 milhões de desempregados no país. Mas isso não é lembrado.
Para aumentar ainda mais a confusão patrocinada pelo aparelhado IBGE,  o Ministério do Trabalho soltou na mesma semana os preocupantes dados do CAGED (Cadastro Geral  de Empregados e Desempregados),  de abrangência nacional, registrando  a perda de 104.582 postos de trabalho formal  em fevereiro de 2016, que se somam aos 99.694 destruídos em janeiro e aos 596 mil desaparecidos em dezembro de 2015. Um trimestre com 800 mil empregos que foram para o ralo pela falta de confiança dos investidores e empresários em geral. Diagnóstico que o Governo finge não ter feito.
Há muita coisa oculta no mundo do trabalho em crise de nosso país. Será que falta pesquisa ou apenas falta vontade de divulgá-las?

No início de 2015 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o contingente de trabalhadores domésticos voltara a aumentar, tentando ocultar a triste realidade:  a PEC das Domésticas destruiu o vigor do mercado de trabalho doméstico no Brasil, além de infernizar a vida principalmente das famílias que têm crianças e idosos necessitados de cuidados específicos. Segundo o IBGE,  “ao todo, 6,019 milhões de pessoas estavam nesta condição de ocupação no primeiro trimestre de 2015, contra 5,929 milhões em igual período do ano anterior, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua”.  O que o IBGE não disse então  é que na realidade ocorreu a substituição maciça de empregadas domésticas de tempo de integral por duas ou até três diaristas, que não estão sujeitas aos rigores e exageros da nova legislação, nitidamente populista, aparentemente visando agradar ao imenso universo desse tipo de trabalhadores. Segundo estudo com dados de 2010, feito em 117 países pela  Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil tinha 7,2 milhões de empregados domésticos, sendo 6,7 milhões de mulheres e 504 mil homens. Aparecia então como o país com a maior população de trabalhadores domésticos do mundo em números absolutos.  Hoje há pouca demanda de domésticos, a informalidade é superior a 60% e as famílias mandam suas crianças para as creches privadas –  o Governo prometeu 6 milhões de creches e não cumpriu – e os idosos vão morrer nos asilos também particulares. A PEC das Domésticas, uma legislação que já nasceu falida, configura uma política pública equivocada. Mas como muitas outras coisas - no Brasil da República Sindicalista – permanecerá intocada, infelicitando nosso povo, até que uma radical mudança  política ponha o país de novo no caminho do desenvolvimento sustentável.

domingo, 20 de março de 2016

ESTACIONANDO NA VAGA DO DESEMPREGO

A situação do mercado de trabalho brasileiro é crítica e tende a agravar-se ao longo de 2016, enquanto persistirem as crises de fundo político, a falta de confiança e a concomitante deterioração da  economia do país. No Brasil como um todo há mais de 10 milhões de desempregados; em 2015, cresceu em 1 milhão o número de novos  informais desesperados, com rendas muito baixas, provenientes de uma perda de empregos formais que superou 1,5 milhão nos últimos 12 meses.
A PNAD Contínua do último trimestre de 2015, catastrófica - mas que ainda vai piorar - trouxe porém  uma boa notícia para o caso específico da Cidade do Rio de Janeiro, em que foi registrada a  taxa de desocupação de  5,2% - a menor dentre todas as Capitais do país. É claro que essa posição privilegiada do Município se deve às suas concorridas festividades de fim de ano e às obras e demais preparativos  para as Olimpíadas e Paraolimpíadas que se realizarão em agosto e setembro de 2016.  Em fins de dezembro e em janeiro houve muitas demissões e a taxa já aumentou um pouco. Mas a grande inquietação dos cariocas está no futuro e se refere ao período posterior  à realização daqueles eventos esportivos  e da extensão de seus efeitos - que ainda perdurarão por algum tempo. A principal pergunta talvez seja:  a cidade tornar-se-á um polo turístico de dimensão mundial após essa fabulosa janela de oportunidades que as competições esportivas lhe propiciaram?
Creio que as Olimpíadas serão um sucesso, que o Rio de Janeiro vai brilhar e que serão criadas condições para a continuidade do fluxo turístico. Ainda mais que com o real desvalorizado  o Brasil tornou-se barato para os turistas em geral. De todo modo, há muitos fatores condicionantes em jogo e essas expectativas podem malograr. Para evitar um colapso econômico como o que assola o Estado do Rio de Janeiro, a cuja gestão faltou planejamento, toda cautela é desejável.
Preocupa o fato de parecer que a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, pelo menos aparentemente, não faz essa mesma leitura. Caso a administração municipal consultasse o CAGED, levantamento do Ministério do Trabalho,  verificaria que o Município perdeu 82.705 empregos de carteira assinada ao longo do ano de 2015 e que em janeiro de 2016 aí desapareceram mais 14.505 postos de trabalho, mantendo a tendência de colapso da oferta no mercado laboral. Em 13 meses, o Rio  perdeu  97.210 empregos formais. Somados os resultados de  2013 e 2014, o Município havia criado 70.751 postos de trabalho com carteira assinada e assim já regrediu para o nível de emprego de 2012, embora a população continue crescendo e principalmente os jovens amargando uma enorme taxa de desocupação.
Em momentos como o atual, um bom gestor público deve refletir profundamente sobre suas escolhas de investimento, evitando medidas que reduzam a oferta de trabalho. Ao contrário, suas opções devem ser sempre a favor da criação de empregos. Infelizmente, a Prefeitura do Rio de Janeiro está lançando um edital para instalar parquímetros na cidade, ameaçando com a desocupação 5 (cinco) mil trabalhadores que operam os estacionamentos da CET-Rio. Nestas alturas, privar mais cinco mil famílias de suas modestas rendas será um desastre social de grande impacto.
Esse negócio deve ser bem acompanhado pela opinião pública pois envolve muitos aspectos discutíveis.

Como bom e velho carioca, vou fazer uma previsão sombria, a qual poderá ser checada se o projeto resultar. Como parquímetro não toma conta de carro, só engole o dinheiro, nós, motoristas, vamos pagar duas vezes pelo estacionamento: uma vez para a companhia que vai explorar os equipamentos e a outra para o tradicional “flanelinha” que surgirá do nada e vai sussurrar em nosso ouvido que naquele local “estão arranhando tudo que é carro, doutor...”

terça-feira, 8 de março de 2016

POPULISMO: O FLAGELO DO POVO BRASILEIRO

O desastre da economia brasileira (PIB negativo de 3,8% em 2015) se explica pela supremacia da República Sindicalista que assumiu o poder em nosso país desde 2003. Praticando o populismo mais desenfreado, os petistas corromperam e mentiram desde a primeira hora, conduzindo o país para o abismo e infelicitando principalmente os mais pobres. Exatamente aqueles que os populistas diziam querer beneficiar e que apenas enganavam, em busca de seus votos. O processo de alienação, conduzido pelo populismo, está perfeitamente descrito no vídeo, com simplicidade e clareza, por Gloria Alvarez, representante da Guatemala no Parlamento Iberoamericano, reunido em Zaragoza



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O BIQUINI DO IBGE DO E... NO EMPREGO

Roberto Campos – com quem tive o prazer de trabalhar e conviver por muitos anos - costumava lembrar com fina ironia que “a estatística é como o biquíni: o que mostra é sugestivo  mas o que esconde é essencial”. Economista formado nos Estados Unidos, Campos recordava a feliz imagem criada pelo professor Aaron  Levenstein: "Statistics are like a bikini. What they reveal is suggestive, but what they conceal is vital.”
Acredito na Estatística e a formação acadêmica de engenheiro me permite dominar alguns conceitos (probabilidade, teoria dos erros, grau de fidedignidade  etc) que relativizam adequadamente sua valia. De todo modo,  considero-a muito importante para o processo de tomada de decisões, uma ferramenta valiosa de gestão democrática e um instrumento inigualável para a formação de uma opinião pública consciente.
Creio que a má fama da Estatística como elemento de embuste e embromação – especialmente na atividade política - se deve quase exclusivamente a maus profissionais que se aproveitam  do fato de a população ser constituída de leigos, não iniciados em números, para distorcer a realidade e iludir eleitores.
Hoje, constatei satisfeito que boa parte da mídia divulgou com precisão os resultados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de janeiro de 2016, ressaltando que  a taxa de desocupação nela estimada, de 7,6%, se refere apenas a 6 (seis) Regiões Metropolitanas e não ao Brasil como um todo, onde o desemprego já deve estar na casa dos 10%.  A PME cobre um universo de apenas  25 milhões de trabalhadores  e o país como um todo tem uma força de trabalho superior a 102 milhões.
Infelizmente, essa transparência geralmente não prevaleceu no passado e a divulgação da taxa de desemprego da PME era apresentada na mídia como a TAXA DE DESOCUPAÇÃO DO BRASIL, desinformando a opinião pública e minimizando um dos grandes problemas que já flagelam nosso povo, especialmente o mais humilde, desde 2014.
O IBGE- que deveria ser um órgão técnico e não político -  tem grande culpa nessa confusão, até pelo fato de insistir em  realizar uma pesquisa – a PME - que já caducou há muito, desde quando se deu uma relevante desconcentração da produção, com interiorização da indústria e dos serviços, antes limitados aos grandes centros urbanos e suas cercanias. Meio sutil do IBGE do E para confundir os leigos e mascarar as altas taxas de desocupação. A PNAD Contínua foi  implementada pelo órgão com um atraso de muitos anos. Os governos das duas últimas décadas, igualmente culpados, continuaram subsidiando – com o dinheiro dos contribuintes, como eu  e você – algumas pesquisas de emprego totalmente inúteis, que usavam conceitos errados, com fins políticos, financiando as chamadas “ONGs  amigas” e mantendo apenas os empregos de seus fiéis servidores. Assunto que abordei em blogue tempos atrás.
Como o desemprego está  crescendo fortemente e levando ao desespero muitas famílias brasileiras, é preciso redobrar a atenção da opinião pública em relação às respectivas informações.
Neste momento, por exemplo, os analistas aguardam ansiosos os dados do CAGED do Ministério do Trabalho para janeiro de 2016, que normalmente seriam divulgados em meados do mês e até agora não vieram a público. Infelizmente, analisando o retrospecto de incompetência e politicagem reinantes,  os resultados, sendo ruins, só sairão na sexta feira (26/02/2016) à tarde, pois os marqueteiros governamentais sabem que há poucos noticiários e comentários no sábado e domingo, minimizando a repercussão negativa. Truque para lograr os amadores no ramo.
Mas finalizo abalando a crença na Estatística, lembrando que meu amigo Mario Henrique Simonsen viveu uma fase (eu também sofri a minha) em que tinha pavor de viajar de avião. Ia, cumpria seus compromissos, mas sofria. Um dia, tentando  sua conversão a “amigo do ar”, lembrei a Simonsen que ele era um excepcional matemático e que a Estatística ensinava que a probabilidade de acidente com um voo já era baixíssima naquela época, de 1:36.000. De imediato, Mario respondeu que não era “grande número” e que se aquele seu avião caísse ele estava perdido...* Biquini!

*No Reino Unido, um estudo mostrou que atualmente a probabilidade de acidente aéreo é de 1 em 67.000 voos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

"DANDO BOLA" AO DESEMPREGO

O  Clube dos  Caiçaras, fundado em 1931, é um complexo de lazer na Lagoa Rodrigo de Freitas que ocupa uma ilha situada em frente ao Jardim de Alah, o qual margeia o canal que separa Ipanema  do Leblon. É um daqueles patrimônios valiosos que tornam essa região do Rio de Janeiro  – deitada aos pés do Cristo Redentor - extremamente  charmosa  e encantadora. O Caiçaras foi  a inspirada  criação de algumas famílias do bairro, dentre as quais a do sociólogo Marcos de Carvalho Candau, cujo patriarca Jarbas de Carvalho foi  também fundador da ABI. Pioneirismo a que devemos agradecimento eterno.
Fui sócio do  Caiçaras na década dos 70 e lá desfrutei de maravilhosos momentos com minha família. Antes disso, já  frequentara eventualmente sua piscina, seus bailes e jogara futebol de salão e voleibol em seu ginásio.  Lembro-me bem, desde sempre, da garotada que agilizava os jogos de tênis, devolvendo com presteza as bolas aos sacadores – os “boleiros”, na gíria dos tenistas. Equivalentes aos “gandulas” do futebol.
Os “boleiros” do Caiçaras estão no centro de uma polêmica, definidos como vítimas do cruel trabalho infantil e proibidos de continuar a atuar no clube sem o vínculo de “menor aprendiz”. Estão na rua, sem renda, comida e assistência médica e odontológica que o clube provia.
Não é nada confortável a situação do Brasil na área de trabalho. Grosso modo, de acordo com a PNAD Contínua relativa ao trimestre de setembro a novembro de 2015, dos 165 milhões de brasileiros em idade de trabalhar (PIA), apenas 101 milhões participavam da força de trabalho.  Destes, 92 milhões estavam ocupados e 9 milhões penavam procurando emprego. 
Dentre os 92 milhões  ocupados há 56 milhões de empregados  (10 milhões sem carteira assinada), 4 milhões de empregadores, 6 milhões de trabalhadores domésticos, 23 milhões de trabalhadores por conta própria e quase 3 milhões de auxiliares não remunerados de suas famílias.
Há, portanto, cerca de 64 milhões que não participam do mercado de trabalho. Estão nesse grupo os estudantes (46 milhões no total) e membros das 14 milhões de famílias que  vivem  do Bolsa Família e outras transferências de renda de cunho social.
Todos os países devem objetivar a universalização do trabalho decente, conforme definido pela OIT e têm a obrigação de coibir a atividade infantil degradante. Mas no Brasil atual a prioridade é criar emprego e não destruí-los. E na gestão pública devem sempre prevalecer o bem comum e o bom senso. Se a atividade dos “boleiros” do  Caiçaras for coibida, corremos o risco, em breve, de assistir à autuação das “escolinhas” de vôlei, futebol, boxe, judô etc  etc  etc e respectivas ONGs como perigosos antros de exploração do trabalho infantil.

E não haverá espírito esportivo que possa suportar uma insanidade desse teor do nosso onipresente BIG BROTHER!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

PISA NO ACELERADOR BRASIL!

Fui convidado pela OECD a participar do seu Webinar (Seminário pela internet) de 10 de fevereiro de 2016, sobre o tema “ Low-performing Students: Why they Fall Behind and How to Help them Succeed” (Estudantes de baixo desempenho: porque ficam para trás e como ajudá-los a ter sucesso). Foi ótimo!
Após alguns anos de aplicação do teste PISA em diversos países, a OECD dispõe de informações interessantíssimas, preciosas mesmo, sobre a educação de uma boa parte do mundo. Com base nos resultados do período de 2003 a 2012, Andreas  Schleicher   apresentou no Seminário um  estudo que focalizou os estudantes que tiveram o pior desempenho nos testes PISA – exatamente aqueles que merecem maior atenção quando se busca a igualdade de oportunidades.  Objetivos do estudo:  lançar alguma luz sobre as causas do fracasso escolar (diagnóstico) e levantar hipóteses sobre as ações necessárias para elevar o rendimento desses estudantes (políticas públicas).
A OECD define como de "baixo desempenho" aqueles estudantes que pontuam abaixo do Nível 2 em matemática, leitura e / ou ciências no teste PISA. O Nível 2 é considerado o nível basal de proficiência, necessário para alguém participar plenamente na sociedade. Os estudantes que obtêm o Nível  1 podem responder a questões que envolvem orientações claras e que requerem uma única fonte de informação e ligações simples; mas esses alunos não podem desenvolver raciocínios mais complexos, para resolver os tipos de problemas que são rotineiramente enfrentados pelos adultos de hoje nas sociedades modernas.
A conclusão mais  abrangente do estudo foi decepcionante:  a maioria dos países fez pouco progresso na ajuda aos seus alunos mais fracos para melhorar seu desempenho em leitura, matemática e ciências ao longo da última década. Isto significa que muitos jovens ainda estão deixando a escola sem as habilidades básicas necessárias para viver na sociedade moderna e ter bom desempenho no trabalho, prejudicando seu futuro e o crescimento econômico, a longo prazo, de seus países.
Analisando os resultados do estudo PISA da OCDE entre 2003 e 2012, o estudo revela que alguns países têm conseguido melhorias entre os estudantes de baixo desempenho. No caso da Matemática, países  economicamente  e culturalmente diversos como Brasil, Alemanha, Itália, México, Polónia, Portugal, Rússia, Tunísia e Turquia reduziram sua participação de alunos com fraco desempenho  entre 2003 e 2012.  O que mostra que a redução da percentagem de alunos com fraco desempenho é possível em qualquer lugar, escolhidas as políticas certas e havendo vontade de implementá-las. Infelizmente, porém, o Brasil não conseguiu progresso significativo  nas duas outras matérias componentes do teste PISA: Leitura e Ciências. Precisamos fazer mais!
 "Os ganhos sociais e económicos decorrentes da eliminação do baixo desempenho cobrem qualquer custo concebível para obter essa  melhoria", disse Andreas Schleicher, diretor da OCDE para Educação e Habilidades. "Políticas e práticas de Educação podem ajudar a superar este problema. A Educação deve ter prioridade e ser  dotada dos meios necessários para que toda criança possa ter sucesso na escola ".
Para quebrar o ciclo de absenteísmo e baixo desempenho, o relatório apresenta uma série de recomendações que incluem:

·         Identificar baixo desempenho e projetar uma estratégia de política sob medida  para superá-lo;

·         Reduzir as desigualdades no acesso à educação infantil;

·         Fornecer suporte de recuperação para os alunos de baixo desempenho o mais cedo possível;

·         Incentivar o envolvimento dos pais e das comunidades locais;

·         Fornecer um apoio orientado para as escolas ou famílias desfavorecidas;

·         Oferecer programas especiais para imigrantes, minorias  linguísticas e  estudantes rurais;

No decorrer do Webinar enviei minha sugestão, focada na realidade brasileira. A sugestão de instituir o “Professor de Família”, no âmbito do Programa BOLSA FAMÍLIA:
At least in countries implementing income transfer programs – like Brazil - should be instituted the figure of the "Family Teacher," a Human Development Agent to visit the homes of those families in need, living in absolute poverty.  The  agent  would  assist all family  members - children , adolescents, adults and elderly - mainly (but not exclusively) guiding them on public policies and the means of continuing education available locally or regionally, to overcome the barriers of lack of knowledge.  Those FAMILY MEMBERS who are already in the educational system, especially in elementary school, would receive an important support for the realization of school work. This kind of student generally cannot find this  important  support  within their family - it also lacking with regard to education .

Acredito que seria uma medida essencial para tirar o Brasil de sua incômoda posição de inferioridade na Educação. O Relatório mostra que estão considerados de baixo aproveitamento 68,3% dos estudantes brasileiros testados no PISA em Matemática; 50,8% dos alunos avaliados em Leitura e 55,2% dos nossos participantes em Ciências. Em todos os três casos, estamos entre os 6 países de pior desempenho dentre os 64 analisados pela OECD. Como diriam os estatísticos, estamos no decil inferior! Uma lástima!

VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...