quinta-feira, 1 de novembro de 2018

MINISTÉRIO DA ECONOMIA: RECORDAÇÕES DE CONVÍVIOS IMPOSSÍVEIS


As primeiras decisões do Governo Bolsonaro - principalmente a criação do Ministério da Economia - suscitam algumas fortes recordações de minhas experiências na vida pública.
Em janeiro de 1965 saí da CONSULTEC – uma empresa privada – e fui trabalhar no Ministério do Planejamento e Coordenação Geral, no embrião do que seria o EPEA – Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada, anos mais tarde elevado à categoria de Instituto (o atual IPEA).
A sabedoria do então Ministro Extraordinário da Pasta – Roberto de Oliveira Campos – limitou a atuação do EPEA às funções de estudo, pesquisa e planejamento. Pensar o futuro seria nossa missão principal. O enfrentamento das questões de curto prazo foi atribuído, com exclusividade, aos grupos técnicos vinculados ao Gabinete do Ministro. Havia, inclusive,  uma quase total correspondência de setores entre EPEA e Gabinete. E um significativo isolamento físico: setores do EPEA longe do Ministro e os do Gabinete vizinhos à sua sala, no velho prédio do Palácio da Fazenda, na Avenida Presidente Antonio Carlos.
O Ministro Roberto Campos, do Planejamento, era hóspede e coabitava com o Ministro da Fazenda, Octavio Gouvêa de Bulhões. Foi um convívio de grandes amigos, extremamente profícuo para o Brasil. Governo reformista, rejuvenescedor dos costumes éticos, com restabelecimento da ordem e do progresso, que haviam sido abalados pelas iniciativas comunistas de Jango Goulart e sua turma. O mesmo que esperamos de Bolsonaro.
Em março de 1967 o Presidente Costa e Silva, ao assumir, nomeou Antonio Delfim Neto para o Ministério da Fazenda e Hélio Beltrão para o Ministério do Planejamento. No início o convívio foi cordial, principalmente graças ao espírito conciliador e à simpatia exuberante de Beltrão. Delfim, porém, era mais competente e tinha intenções hegemônicas: aos poucos foi anulando a influência do Planejamento e assumindo um poder muito abrangente. Beltrão suportou a situação de 1967 a 1969, mas chegou a dizer que o Ministério do Planejamento deveria ser extinto, já que inútil. No Governo Médici foi dada essa solução, de forma velada: João Paulo dos Reis Velloso, cuja grande ambição era ascender a esse cargo, assumiu o Planejamento e serviu de marionete sob o comando de Delfim.  Nesse período a Fazenda teve poder absoluto e Velloso foi um Ministro decorativo.
No Governo Geisel acabou o reinado de Delfim, que caiu em desgraça e foi deslocado para a Embaixada do Brasil na França, onde continuou fazendo das suas, mas à distância...
Mario Henrique Simonsen assumiu a Pasta da Fazenda e João Paulo dos Reis Velloso continuou no Planejamento. Embora Simonsen fosse um gênio e Velloso muito pelo contrário, predominou o equilíbrio de poder, sustentado por uma paz armada entre os principais assessores dos  dois Ministérios. Velloso, sempre que podia, sabotava a ação de Simonsen e se sustentava graças a um de seus traços pessoais mais marcantes: a subserviência.
Sabem os meus  contemporâneos que Geisel era um autocrata, homem de muitas certezas e raras dúvidas. Velloso, ao despachar com o Presidente, buscando a decisão para certa questão, levava sempre em sua maleta três pastas coloridas: uma verde, com parecer favorável à medida; outra vermelha, reprovando-a; e uma terceira, amarela, com uma solução conciliadora. Velloso começava a sondar o Presidente, para saber sua opinião, até que Geisel explicitava sua decisão. Nesse momento Velloso puxava da maleta a pasta colorida que coincidia com a opção de Geisel  e afirmava que seu parecer era exatamente coincidente com o que pensava o "sábio" Presidente. E assim ia se mantendo na admiração do chefe e torpedeando o genial Mario Henrique Simonsen, provando que a inteligência nem sempre  vence a astúcia...
Eu mesmo fui prejudicado pela guerra que Velloso movia contra Simonsen, sempre disfarçadamente, bem ao seu estilo fugidio. Eu presidia o MOBRAL que recebia 30% da renda líquida da Loteria Esportiva mais os descontos opcionais (de 1%) do imposto de renda das empresas. Sem qualquer aviso, Velloso conseguiu a aprovação de uma legislação criando o FAS (Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social), em dezembro de 1974, a qual retirava do MOBRAL a fatia que tinha na Loteca. Uma punhalada contra um dos programas mais importantes do Governo, no fim do exercício fiscal, inviabilizando qualquer reprogramação para o ano seguinte. O MOBRAL, que tinha o apoio de Simonsen, obteve um empréstimo emergencial junto à Caixa Econômica para 1975 e o Ministério da Fazenda dobrou o incentivo fiscal dado às empresas que doassem à instituição. Só assim retomamos a normalidade. A maldade de Velloso acabou sendo benéfica ao MOBRAL que a partir de então dependia exclusivamente do apoio voluntário do empresariado - que nunca lhe faltou.
No Governo Figueiredo a guerra mudou de endereço. Simonsen foi nomeado Ministro do Planejamento, Karlos Rischbieter (indicado por Simonsen) foi para a Fazenda e Delfim voltou à tona, nomeado para o Ministério da Agricultura. Dali dirigiu seus ataques a Simonsen, que fazia o papel impopular de tesoureiro de uma empresa em estado falimentar. Delfim foi auxiliado por Rischbieter e os “Ministros gastadores” e derrubou Simonsen. Agora a marionete passou a ser Rischbieter que apenas concordava com tudo que Delfim propunha, como antes de traí-lo dizia sim a tudo que Simonsen defendia.
A história mostra o antagonismo redundante de Fazenda e Planejamento e a predominância de um dos dois Ministros. Se assim é, para que ter dois Ministérios? A fusão parece a solução mais indicada, pelo menos sob o aspecto da coordenação geral do Governo. Duplo comando é um dos maiores erros nas práticas de gestão.
Bolsonaro começa acertando em cheio...

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

LIBERDADE ECONÔMICA PARA OS BRASILEIROS

Repito meu blog, postado em 17 de agosto de 2017, com algumas adaptações, para lembrar ao futuro Governo um dos problemas a merecer reparos com a maior urgência.
Há uma missão na qual o Governo Bolsonaro deverá empenhar-se em profundidade: a de repor a liberdade econômica dos brasileiros, tornada cada vez mais restrita nos governos esquerdistas. Sob esse aspecto,temos muito o que corrigir em nosso país, sem dúvida, pois dar mais liberdade econômica aos trabalhadores, aos empreendedores e aos cidadãos em geral é uma prioridade indiscutível.
A falta crescente de liberdade econômica no Brasil é sufocante, inibidora da criatividade e do empreendedorismo, esterilizante da inovação e do desenvolvimento. Depois de tantos anos de governos esquerdistas, sempre desejosos de vigiar e se imiscuir na vida de todo mundo – pois isso faz parte indissociável de sua ideologia! - chegamos a um ponto de intolerância indesejável contra muitas das manifestações em favor da liberdade que são totalmente naturais em qualquer povo.
A TROIKA GAUCHE – FHC, Lula e Dilma – fez um trabalho admirável contra as liberdades em geral e em favor do politicamente correto castrador, que não poupou nem  o espírito  humorístico natural do brasileiro de todas as classes. Contraditoriamente, eles reclamavam da censura dos Governos Militares e instituíram a maior mordaça de nossa história. Nunca antes, na história deste país... É de chorar!
A liberdade econômica foi muito sacrificada por esses ditadores enrustidos e é hora de recuperar as perdas. Quando, no Governo Lula, foi proibido vender banana às dúzias e pãozinho por unidade eu logo pressenti a onda comunistóide que iria inundar nossas vidas e afogar nossas almas.
A burocracia faz parte importante dessa receita de ditadura econômica: é um dos instrumentos mais eficazes para reduzir nossa liberdade. E ela só aumentou nos últimos anos. Faz parte da ideologia da esquerda ampliar o tamanho do Estado, inchar o número de funcionários públicos, criar novos tipos de servidores que não pareçam formalmente funcionários públicos mas ajam como tal. E usar essa turma toda como marionetes e dependentes de um poder central que se quer ilimitado.
Daí a proliferação das ONGs, a criação das OSCIP, OS e outros bichos similares, vorazes do dinheiro dos contribuintes... mas  sempre sob a pele de cordeiro! Invariavelmente com um padrinho político, preferencialmente congressista, para canalizar adequadamente as benesses recebidas do Estado. Aparentemente lutando por uma boa causa, geralmente para denunciar algo, alguém e para criar antagonismos entre os que são diferentes entre si. FHC multiplicou-as e cuidou de dar-lhes poder e verbas públicas abundantes, disfarçadas sob a forma de prestação de serviços, contratada sem licitação, causando a destruição das empresas privadas que atuavam nesse segmento.
Com o propósito de sufocar as empresas privadas, Lula fez crescer desmesuradamente o poder atribuído aos Sindicatos e aos pelegos – sindicalistas que fingem defender os direitos dos trabalhadores, mas apenas fingem! O Ministério do Trabalho e o FAT (Fundo sem fundos), nos governos petistas, foram os pastos entregues à voracidade desses novos-ricos.
Todos esses entes diabólicos receberam  dinheiro a rodo, para realizações que nunca foram avaliadas, cujas contas estão espalhadas nas estatais e órgãos públicos, há anos, sem serem prestadas a quem de direito.
Quando se combate ferozmente o UBER; quando se quer proibir que o direito de propriedade seja exercido plenamente, nas locações por temporada; quando se quer punir iniciativas inovadoras que exijam liberdade de ação, isso é reflexo da mentalidade que a esquerda inculcou nas cabeças desavisadas que frequentaram professores e Universidades de qualidade discutível, aparelhadas pelo comunismo disfarçado de humanismo igualitário.
Um exemplo claro é o obstáculo burocrático ao empreendedorismo no Brasil. O projeto GEM (Global Entrepreneurship Monitor), da London Business School e do Babson College, tem realizado inúmeras pesquisas, em vários países, com características as mais distintas, as quais mostram claramente que a criação de empresas é um dos principais motores do desenvolvimento econômico e social de um país, graças à sua influência sobre a criação de postos de trabalho e a geração de renda. Mas segundo os dados do Banco Mundial, o processo de abrir uma empresa em nosso território dura 119 dias, colocando o Brasil no 179º lugar no ranking de burocracia calculado para 183 países. Apenas a Guiné Equatorial (137 dias), Venezuela (141), República do Congo (160) e Suriname (694 dias!) nos superam nessa demonstração de falta de competência e deficiência de competitividade (adaptação de texto capturado às 22:45h de 16/08/2017, no site da Revista EXAME: exame.abril.com.br). Note-se que há países, como a Nova Zelândia, em que é possível abrir uma empresa em menos de 24 horas. O drama repete-se quando do encerramento de empresas no Brasil, cujo processo dura vários meses, mesmo quando a firma está totalmente em dia com seus compromissos. O mais curioso é que as autoridades que insistem em manter esse ritual macabro afirmam que tudo é feito para evitar fraudes, lavagem de dinheiro, acidentes nos locais de trabalho etc. Uma desculpa indesculpável neste país em que os “laranjas” existiam aos milhares, as remessas de dinheiro sujo para o exterior eram bilionárias, acidentes com dezenas de mortos e feridos em locais de entretenimento não eram incomuns e assim por diante... Mas a verdade verdadeira é continuar a manter os privilégios cartoriais, justificar muitos milhares de funcionários públicos totalmente dispensáveis e gastar muito papel e tinta, sempre comprados a peso de ouro. Exigir uma certidão, uma firma reconhecida, uma assinatura de corpo presente, a passagem por esta e aquela repartição, carimbos e Oks de incontáveis servidores... tudo faz parte dessa tragédia!
No Brasil, além da enorme carga tributária - sem a justa retribuição dos serviços correspondentes – o cidadão tem, muitas vezes, que fazer um esforço enorme para pagar seus impostos, contribuições e similares. As exigências descabidas proliferam, sempre roubando o nosso tempo e a nossa paciência.

A Reforma Trabalhista do Governo Temer ampliou a liberdade econômica, dando mais autonomia a empresários e empregados para negociar seu relacionamento. Foi um bom começo, mas ainda é pouco:
Queremos Estado menor, a custos suportáveis, menos ingerência em nossas vidas e maior eficiência, eficácia e efetividade da máquina pública!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

PESQUISAS ELEITORAIS FAJUTAS X DEMOCRACIA

Repito um blog escrito em 2016, à época das eleições

Já se passaram algumas décadas desde o dia em que li, na revista “SCIENTIFIC AMERICAN”, o resultado das investigações científicas sobre a influência das pesquisas de opinião nas eleições respectivas. Os casos abordados referiam-se aos Estados Unidos da América do Norte. As conclusões desses estudos eram  claras e unânimes: a divulgação das pesquisas eleitorais influencia intensamente e pode mudar o voto do cidadão médio. Por extensão, pode-se concluir que pesquisas eleitorais que apresentam resultados errados prejudicam a causa democrática.
Nos  pleitos eleitorais deste ano (2016) e nas últimas eleições presidenciais (2014), muitos dos órgãos de pesquisa cometeram erros flagrantes, seus resultados distanciando-se da realidade muito além das margens de erro aceitáveis. Essas pesquisas podem ter  contribuído para resultados que não retratavam o desejo efetivo dos eleitores.
Nessas alturas, o corolário dos argumentos acima é bem lógico e uma pergunta se impõe: qual o motivo de as autoridades eleitorais brasileiras, até agora, não terem tomado as medidas profiláticas que evitem essas distorções?
Pesquisas eleitorais amplamente erradas, muito acima do tolerável estatisticamente, devem ser coibidas severamente  – e Estatística é uma ciência exata que permite essa aferição.
Uma medida bem simples da Justiça Eleitoral (TSE) pode acabar com essa aberração: órgãos responsáveis por pesquisas flagrantemente erradas sob o prisma estatístico devem ter suspenso o seu direito de realizar pesquisas no pleito seguinte.  Punição que cabe tanto no caso de incompetência quanto no caso mais grave da fraude deliberada.

Com a palavra o TSE. A democracia brasileira agradeceria!

OS ERROS PERSISTEM EM 2018 E NADA ACONTECE!
No primeiro turno das eleições de 2018 as pesquisas cometeram erros imperdoáveis no  Rio de Janeiro, em Minas Gerais e a nível de Brasil.
Agora, às vésperas do segundo turno, novos erros estão sendo deliberadamente repetidos e têm endereço certo: derrubar alguns candidatos que não agradam a alguns grupos econômicos.
Claro que no regime democrático as empresas têm o direito legítimo de defender seus interesses mas há limites. Não podem fazê-lo, por exemplo, abusando do poder econômico e divulgando "fake news". Constatadas essas práticas deveria haver alguma ação saneadora.
Será que o TSE vai legislar, tomando alguma providência, pelo menos visando o futuro, de modo a evitar esse tipo de prática, lesiva à democracia e à vontade do povo? Ou continuará olimpicamente surdo, cego e mudo, enquanto nossos direitos de cidadania são ignorados e lesados?

sábado, 22 de setembro de 2018

EDUCAÇÃO COM GARANTIA DE QUALIDADE

Repito o texto de meu blog de 8 DE ABR DE 2009, com algumas adaptações, principalmente em função do crescimento explosivo da educação a distância:


É chegado o tempo de as instituições de ensino darem garantia, à sua clientela, da qualidade dos serviços educacionais que lhes prestam.
Durante muitos anos frequentei a UNESCO, OEA e outras instituições internacionais que atuam no setor educacional, ora como representante do Governo brasileiro ora como Consultor contratado por essas organizações. Continuo acompanhando suas atividades e da OCDE, recebendo e lendo suas publicações,  navegando em seus sites e participando de webinars que promovem periodicamente. Posso assegurar que nunca se pensou na hipótese de dar, aos alunos, garantia de qualidade dos serviços educacionais pelos quais pagam, de uma forma ou de outra.
Nos últimos tempos, tenho recebido uma profusão de e-mails que me oferecem, a bom preço e em inglês sofrível, diplomas de mestrado e doutorado com base apenas em minha experiência de vida (mas como, se os remetentes nem me conhecem ?). Como antídoto a esse estado de coisas, a essa permissividade pedagógica que se generaliza, sugiro o que nossas autoridades educacionais já deveriam ter proposto há tempos: (1) que a legislação brasileira passe a prever o direito de os consumidores cobrarem e o dever de os estabelecimentos assegurarem a qualidade dos serviços educacionais por eles prestados; (2) e que, como corolário, os agentes prestadores desses serviços no Brasil deem garantia de qualidade do ensino ministrado a seus alunos.
Nas duas últimas décadas, o sistema educacional brasileiro ampliou os números de seu atendimento mas pouco evoluiu do ponto de vista qualitativo. Apenas continua produzindo muito mais da mesma coisa: alunos despreparados, que em todos os testes internacionais sempre colocam nosso País próximo à “lanterninha” dentre as nações envolvidas. O mais conhecido e reputado desses testes, o PISA, da competente OCDE, tem sido impiedoso com a debilidade qualitativa de nossa educação.
A reação interna a essa triste e indesmentível realidade é estridente e unânime: há toda uma retórica oficial em favor do “ensino de melhor qualidade”. Novos programas, projetos, atividades, medidas... Ação inócua, sem consequências práticas... Mas seria diferente caso os estudantes formados recebessem “garantia de qualidade” (o que incluiria também a “garantia de durabilidade”) dos conhecimentos e habilidades que teoricamente deveriam dominar. Nesse contexto, a expedição de um diploma para um profissional, por exemplo, implicaria em responsabilidade solidária da instituição educacional formadora – que certamente passaria a fazê-lo com o comedimento responsável que a sociedade exige. O Código do Consumidor deveria adaptar-se às peculiaridades do mercado educacional e aí vigorar como nos demais setores produtivos, nos quais provocou um indiscutível salto de qualidade.
A Educação é sabidamente resistente à mudança e à inovação no mundo todo, talvez por sua relutância em abrir-se à participação multidisciplinar. O setor geralmente é monopólio de “oficiais do mesmo ofício” e a participação de outros profissionais é considerada um assalto a direitos natos de gestão reservados aos autodenominados “educadores”. Como o mundo real é complexo, mutável e sua dinâmica se rebela contra qualquer visão unidimensional, faltam criatividade e capacidade de adaptação ao sistema educacional.
Nas circunstâncias atuais, quando alguém se inscreve em um curso de qualquer nível de ensino – básico ou universitário – nada e ninguém pode assegurar que vá receber um serviço de qualidade. E o pior: caso se decepcione, o aluno não tem a quem recorrer e sofrerá um grande prejuízo pessoal cujo ônus será inteiramente seu. Não se concebe que a prestação de serviços tão decisivos para o futuro de seus usuários e de notável impacto nos destinos da sociedade em geral, esteja fora daquela legislação saneadora. Se as instituições que atendem aos estudantes brasileiros fossem obrigadas a prestar contas judicialmente no caso de (1) fazerem propaganda enganosa dos objetivos terminais que se propõem a alcançar com seus alunos, (2) transmitirem conhecimentos e habilidades já ultrapassados e obsoletos, (3) fraudarem cargas horárias exigidas legalmente, (4) simularem bibliotecas e laboratórios que não existem ou não funcionam, (5) ultrapassarem a lotação máxima admissível das salas de aula etc etc, certamente a qualidade média de nossa Educação melhoraria rapidamente. E só o Código do Consumidor, colocado nas mãos do povo, permitirá fiscalizar a observância das normas educacionais em nosso País-continente.
Os cursos pós-universitários e de educação à distância devem ser os primeiros contemplados por essa inovação, em face de suas características. Logo de início, em vez de punir com o rigor da lei, pode-se começar por obrigar as instituições docentes a cumprirem as promessas de seu projeto pedagógico e a oferecerem dispositivos de segurança para garantirem sua qualidade de ensino. Esses mecanismos – cuja adoção comprovará o empenho das instituições em prestar um bom serviço - podem ser facilmente implantados e seus custos são relativamente baixos para os agentes educativos que encaram sua missão com seriedade.
PS - Um dia após esta postagem a mídia noticia que as autoridades estão prendendo fraudadores de diplomas de ensino médio conseguidos por meio da Educação à Distância. Essa triste realidade atesta a necessidade das providências sugeridas neste blog.

sábado, 8 de setembro de 2018

DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO


O 8 de setembro, Dia Internacional da Alfabetização, é uma data importante em minha vida profissional e durante alguns anos foi dia de festa, de comemoração de grandes vitórias. Era nesse dia que a UNESCO anunciava os vencedores dos prêmios mundiais para os feitos mais notáveis no trabalho em favor da alfabetização. O Mobral foi reconhecido com alguns desses prêmios.
Em 1972 o MOBRAL recebeu a Menção Honrosa do Prêmio Mohammad Reza Pahlavi (monarca do Irã). Em 1974, o Juri desse mesmo Prêmio (Rehza Pahlevi) fez nova menção especial ao trabalho do MOBRAL, enfatizando que a instituição já havia sido agraciada anteriormente. A manifestação dos jurados equivalia a uma nova premiação.
Eu já havia saído do MOBRAL quando, em 1982, tive a agradável surpresa de saber que a instituição foi agraciada pela UNESCO com o IRAQ Literacy Prize,  pelo notável trabalho realizado na Serra do João do Vale, no Rio Grande do Norte. Trabalho iniciado e realizado pela Coordenadora Lurdinha Bitencourt quando eu era Presidente do MOBRAL.
O maior preito da UNESCO pelo excelente trabalho do MOBRAL, porém, foi reconhecer, recomendar e endossar a assistência técnica que a instituição brasileira deu a 23 países, na implantação e na consolidação de seus programas de educação de adultos, alguns dos quais realizaram feitos notáveis.
O JAMAL, por exemplo, em cuja implantação o Governo jamaicano recebeu assistência técnica do MOBRAL, através do envio de missões de especialistas, foi inclusive agraciado com menção honrosa do prêmio Nadeja Krupskaya em 1976.
Atualmente, a UNESCO confere dois prêmios:
 1.        Prêmio King Sejong - escolhe dois ganhadores,  foi criado em 1989 e é realizado em parceria com a Coreia do Sul;
2.         Prêmio Confucius -  seleciona três vencedores, foi estabelecido em 2005 e é realizado em cooperação com o governo da China.
Infelizmente, as atividades de alfabetização de adultos foram praticamente descontinuadas no Brasil, embora ainda tenhamos 11 milhões de iletrados de 15 e mais anos de idade.
Lembro, com tristeza, que presenciei na TV um depoimento pungente do Dr. Ricardo Paes de Barros, especialista qualificado no estudo da pobreza no Brasil: criticava a falência do programa de alfabetização de adultos, executado na gestão de Fernando Haddad como Ministro da Educação, consumindo verba gigantesca (R$ 450 milhões anuais à época), com resultados ridículos.
Com Haddad no Ministério a educação brasileira passou a consumir recursos financeiros de grande vulto, ultrapassando 6% do PIB, despesa maior do que a de muitos países desenvolvidos, mas a qualidade do ensino continuou entre as piores do mundo. O Ministro petista só serviu para comprovar uma tese que defendo há anos: o problema da educação não é de falta de recursos e sim de falta de competência!

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

NA ESQUINA DO ATENTADO À DEMOCRACIA


HALFELD X BATISTA DE OLIVEIRA – JUIZ DE FORA

Halfeld com Batista de Oliveira... Estive lá muitas vezes, nessa importante esquina da querida cidade de Juiz de Fora, nas décadas de 40, 50 e 60, principalmente depois que Cesar Sampaio Coelho, primo-irmão de meu pai, nela construiu seu Hotel Imperial. Era o caminho do hotel, onde nos hospedávamos,  para o Salvaterra, bar famoso pertencente a Amandio Sampaio Coelho, outro primo de meu pai. Primos Mariazinha, Nelson e Cesar, filhos dos tios Luiza e Cesar, irmão de meu pai, também moravam na Batista de Oliveira e a visita a sua casa era obrigatória.
Hoje, 6 de setembro de 2018, pelas várias televisões brasileiras, revi esse lugar de muitas recordações. E a partir de agora já não serão apenas as maravilhosas reminiscências de outrora, das viagens a Juiz de Fora para rever a grande família. A elas juntou-se uma imagem terrível, um pesadelo que provavelmente me acompanhará por toda vida. Atentado de um fanático contra a vida de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República Federativa do Brasil. Atentado à democracia, contra a liberdade de milhões de eleitores que já escolheram Bolsonaro para dar seu voto contra a corrupção e a insegurança que assolam o país.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

GESTÃO PRAGMÁTICA OU PRAGA MATEMÁTICA?


Era uma reunião de pessoas que haviam trabalhado  juntas  no MOBRAL dos bons tempos. Ambiente alegre, reencontros agradáveis, lembranças daquela missão árdua mas extremamente compensadora, com resultados palpáveis a curto prazo. Uma noite memorável.
Em meio às conversas animadas, uma das convivas, que teve um cargo importante no MOBRAL, se dirige ao grupo em que eu estava e faz uma pergunta bastante instigante: “como se explica que você, Arlindo, que é de direita, tenha criado no MOBRAL o Programa de Ação Comunitária, o PRODAC, que é um típico projeto esquerdista?” Respondi com a simplicidade que a ocasião exigia, dizendo: só existem projetos bons e maus e eu sempre optei pelos que considerava bons, como o PRODAC.
O PRODAC era um projeto visando despertar o espírito comunitário, a solidariedade e para isso se valia da realização de atividades visando o bem comum. Em resumo, o MOBRAL levantava por amostragem as aspirações de uma comunidade, partindo de seus problemas e das soluções por ela propostas. A seguir, reunia a população com os órgãos e autoridades capazes de resolver os problemas levantados para que juntos – a comunidade tinha sempre que participar por meio de trabalho voluntário – executassem as ações cabíveis. Era a soma de planejamento participativo e ação solidária da comunidade e dos órgãos públicos. Projeto maravilhoso.
Aquela pergunta feita na reunião, que parece simples, explica muita coisa. E desvenda uma constelação de problemas que são intransponíveis para as esquerdas quando assumem o poder, levando ao seu fracasso sistemático. É só olhar para a História: países que adotaram o sistema político comunista ou cripto-comunista e não acordaram a tempo, modificando-o, fracassaram invariavelmente, conduziram seus povos à miséria e à opressão.
A esquerda geralmente se sai muito bem na oposição pois tem ousadia, coragem e desfaçatez suficientes para prometer  o céu em plena terra. Mas sempre naufraga quando assume o poder. Exatamente pelo motivo que a minha interlocutora deixou entrever com sua pergunta... No mundo real, não existem projetos de esquerda ou de direita e os atributos dos projetos certamente são outros: viáveis ou inviáveis; bons ou maus em termos de custo-benefício; prioritários ou de importância secundária; emergenciais, urgentes ou adiáveis.
Para gestores cegos pela ideologia é que existem os tais projetos de esquerda, que merecem ser levados adiante, ao contrário dos projetos de outras matizes,  que simplesmente devem ser ignorados, sufocados.
Só a gestão pragmática da coisa pública, visando o bem comum, leva à prosperidade e atende aos interesses da nação e de seu povo. A incapacidade de perceber essa grande verdade é que conduz os governos ao fracasso.
Para o esquerdista no poder é uma obra digna de ser executada, por exemplo, um complexo como a Cidade das Artes no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, que custou uma fortuna e que só daqui a 20 ou 30 anos será ocupada plenamente.
Por outro lado, fazer a manutenção adequada do Museu Nacional, que foi residência de um escravocrata e depois de uma Família Imperial –  a aristocracia em sua plenitude – esse, embora barato, é um projeto de direita, para esquecer ou ao qual se deve atribuir prioridade próxima de zero.
O fracasso do esquerdismo na administração pública resulta do fanatismo cego, da discriminação, da  absoluta falta de pragmatismo. Essa é uma praga e uma verdade matemática!


VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...