quinta-feira, 30 de junho de 2016

LES LOUPS SONT ENTRÉS DANS PARIS

Marisa e eu fomos rever Paris em um de seus momentos mais difíceis. E reafirmar nossa devoção à mais linda das cidades, apesar de seus problemas atuais - que certamente haverão de passar.
Não ficamos em Montmartre - a Colina dos Mártires - conforme planejado. Preferimos  outra Colina - Montparnasse, cujo nome homenageia o Monte Parnaso, da Grécia Antiga,  onde residia Apolo com suas nove musas  - um lugar em que ainda é possível viver "à parisiense", no qual não se tropeça nos turistas apressados, à busca dos pontos clássicos que "é preciso visitar" nas viagens para a Cidade Luz. Bairro em cujo cemitério famoso - o Cemitério de Montparnasse - repousa para sempre um dos mais admirados ídolos de nossa juventude: o ator e cantor SERGE REGGIANI. Cujo talento atingiu um de seus pontos máximos ao cantar a odisseia de Paris no decorrer da II Guerra Mundial, descrevendo a cobiça, a invasão e a ocupação pelas tropas nazistas (os lobos - les loups). Intrusos ao final derrotados, com a liberação da cidade mais amada de todos nós que compomos a chamada "civilização ocidental".
Agora, que os "lobos solitários" fazem de Paris seu alvo preferencial, é impossível não lembrar da canção profética de Serge Reggiani. Antes, os lobos eram as imbatíveis divisões Panzer de Hitler; agora, os lobos são os explosivos que vestem os peitos dos terroristas que não parecem conter corações.
Claro que visitamos Montmartre,  subindo pelo funicular, admirando a Sacre Coeur e abordando a Place du Tertre,  com seus pintores característicos. Descemos pelo outro lado, chegando ao metrô Abbesses , saltando na Ile de la Cite. Notre Dame, com o Sena metros acima de seu   nivel normal.  Depois fomos à Torre Eiffel, cercada de tropas embaladas,  prontas para os terroristas. Mas isso passará e o  sorriso da charmante Elvire renascerá!

terça-feira, 28 de junho de 2016

NÃO APAGARÃO A NOSSA TOCHA!


A tentativa canhestra de apagar a TOCHA OLÍMPICA conduzida a caminho do Rio de Janeiro, atirando-lhe um balde d’água, lembrou-me o episódio daquele louco de Atenas que impediu o maratonista brasileiro de conquistar sua justa medalha de ouro, mas apesar de tudo  não conseguiu frustrar a missão original do nosso corredor: a chegada ao final da mais emblemática  prova, do maior dos eventos  esportivos mundiais.
Da mesma forma, ninguém apagará a nossa tocha e ela iluminará e abrilhantará os Jogos Olímpicos de 2016 – OS NOSSOS JOGOS!
Aos que tentam sabotar as Olimpíadas com suas críticas e afirmam fazê-lo em defesa dos interesses de nossa Cidade, que teriam sido prejudicados para que o evento fosse realizado, cabe a pergunta: alguém acha que o Rio de Janeiro vai ficar melhor se os Jogos fracassarem? Claro que não!!! Então, torçam e ajudem para que  sejam um  grande SUCESSO! Essa é a melhor e única atitude possível para quem realmente ama nossa Cidade.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

SOMOS TODOS TIME BRASIL

Sou um carioca inconformado com os graves problemas de nossa Cidade. Mas sinto-me no dever de defendê-la contra a CAMPANHA GLOBAL que tentou inviabilizá-la como sede das Olimpíadas. Campanha que fracassou quanto a esse objetivo inicial mas persiste e pretende  agora causar o maior dano possível ao evento. Inteligentemente, a mídia utilizada se aproveita das debilidades reais – algumas conjunturais e outras estruturais - de nossa Cidade, de modo que é difícil lutar contra ela. Essa investida contra o Rio é cruel e não mitiga as críticas nem as coloca no contexto em que estão imersas – para o bem e para o mal – todas as grandes aglomerações urbanas  do mundo moderno. Já não há, neste início de século, grandes metrópoles sem problemas.
 A  repetição e o aprofundamento da expressão concreta desses nossos problemas  – principalmente nas áreas de segurança e saúde - intensificou-se mais recentemente na mídia estrangeira. Com boas ou más intenções, o fato é que essa abordagem do lado negativo de nossa Cidade causa grandes prejuízos aos Jogos Olímpicos e reduz o fluxo turístico – atual e futuro - para o mais procurado ponto de entrada de estrangeiros que viajam para lazer em nosso país, acarretando perdas econômicas consideráveis. Os que trabalham com o turismo carioca já vivem um período de baixa, inesperado e só explicado pela repercussão daquelas abundantes notícias negativas.
Em escala menor, o mesmo já havia ocorrido quando da realização da COPA DO MUNDO DE FUTEBOL DE 2014, naquele caso envolvendo várias capitais brasileiras. Uma campanha sórdida que de certa forma nos favorece hoje, pois afinal tudo deu certo e a COPA foi um sucesso, com muita festa, permanente confraternização dos torcedores dos países participantes e nenhuma violência.  Assim, podemos dizer que o sucesso de 2014 repetir-se-á  agora, apesar de todas nossas dificuldades.

Brasileiros e especialmente  cariocas devem adotar o lema propagado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que serve de título a este blog: SOMOS  TODOS  TIME BRASIL. Independentemente da posição crítica individual em relação aos problemas de nossa Cidade (e eles são muitos) e aos gestores de nossas três esferas administrativas – municipal, estadual e federal – devemos ingressar em uma equipe virtual que quer os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro bem sucedidos, exemplares, projetando uma imagem positiva do Brasil que apesar de tudo está sendo reconstruído. E não só isso: devemos  ajudar, na medida de nossas possibilidades, para que tudo dê certo. Atitudes no sentido contrário são incompatíveis com a cidadania dos bons brasileiros e cariocas.

terça-feira, 10 de maio de 2016

PELA DESBUROCRATIZAÇÃO IMEDIATA

Nestes tempos de RECONSTRUÇÃO há algumas ideias do passado que ainda podem ser muito úteis ao nosso país e devem ser revisitadas.
A DESBUROCRATIZAÇÃO é uma dessas  ações mágicas: descomplica e poupa tempo; reduz custos e incertezas  e atrai investidores, os quais,  normalmente dotados de grande objetividade, têm particular aversão – pela ordem - ao risco e à burocracia. E como a maior necessidade do Brasil, a partir de agora, é receber novos investimentos, afugentados pela desconfiança e a incerteza, as quais geram risco incalculável e consequentemente  insuportável, vale a pena DESBUROCRATIZAR.
Não é de estranhar que após tantos anos de supremacia de dirigentes esquerdistas, ferrenhos defensores da estatização, da tutela governamental sobre todas as atividades, da fiscalização esterilizante, haja muito o que desburocratizar em nosso país. Há várias causas para a burocratização, todas elas presentes em nosso país, em maior ou menor grau, mas o viés ideológico é extremamente importante.
O empreguismo no setor público é uma dessas pragas que dentre outros grandes males – como o déficit fiscal - gera também burocracia. Funções, instâncias, formulários e reuniões perfeitamente inúteis são criados e tornados rotineiros para justificar a existência de funcionários igualmente desnecessários. Quando há um  visível excesso de funcionários em alguma repartição, a própria necessidade de sobrevivência ocupacional dos excedentes cria aquelas atividades burocráticas que geralmente vão ampliar a “via crucis” dos pobres contribuintes que se dirigem ao governo espontânea ou coercitivamente. Quando se sabe, agora, que há 490 mil servidores estaduais no Rio de Janeiro inadimplente, sendo quase 350 mil funcionários na ativa, cabe perguntar onde se escondem tantos deles, invisíveis funcionalmente, já que sobram miríades de  tarefas irrealizadas no território fluminense. Ainda pior: a máquina estadual, embora repleta de funcionários improdutivos, ainda delega muitas de suas atividades a ONGs, OSCIPs, OS (há muita criatividade na criação desses apêndices lucrativos da atividade governamental), as quais remunera generosamente, como se seus  quadros próprios estivessem assoberbados e não pudessem dar conta de suas incumbências.
Outra causa do excesso de burocracia é econômica. Faz-se burocracia para gerar emprego  e renda para certas castas profissionais privilegiadas. Os cartórios são exemplos clássicos. Exigências diversas como o reconhecimento de firmas, a autenticação de documentos, a existência de algumas certidões  são geralmente inócuas mas revelam-se verdadeiras minas de ouro. E  há outros espécimes igualmente férteis e totalmente discutíveis como a vistoria de veículos e prédios, algumas licenças esdrúxulas como as das quadras de voleibol de praia etc que criam pagamentos às  Prefeituras e Governos Estaduais - cujo custo de arrecadação às vezes supera a respectiva receita.
Uma boa desculpa utilizada para burocratizar é a salvaguarda contra a fraude, a corrupção e similares e a escalada que se segue à descoberta de que os cuidados até então vigentes não impediram, aqui e ali, a prática delituosa. Em face dessa descoberta, cria-se uma  ou mais “barreiras à infração” e assim se vai adiante, progressivamente, inventando cada vez mais entraves burocráticos e ocupando mais funcionários. Geralmente não se consegue sucesso nessa empreitada de prevenir infrações, como se pode depreender do panorama nacional, maculado pela corrupção em doses descomunais, posta a descoberto nos últimos tempos.

Outra grande vantagem da DESBUROCRATIZAÇÃO, estratégica nesta conjuntura de crise, é seu custo modesto. Mas os benefícios que a redução da burocracia pode criar, em certos casos, são ponderáveis e sobretudo resultam em clima propício ao investimento e ao empreendedorismo.

Helio Beltrão foi o campeão da ideia de desburocratizar nos anos 60 e 70. Era um homem público inteligente, extremamente simpático, de bem com a vida, seresteiro tocador de violão, de uma família de políticos da classe média da Tijuca. Tive o prazer de trabalhar no IPEA quando ele foi Ministro do Planejamento. Em meu benefício, aliás, Helio Beltrão transformou o Setor de Educação e Mão de Obra do IPEA, que eu coordenava, em CENTRO NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS (CNRH) e me nomeou Secretário Executivo do novo órgão.
Beltrão, com sua sensibilidade de político, percebeu que eu estava recebendo alguns convites para trabalhar no exterior e seduziu-me com a criação do novo órgão.
Pena que o Brasil não deu continuidade às ideias de desburocratização de Beltrão, o que mostra a força dessa verdadeira praga que parece seduzir nosso “establishment”. Beltrão era respeitado e influente. Foi o civil que mais vezes ocupou o cargo de Ministro nos governos militares: Planejamento, Desburocratização, Previdência, além de ter sido Presidente da PETROBRAS. Ainda assim pouco conseguiu em sua cruzada contra a burocracia.
Agora, porém, com a escassez de recursos financeiros e a necessidade de apresentar resultados rapidamente, o novo Governo pode tirar grande proveito da ação desburocratizante.


sábado, 30 de abril de 2016

É TEMPO DE RECONSTRUÇÃO E SANEAMENTO

Neste momento, RECONSTRUÇÃO é a palavra de ordem para todos os cidadãos e instituições comprometidas com o desenvolvimento do Brasil e o bem estar de seu povo. Não há como negar tal contribuição, em meio à mais profunda crise, com 11 milhões de desempregados, caos nas finanças públicas, economia em recessão profunda, inflação elevada e desesperança generalizada.
Nosso país está pior do que o avião em pane da velha estória: é preciso prosseguir, consertá-lo em pleno voo e levar os passageiros a seu destino. Infelizmente, além de tudo, a aeronave  está cheia  de sujeira (o entulho do petismo) e é indispensável   alijar esse peso morto e nauseabundo.
Observo o agravamento da crise em nosso país através da ótica das estatísticas de desemprego, as quais  dizem muito e vão confirmando as previsões feitas em meus blogs anteriores. As taxas não param de crescer, aterrorizando a opinião pública brasileira: já são mais de 11 milhões de desocupados, com suas  famílias desesperadas, passando necessidade. Em contraponto, um desgoverno impotente, indiferente a esse que é o maior flagelo social de nossos dias.
Mas há esperança no ar: a proximidade da alternância no poder!  O novo Governo  terá  porém um árduo trabalho a realizar. Após o país livrar-se do domínio da República Sindicalista do PT virá o indispensável saneamento de sua herança maldita, concomitante ao TEMPO DE RECONSTRUÇÃO! Consertar o avião em pleno voo, remover as cargas nocivas  e continuar voando – eis a tarefa.
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RECONSTRUÇÃO
Em julho de 1944, reunidos em  Bretton  Woods, New Hampshire, 730 delegados de 44 países Aliados instituíram  os mecanismos  componentes do sistema econômico e financeiro que deveria permitir,  às várias nações do mundo, renascer do pesadelo decorrente da II Grande Guerra: o FMI, para regular o sistema monetário internacional e o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) – o Banco Mundial – para financiar projetos  econômicos e sociais prioritários. Enfrentamos situação parecida! O Brasil, nas próximas semanas, interromperá um processo tão devastador quanto uma gigantesca guerrilha intestina, a qual corroeu nossa economia, arrasou as finanças públicas, desmoralizou os mecanismos de financiamento do desenvolvimento e sistematicamente tentou promover  a divisão dos brasileiros como estratégia de manutenção do poder. Afastado o PT do poder, impõe-se a união dos brasileiros conscientes para promover a reconstrução de nossa economia e de nosso equilíbrio financeiro, tal como ocorreu,  a nível mundial, no período de pós-guerra. Em analogia, dar autonomia ao Banco Central e mandato a sua Diretoria. Ao mesmo tempo, reavaliar toda política de injeção de recursos e financiamento do BNDES, rebatizando-o como Banco de Reconstrução Nacional.
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O “IMEXÍVEL” DO BRASIL PÓS-PT
Simpatizar ou não com o PMDB, no momento, é uma questão secundária. O importante é estabelecer pré-condições mínimas e identificar se há, no novo Governo, o desiderato de tirar o país do abismo. Parece que essa intenção é visível. Há um documento básico de qualidade, embora genérico –  o PONTE PARA O FUTURO – e alguns nomes aventados para participar do primeiro escalão são adequados. Henrique Meirelles, nos planos nacional e internacional, tem todo um passado de competência comprovada, credenciando-o a assumir o comando de nossa economia. Na área social vislumbra-se a atuação intelectual do especialista Ricardo Paes de Barros,  um dos idealizadores do programa Bolsa Família, autor de inúmeros trabalhos de excelente qualidade e com um profundo conhecimento das características da população brasileira mais carente - aquela que necessita maior atenção na crise.
Nestes tempos de impeachment é inevitável  lembrar  de Collor, o qual subiu ao poder com o mesmo discurso de honestidade do falecido PT.  E que, como o PT, foi destronado por força da prática de corrupção, aliada a uma incompetência invulgar para gerir os destinos do país.
No Governo de Collor – a exemplo da ascensão do PT - surgiram muitas inovações.  Algumas muito ruins, inclusive na escolha de seus Ministros. Collor empossou alguns deles apenas por serem “bons de marketing”. Como resultado, fizeram muita espuma mas pouco ou nada de proveitoso realizaram. Nessa linha, Collor nomeou um Ministro do Trabalho cujo mérito era ser sindicalista – à época, a opinião pública brasileira ainda não estava acostumada com essas figuras popularescas que nos anos de Lula e Dilma mandaram e desmandaram em nosso  pais (aliás, justiça  lhes seja feita, pródigos que foram principalmente nos desmandos).
Magri, o tal Ministro do Trabalho, criou o neologismo “imexível” - que caiu no gosto da mídia e que durante muito tempo passou a ser um vocábulo irremovível (ou seria imexível?) de nosso cotidiano político. Esse neologismo ocorre-me agora, por ajustar-se  perfeitamente a dois ícones da vida brasileira na atualidade: a Operação Lava Jato e o Programa Bolsa  Família. Pois antes  de tudo, na reconstrução, para gozar da confiança da população, o Governo TEMER  precisa  definir seu apoio incondicional à Operação Lava Jato e ao Programa Bolsa  Família. Sine qua non!
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O SANEAMENTO IMPOSITIVO
A revelação dos atuais ocupantes do poder de que não farão a transição com o futuro Governo, inclusive com ameaças de “queima de arquivos”, justificará e mesmo obrigará os novos gestores a fazer um saneamento preliminar da máquina operacional do poder público federal e seus apêndices. Assim, antes da reconstrução, será preciso levar a efeito um processo de cuidadosa higienização, para evitar sabotagem e outras práticas similares por parte dos petistas recalcitrantes, suas milícias rurais e urbanas, suas ONGs amestradas, seus meios acadêmicos, midiáticos e artísticos muito bem remunerados para disseminar o proselitismo radical de esquerda. Aliás, ao interromper o fluxo de recursos financeiros e materiais para essas hordas mercenárias, seu entusiasmo murchará rapidamente e os caminhos da normalidade estarão reabertos. Mas pode-se confiar no profissionalismo do PMDB para essa operação profilática.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A CICLOVIA DA MORTE NA GRUTA DA IMPRENSA

Infelizmente aconteceu! Nosso  Rio de Janeiro sofreu com mais uma tragédia de repercussão mundial, marcada pela perda de preciosas  vidas humanas e representando um sério revés no prestígio da cidade, em um momento muito delicado. A ciclovia em frente à Gruta da Imprensa ruiu.
Quando passei pela Avenida Niemeyer  com minha mulher,  Marisa, e pela primeira vez percebemos que estava surgindo a construção de uma ciclovia do lado do mar, ela logo disse: isso não vai prestar, vai morrer gente aí! E eu completei seu   lamento, observando  que perderíamos uma bela e tranquilizante vista, quando da passagem pela Niemeyer, nas idas e vindas da zona sul.  A ciclovia obstruiria a paisagem considerada  uma das marcas  do Rio de Janeiro – algo como é  a Costa Amalfitana para a Itália. A obra era uma decisão incoerente, para uma Prefeitura que estava derrubando a gigantesca, caríssima e estratégica Avenida Perimetral, exatamente com o argumento de que o faria para resgatar...  a vista do porto!
Marisa tinha razão, pois em criança, com seus pais e seus irmãos, costumava visitar a Gruta da Imprensa  e sabia que as ondas  daquele local específico do costão tinham uma força extraordinária, nas costumeiras ressacas de outono e começo de inverno. Nesses dias de mar agitado, a visita à Gruta da Imprensa era proibida e havia um guarda para alertar os passantes sobre o perigo.
Aquele lugar era então um ponto turístico importante do Rio de Janeiro. Atração perdida pela favelização da região e pela falta de segurança para os eventuais visitantes.
Eu também fui, na infância, um frequentador habitual da Gruta da Imprensa, pois meu pai gostava muito de parar lá, nas idas de nossa família a São Conrado, para visitar os amigos José e Guiomar, donos do Hotel Pedra Fenícia da Gávea. Descíamos a escada, entrávamos na gruta escavada pela erosão marinha, escutávamos o curioso barulho surdo do bater das ondas e certa vez até fizemos um piquenique por lá. Apreciávamos os imensos e sólidos pilares do Viaduto do Rei Alberto – que  emolduram a caverna e lá estão, firmes, há um século, alicerçando o pavimento da avenida, indiferentes à força das ondas mais violentas. Uma boa construção, robusta para resistir um milênio. Dessas que não se fazem mais...
Algumas vezes não podíamos parar: as ondas gigantescas atemorizavam, molhavam os carros estacionados na Niemeyer e o jeito era passar direto. Se nossos gestores soubessem...  se conhecessem melhor a cidade... Mas o Brasil é um país sem memória. E poucos se preocupam em resgatá-la! Ou procurar conhecê-la. Pena! Pois acreditem: as recordações do passado têm muito valor. Embora nem sempre reconhecido...
Quando fui Presidente do MOBRAL, sugeri certa vez que as pessoas mais velhas,  das localidades onde se situavam nossas classes, deveriam ser convidadas às salas de aula para dar um depoimento sobre as origens e o passado daquelas comunidades. Coisa típica do MOBRAL. Era um reconhecimento merecido  da  importância social dos idosos. E um tipo de atividade cultural que se revelou um sucesso. Os mais velhos têm uma contribuição interessante e valiosa para o autoconhecimento das comunidades e suas estórias motivavam os alunos.

Agora, após o desastre, a Prefeitura aventa a possibilidade de consultar os cariocas sobre o destino que deve dar à ciclovia. Nunca é tarde demais, certamente, mas se os moradores mais antigos da região tivessem sido ouvidos antes do início da obra, talvez essa ciclovia nem tivesse sido construída do lado do mar, no costão rochoso dos Dois Irmãos. E se assim fosse, para a admiração daqueles que chegassem ao Rio de Janeiro pelo mar, ainda brilharia  essa visão magnífica da esquecida Gruta da Imprensa, que a foto de Gyorgy Szendrodi, publicada no excelente  site de André Decourt, intitulado “Foi um Rio que Passou”, nos mostra em seu esplendor, no início dos anos 70. Quando os cariocas ainda sabiam que ela existia e era linda! Agora, a gruta da minha infância é apenas a testemunha eloquente de uma tragédia imperdoável.



quinta-feira, 14 de abril de 2016

DE VERDE E AMARELO EU VOU! NÓS, BRASILEIROS, VAMOS!

Roberto Campos estava muito doente à época em  que tramitava o pedido de impeachment do Presidente Fernando Collor. Mas no dia da grande votação, o deputado cumpriu seu dever: com enorme sacrifício físico, em cadeira de rodas, adentrou o plenário e sob aplausos retumbantes pronunciou seu  voto  - pelo Brasil  -  a favor do impedimento.  Roberto Campos  criava assim um “imperativo categórico” para os congressistas que honram seus mandatos: ir em qualquer circunstância sempre que o Brasil precisar.
Não há desculpa para quem faltar à votação do impeachment. Os ausentes estarão perfeitamente identificados em  um de dois grupos: (1) ou são a favor dos governos do  PT, de Lula e Dilma – enfim, disso tudo que aí está  - ou (2) foram cooptados pelo “chefão” no hotel da tulipa dourada. Esta semana mesmo,  Roberto Jefferson, em entrevista memorável à TV, contou que Lula não busca  aliados: quer “prostitutos”, aos quais compra para que obedeçam cegamente.
Em qualquer dos dois casos, esses políticos  ausentes devem ser olhados pelos eleitores como traidores dos interesses do Brasil e de seu povo, como cúmplices do desgoverno que acoberta a corrupção, malbarata nossos impostos, fomenta a inflação, amplia o desemprego e agora corta programas sociais, minados pela disseminação da fraude, usada amplamente como instrumento eleitoral.
Afortunadamente, Roberto Campos sobreviveu àquela doença e ainda nos brindou com alguns anos de agradável convívio. Comentou comigo, certa vez, que aquele dia no Congresso foi singular em sua vida pública: ao ser aplaudido, sentiu-se um político amado, popular. Uma ocasião rara, pois enquanto Ministro do Planejamento -  de meados de 1964 a março de 1967 – foi permanentemente criticado na imprensa, pelas medidas de sacrifício que o governo Castello Branco teve que adotar para remediar o caos estabelecido durante a presidência ruinosa de Jango Goulart.
A situação política e econômica do Brasil antes de 31 de março de 1964 era muito parecida com a que vivemos hoje: imperavam a baderna, a falta de segurança, o desemprego dos trabalhadores,  o fechamento das empresas, havia agitação nas ruas e invasões de terras particulares no campo - todo esse conjunto negativo dentro de uma orquestração de assalto ao poder pelos comunistas,  que pregavam a sublevação e os motins nas forças armadas e eram apoiados em sindicatos-pelegos que marchavam desafiadoramente com suas bandeiras vermelhas.  Mas o brilhante Governo Castello Branco, do qual Roberto Campos foi uma espécie de Primeiro-Ministro, colocou o país no caminho certo e o Brasil em pouco tempo tornou-se a sexta economia do mundo.
Um dia, em uma reunião, eu me queixava  da crescente “esquerdização”  que acometia a sociedade brasileira, incentivada pelo governo, orquestrada pelo professorado e os meios acadêmicos e propagandeada  pela mídia e a classe artística, lançando mão de sofismas,   mentiras  e reescrevendo a história. Fui interrompido pelo sábio Roberto Campos.  Ele me disse que não tinha jeito:  nos 20 anos seguintes o Brasil seria governado pelos esquerdistas,que iludiriam o povo, com suas promessas irresistíveis, até que um deles faria tantas asneiras que arruinaria a economia e sofreria um naufrágio político definitivo, de graves consequências. Profético, só errou ao nomear o responsável pelos desmandos, que acabou sendo uma dupla sinistra: Lula-Dilma. Com o PT, encerrar-se-á esse ciclo trágico da vida nacional.
Minha mãe, portuguesa, costumava recitar-me o provérbio de sua terra: “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. E assim tem sido. Neste momento  vivemos a expectativa de um futuro governo equilibrado, no qual se possa ter confiança e sobretudo esperança.

Dia 17 de abril, eu também vou, de verde e amarelo! Vamos todos, para comemorar a democracia!

VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...