terça-feira, 28 de maio de 2019

UM DIA MEMORÁVEL: 26/MAIO/2019


Maio é um mês de muitas comemorações: Dia do Trabalho, N.S. de Fátima, Lei Áurea... E acaba de ganhar mais uma data memorável, de uma nova libertação, no último  26 de maio.
Foi o Dia da Libertação da maioria silenciosa, das pessoas de bem que prezam a ordem e elegeram  um Governo reformista, para mudar nossa economia e a velha política, para restaurar os valores mais caros às famílias brasileiras.
Governo que está sendo impedido, pelos maus políticos, de realizar a vontade do povo expressa nas urnas, democraticamente. São múltiplas e poderosas as barreiras que lhe opõem as forças retrógradas da incompetência e da corrupção.
Marisa e eu fomos à praia de Copacabana e nos divertimos com a alegria dos manifestantes, sua crítica descontraída e admiramos principalmente o redescobrimento que as pessoas fizeram de sua força, de sua capacidade de remover montanhas e inibir maus brasileiros.
Não foi preciso muito para que marchássemos resolutos para os pontos de concentração em todo Brasil: um zapzap, um boca a boca ou um telefonema entre amigos ... e nos vestimos, sem combinar, com o verde e/ou amarelo de nossa bandeira querida para a batalha da opinião. Ninguém nos pagou, ordenou ou mesmo pediu... Fomos, sim, por amar o Brasil e por querer que volte a ser uma democracia em que todos fiquem livres para criar, empreender e falar com espontaneidade - fora com o politicamente correto e a educação vazia e opressora desses comunistas fanáticos, seguidores de Gramsci e Paulo Freire, que esterilizaram nosso sistema de ensino, roubando-lhe a qualidade!
Foi um prazer observar o reconhecimento à competência de Paulo Guedes e Sergio Moro e aos projetos enviados em tempo recorde ao Congresso, com as reformas que os eleitores brasileiros exigem de seus representantes (sic). E sobretudo verificar que a opinião pública está agradecida ao Presidente Bolsonaro, pela sua coragem em perseguir as boas práticas da política, contra as deformações seculares de nossa vida pública. Foi um dia para comemorar e lembrar para sempre.


terça-feira, 21 de maio de 2019

ORIGENS DO IPEA (1964)



O IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, originalmente denominado de EPEA – Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada, foi idealizado pelo Ministro Roberto Campos em 1964, logo após a Revolução de 31 de março.
Em sua estratégia de gestão, Campos achava que o Governo deveria criar um “think tank”, um laboratório de ideias, constituído por um grupo de técnicos de alto nível, exclusivamente devotados a estudos, pesquisas e planejamento. Esses especialistas estariam livres das pressões do dia a dia, usuais e sempre problemáticas em qualquer Governo, mas excepcionalmente importantes quando a herança deixada pelos antecessores é maldita – e esse era o caso evidente do Governo João Goulart.
O primeiro dirigente do EPEA – com o cargo de Secretário Geral – foi o Dr. Victor da Silva Alves Filho, o qual só deixou o cargo quando foi nomeado Diretor do Brasil no BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Subordinado a Victor da Silva no EPEA, o economista João Paulo dos Reis Velloso, oriundo do Conselho Nacional de Economia (CNE),  era o Coordenador Técnico do órgão, o qual iria mais tarde dirigir, quando seu chefe foi trabalhar em Washington D.C.
Fui entrevistado algumas vezes por pesquisadores e estudantes de pós-graduação que desenvolviam investigações e teses sobre o IPEA. Nessas ocasiões, verifiquei haver muitos equívocos sobre as origens do IPEA, o que atribuo à atuação deletéria de pessoas cuja desonestidade intelectual se manifestava sempre que era necessário defender interesses pessoais, colocados acima da verdade.
Lembro com pesar que uma publicação sobre o aniversário de 40 anos do IPEA continha erros lamentáveis, dando ênfase à contribuição pessoal de técnicos que não tiveram grande importância no desenvolvimento do órgão. Ao mesmo tempo, a publicação omitia o trabalho de especialistas e até setores inteiros – como o meu CNRH - cuja passagem pelo Governo foi memorável.
Recentemente, no obituário de João Paulo dos Reis Velloso, a quem o IPEA deve sua consolidação e cuja contribuição para o órgão foi relevante, notei a reincidência em um erro histórico que já observei outras vezes no passado: algumas teses e publicações afirmam que Velloso foi o primeiro dirigente do IPEA. A reincidência nesse equívoco  acabará por tornar-se a verdade histórica – embora falsa. O primeiro dirigente do IPEA (então EPEA) foi Victor da Silva Alves Filho.
Meu velho e precioso exemplar do PAEG – Programa de Ação Econômica do Governo, publicado em novembro de 1964, comprova que o fundador do IPEA foi Dr. Victor da Silva.




terça-feira, 14 de maio de 2019

IRMÃ DULCE: A SANTA DA BAHIA


O Vaticano vai canonizar Irmã Dulce: a santa criatura que dedicou sua vida a ajudar pobres, doentes e sofredores. A amenizar as dores do próximo, esquecendo-se de si própria e de seus achaques – que não eram poucos. A sabedoria milenar da Igreja funcionou à perfeição.
Quem via aquela freira magrinha, de aparência tão frágil, talvez não acreditasse que ali estava um gigante de bondade, capaz de suportar - sem um ai - a sua própria dor e ajudar e consolar seus protegidos, com um sorriso largo e bondoso. Mas a realidade de seus feitos se impunha aos incrédulos de sua fortaleza e Irmã Dulce ia semeando o bem, incansavelmente.
Irmã Dulce foi entusiasta do MOBRAL e sempre que era preciso ajudava nosso trabalho na Bahia, que era coordenado pela Professora Ilka Figueiredo, sua amiga e admiradora fiel. Irmã Dulce recrutava alunos para nossos cursos, conseguia espaços para nossas atividades, mobilizava empresários para ajudar-nos – fazia de um tudo, com a energia de sempre. Tive a honra de conhecê-la pessoalmente, agradecer-lhe a ajuda ao MOBRAL, rir com sua elegante simplicidade, sentir a leveza de sua santidade indisfarçável.
      
Arranquei boas risadas do Ministro da Educação, Eduardo Portela, quando lhe mostrei nossa foto aí de cima com Irmã Dulce (de costas, com sua silhueta facilmente reconhecível), que incluía também o Governador António Carlos Magalhães. Disse-lhe que a foto poderia levar o título de “A Santa e os Pecadores”. Mas que estávamos protegidos e perdoados pela companhia da santa criatura...
Desde sempre acreditei que Irmã Dulce seria beatificada por  sua notável obra de amor.
Fez-se justiça à Santa da Bahia!

domingo, 12 de maio de 2019

DITOS DE MÃE


Ela já os trouxe prontos em 1929, da sua linda aldeia de Fonte Arcada, na Beira Alta, de cujos altos se via o Rio Távora, ainda livre, correndo sob a ponte romana que ali estava desde o século I da era cristã.
Maria do Céu Castro (depois Corrêa por casamento com António Lopes Corrêa) emigrara para o Brasil, fugindo da aldeia empobrecida que outrora conhecera tempos de prosperidade, quando pertencia a Inês de Castro – aquela que depois de morta foi rainha. Mas agora a realidade era outra e Fonte Arcada ficara pequena para as aspirações de Maria do Céu, as quais ela iria concretizar no seu Eldorado: o Brasil.
Seus ditos... Nasci e cresci a ouvi-los, a aprender com eles, a errar muitas vezes por não observá-los, a corrigir os rumos e voltar aos seus domínios, sempre sábios, incontornáveis.
E aqui estou, aos 82 anos, a recordá-los com muita saudade e gratidão:

Mais vale prevenir que remediar (um apelo ao planejamento e à cautela)
Tens mais olhos que barriga (quando ficava comida desperdiçada no prato)
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo (válido para mentirosos de má memória)
Tantas vezes vai o cântaro à fonte que um dia... (contra esportes radicais e riscos evitáveis)
Cesteiro que faz um cesto, faz um cento ( quando a reincidência no erro é certa)
Quem tudo quer, tudo perde (contra ambição desmedida)
Cada qual sabe onde lhe aperta o sapato (o sofredor é que sabe de seu sofrimento)
Estás com as fraldas de fora! (advertência quando eu estava mal arrumado)
Estás  lanzudo! (aviso para eu ir cortar o cabelo)
Águas paradas não movem moinhos (nada de preguiça: só o trabalho traz prosperidade)
Pareces um cabrito montês! (comentário sobre a minha agilidade para correr, saltar, subir)
A pensar morreu um burro (quando eu estava distraído, com olhar distante)
Comer e coçar é só começar ( querendo que eu comesse mais – uma batalha perdida)
A pressa é inimiga da perfeição (quando eu errava algo fácil)
Criou fama, deita-te na cama (a reputação reconhecida é duradoura)
Amigos, amigos, negócios à parte (ela e suas compras e vendas...)
Muito riso, pouco siso (contra a jovialidade excessiva)
A cavalo dado não se olha o dente (ser bem agradecido sempre...)
Há males que vêm pra bem (derrotas ensinam a conquistar vitórias)
A palavras ocas, orelhas moucas (ignorar os maus conselhos)
O roto falando do esfarrapado (um pecador apontando o pecado alheio)
Deus ajuda quem cedo madruga (uma exortação ao trabalho duro)
Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe (esperança e temperança)
Tal pai tal filho (quando eu fazia algo igual a meu pai)

E assim fui vivendo e aprendendo. E sou feliz!
Obrigado minha mãe, Maria do Céu Castro Corrêa, neste Dia das Mães, véspera do Dia de Fátima.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

MEU PIS SUBIU A SERRA E SUMIU!


PIS e PASEP surgiram em 1970, como instrumentos da política social do Governo do General Médici: o Programa de Integração Social - PIS (por meio da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970), para os empregados do setor privado; o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP (instituído pela Lei Complementar nº 08, de 03 de dezembro de 1970), para os servidores públicos.
Por meio dessa legislação, todos os trabalhadores do setor formal da economia passaram a receber mensalmente, em suas contas  no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica,  sob a forma de cotas individuais,  um depósito feito pelos  seus empregadores, proporcional aos salários. Capitalizados ao longo do tempo, esses recursos constituíam  um pecúlio, a ser sacado no futuro pelo trabalhador. Era um instrumento para propiciar-lhe maior autonomia e independência.
A partir da promulgação da tal Carta Redentora de Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, nos termos do seu art. 239, os recursos provenientes da arrecadação das contribuições para o PIS e para o PASEP foram retirados do trabalhador e destinados ao FAT, por iniciativa do esquerdista  José Serra. Surgia então mais um dinossauro estatal, patrocinado pelos nossos impostos e entregue à esquerda sindical, com sua burocracia esterilizante e suas prestações de contas sempre duvidosas.
As cotas individuais (o pecúlio) do Fundo de Participação PIS-PASEP, existentes à época da aprovação da nova legislação, obviamente foram mantidas, como direito adquirido dos trabalhadores seus titulares. Mas o fluxo de dinheiro para as contas individuais cessou a partir de então. E pior: o rendimento anual do capital pertencente aos trabalhadores sempre foi baixíssimo. 
A principal fonte de recursos do sempre deficitário FAT passou então a ser composta pela arrecadação do PIS/PASEP. O CODEFAT - gestor do FAT - elabora diretrizes para os programas a serem executados, estabelecendo a respectiva alocação de recursos, realizando o acompanhamento e avaliação de seu impacto social. Teoricamente, para propor o aperfeiçoamento da legislação referente às políticas públicas de emprego, trabalho e renda. Do total dos recursos, desde logo, pelo menos 40% (quarenta por cento) foram alocados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES que os repassava sob a forma de financiamento de Programas de Desenvolvimento Econômico, cujo objetivo primordial seria a criação de empregos no País. O atingimento desse objetivo, porém, era declarado pelo BNDES mas jamais foi adequadamente comprovado.
Os recursos remanescentes do FAT destinaram-se a uma “soi disant” compensação aos trabalhadores, pela perda do pecúlio do PIS/PASEP. Essa reparação, bastante discutível, consistiria no custeio do Abono Salarial e do Programa do Seguro-Desemprego.
O Abono cresceu desmesuradamente ao longo do tempo, embora  não contemplasse uma política pública bem definida. Em verdade, era um instrumento demagógico, de caráter meramente político e além do mais sujeito à fraude desenfreada.
No Governo Temer começaram as restrições ao Abono, bastante aceitáveis, embora o ideal fosse a destinação total dos recursos respectivos a programas com objetivos concretos. Aliás, o ideal mesmo seria que a Reforma da Previdência propusesse a extinção do Abono Salarial, por ser inócuo e destituído de objetivos claros.
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Aparentemente, mudaram de ideia os congressistas que em geral apoiam o Governo mas não aceitavam as mudanças propostas no projeto de Reforma da Previdência, relativas ao Abono Salarial. Fazem bem, agora, em aceitar esse aspecto do projeto do Ministério da Economia.

É bom que não incidam no equívoco daqueles que consideram o Abono um instrumento da política social do Governo. Em verdade, essa benesse – esse é o termo correto - surgiu para compensar a cassação, pela Constituição de 1988, de um direito legítimo do trabalhador, criado pelos Governos da Revolução de 1964.
O Abono  Salarial não é, portanto, um instrumento de política social do Governo. Muito pelo contrário, seu surgimento foi exatamente o resultado de um retrocesso imperdoável, que retirou do povo trabalhador um pecúlio que ficaria à sua disposição em momentos marcantes de sua vida no futuro, como o casamento e a aposentadoria.
Ao aposentar-me, tive uma desagradável surpresa: meu saldo no PIS era irrisório, embora os depósitos em meu favor fossem elevados. Mais um presente de grego da esquerda para um sofrido trabalhador brasileiro. Como contribuinte lesado, gostaria que se apurasse tudo o que foi feito com esse dinheiro desde a criação do famigerado FAT. Garanto que muitos políticos e pelegos iriam para a cadeia.

terça-feira, 30 de abril de 2019

OS KAMIKASES DA INFORMAÇÃO



Quando dirigi o Centro Nacional de Recursos Humanos do IPEA, um dos nossos estagiários era Roberto Gursching, posteriormente meu assessor no MOBRAL. Roberto, muito competente, tinha como uma de suas características um nível sempre atualizado e elevado de conhecimento dos acontecimentos nacionais mais importantes. Quando perguntávamos a origem de suas informações, respondia com simplicidade que lia três ou quatro jornais diariamente. Hoje, se vivesse, Roberto certamente teria adicionado às suas fontes os noticiários das TVs, mas seu grau de informação estaria totalmente prejudicado: a grande mídia está irritando a opinião pública brasileira, pela sua trajetória suicida, de oposição radical ao Governo Bolsonaro, levada a um extremo tal que a meia-verdade e a interpretação facciosa dos atos, fatos e pronunciamentos oficiais se tornaram práticas usuais dos seus noticiários e comentários, frequentemente distorcidos.
Todos os dias a grande mídia divulga crises imaginárias, que desaparecem de suas manchetes em dois ou três dias, desde que haja uma nova “crise” disponível para seus noticiários. Nestes, tornou-se comum que o âncora, no decorrer do jornal, tenha que desmentir notícia ou versão apresentada minutos antes. Isso ocorre quando autoridades ou seus prepostos, vigilantes, assistiram ao conteúdo incorreto em tempo real e se comunicaram com a redação pedindo (ou exigindo, de acordo com a gravidade do erro) a retificação do relato. Mas quando isso não acontece? Ficamos com a desinformação e ponto final? Imagino que o Palácio do Planalto tenha uma numerosa equipe de olho nos noticiários e sempre pronta para desmenti-los, tamanha a frequência dos equívocos.
Agora mesmo temos um exemplo em evidência, no setor educacional, que sob nova direção busca caminhos diferentes dos praticados nos últimos anos, nos quais o Brasil gastou mais e mais recursos financeiros sem que os resultados pedagógicos esperados fossem alcançados.
MEC ADOTA PRIORIDADES CORRETAS
O MEC, muito acertadamente, está corrigindo distorções notórias do ensino superior brasileiro, resultantes de uma visão ideológica, irresponsável e inaceitável,  dos Governos anteriores, que seguiam orientação típica da esquerda radical.
Ao anunciar que serão retirados os incentivos existentes para as escolas de filosofia, sociologia e similares, o MEC, muito acertadamente, está fechando as fábricas de desempregados potenciais existentes no ensino superior brasileiro. Essas escolas de Humanidades são em verdade “desumanas”, formando mão de obra barata, profissionais que não têm colocação no mercado de trabalho decente e que serão presas fáceis para o subemprego, aceitando inclusive posições de militância mal remuneradas nos partidos políticos esquerdistas.
Trata-se de uma constatação histórica: após o Governo de Jango Goulart , o quadro de matrículas encontrado pelas autoridades educacionais do Governo da Revolução de 31 de março de 1964 foi semelhante. À página 160 do II Volume do Diagnóstico de Educação, elaborado pelo IPEA  em setembro de 1966, comentando a distribuição de matrículas do nosso ensino superior, afirmava-se: “À luz dos números....., nota-se que cerca de metade do efetivo discente universitário concentra-se nos estudos de direito e ciências sociais, denotando um estágio estrutural ainda incompatível com as necessidades de desenvolvimento econômico, o qual demanda forte base tecnológica.”
Tratava-se de uma das malditas heranças do governo de Jango, que ia buscar nas deficientes escolas de filosofia e direito, depósitos de estudantes profissionais, seus seguidores bem doutrinados, que futuramente seriam os soldados da luta armada, em favor da implantação, no Brasil, de uma ditadura do tipo cubana, genocida e impiedosa. É claro que isso tinha que mudar e assim foi, ainda no Governo Castello Branco...
No momento, após as gestões de FHC, Lula e Dilma, as estatísticas disponíveis no Censo do INEP para 2017 indicam conclusão idêntica à daquele diagnóstico, passados  53 anos: 40% das matrículas (mais de 3,2 milhões de alunos) estão nos cursos de ciências sociais, direito, humanidades e artes e as escolas de formação de professores compreendem 19% das matrículas (1,6 milhão de alunos). Enquanto isso, só 3% (240 mil) estudam Agronomia e Veterinária, apenas 6% (466 mil) estão nas áreas científicas  e 15% nas Engenharias (1,2 milhão). É claro que devemos mudar esse quadro totalmente equivocado, de modo a favorecer o desenvolvimento nacional, mas a mídia conseguiu descobrir “especialistas” em educação que criticaram, ao vivo e a cores, as novas prioridades do MEC.
Não posso deixar de elogiar a “capacidade de convencimento” da produção desses programas que conseguem recrutar esses tais “especialistas”, com coragem suficiente para submeter-se ao ridículo de defender o indefensável para o grande público.
O fato é que nossa grande mídia perde cada vez mais credibilidade: caem suas audiências, o número de leitores e ouvintes. E o fim se aproxima, como resultado dessa cruzada suicida. O jeito é buscar alternativas, enquanto ainda existem. E assistir a "O Brasil Visto de Cima" ou "Essa é Minha Família", no ótimo canal MAIS GLOBOSAT; ou recorrer ao TRAVEL, viajando pelo mundo...etc
A propósito, vi recentemente, no excelente canal da Smithsonian, um documentário sobre a batalha de Okinawa, a mais sangrenta da Guerra do Japão. Impressionou-me, sobretudo, o fato de que 300 aviões japoneses foram atirados por seus pilotos – os kamikazes - contra os navios da esquadra americana, no desespero da derrota iminente que, afinal, aconteceu.
Nossa grande mídia comporta-se atualmente como os kamikazes de Okinawa, com uma diferença fundamental: os pilotos japoneses tentavam evitar uma derrota que poderia e iria ocorrer; a nossa mídia tenta evitar uma derrota que já ocorreu...

quinta-feira, 11 de abril de 2019

ASSALTEI A EDUCAÇÃO BRASILEIRA!


Abraham Weintraub, nomeado Ministro da Educação pelo Presidente Bolsonaro, faz jus ao nome: está sendo mais pisoteado pelos corporativistas da pedagogia que uva no lagar... Em alemão, weintraub significa exatamente “uva de vinho”. Muito apropriado, portanto! E tomara que dê bom caldo!
O episódio me faz recordar que há alguns anos recebi um pedido de entrevista de uma pesquisadora da UNICAMP sobre o trabalho que realizei durante os 7 anos de atuação no IPEA, inicialmente como Coordenador do Setor de Educação e Mão de Obra e depois como Secretário Executivo do Centro Nacional de Recursos Humanos (CNRH). Naquele período, de janeiro de 1965 a janeiro de 1972, meus comandados e eu publicamos 140 trabalhos sobre educação, treinamento profissional, emprego, migrações, esporte, TV educativa e assistência técnica internacional. Além disso, a partir de certo momento, assumimos algumas tarefas executivas, implantando o Programa Especial de Bolsas de Estudo para filhos de trabalhadores sindicalizados (PEBE) e o protótipo de Agência Pública de Emprego no ABC para o Ministério do Trabalho. No MEC, participamos da criação e implantação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do PREMEN, além de representarmos o Ministério do Planejamento no Conselho Federal de Educação (CFE).
O trabalho realizado por mim e minha equipe  no IPEA parece ter tido méritos. Nesse período fui convidado e dei consultoria internacional à UNESCO, OIT e OEA; fui eleito e reeleito (6 anos) Conselheiro do Instituto Internacional de Planejamento da Educação (IIPE) da UNESCO, em Paris; fui investido de mandato de 4 anos como membro do Conselho de Supervisão do Instituto de Educação da UNESCO, em Hamburgo.
Meses após a entrevista com a douta pesquisadora da UNICAMP  fui surpreendido com a divulgação de artigo em que ela denunciava “o assalto à educação brasileira pelos economistas”. Era uma crítica ao protagonismo, na nossa  educação, de profissionais de várias formações acadêmicas, mas principalmente dos diplomados em Economia. Em outras palavras, a sapientíssima pesquisadora só aceitava que cargos de importância no setor educacional brasileiro fossem ocupados por professores,  pedagogos e afins.
E eu, coitado, mesmo sendo engenheiro, fui arrolado entre os “assaltantes”... Kkkk
Essa implicância da doutora da UNICAMP, focada nominalmente  nos economistas, devia-se ao fato de que a maioria dos “intrusos” tinha essa formação acadêmica, o que era natural pois essa contribuição intelectual dos “intrusos” deu-se principalmente naquilo que se convencionou chamar de “economia da educação”. O fenômeno era internacional.  Tratava-se de  uma contribuição valiosíssima a um setor que ignorava a importância das estatísticas, tinha aversão aos aspectos financeiros das atividades  de ensino, não via importância nas relações entre educação e força de trabalho, ignorava o que era “trabalhar por projeto” e assim por diante. Gary Becker, Prêmio Nobel, exatamente por sua contribuição à área social, também nos honrava com sua companhia no mencionado  “assalto”.
À época da entrevista, estávamos em plena vigência dos Governos do PT, financiando com verbas robustas todos estudos, teses e pesquisas que engrossassem a “caça acadêmica às bruxas dos Governos militares”. Bruxas, no caso, eram as muitas realizações da Revolução de 31 de março de 1964 em favor do desenvolvimento nacional que as esquerdas  queriam fazer desaparecer da História, reescrevendo-a a seu modo.
O Ministro Weintraub certamente está sendo nomeado para dar um choque de gestão no MEC, cuja característica nos governos petistas sempre foi a incompetência, o dispêndio desenfreado  em projetos e atividades sem avaliação, implementados muitas vezes por ONGs desqualificadas – para dizer o mínimo. Governos que elevaram desmesuradamente os gastos públicos em educação, ao nível dos países desenvolvidos (em termos de percentagens do PIB), sem que houvesse qualquer ganho em qualidade. Os resultados de nossos alunos (de 15 anos) no teste PISA, da OECD, sistematicamente envergonham nosso país.
Educadores que reivindicam o monopólio do poder na Educação brasileira para seus pares, demonstram com clareza exatamente o maior de seus muitos defeitos: a rejeição à multidisciplinaridade. Sem a qual nossa Educação jamais sairá das humilhantes posições nos rankings de qualidade do ensino  em nível mundial.
Weintraub, como qualquer Ministro, não precisa dominar toda gama de conhecimentos teoricamente desejáveis para o correto exercício de sua missão. Basta saber eleger as prioridades corretas e compor uma equipe com o naipe adequado de talentos, motivá-la e dar-lhe liberdade para implementar  projetos e atividades realmente  relevantes.
Essa crítica corporativista exacerbada, à nomeação de Abraham Weintraub,  é parte da campanha sistemática de oposição a qualquer ação do Governo Bolsonaro. É o choro dos derrotados. A confirmação cabal de que é preciso mudar quase tudo em nossa educação.


VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...