quarta-feira, 21 de junho de 2017

QUEM NÃO REFORMA... DEFORMA!

Nosso mercado de trabalho tem dado sinais evidentes  de reação ao desemprego recorde a que o Brasil foi levado pelos desgovernos do PT. A criação de postos de trabalho com carteira assinada, mostrada no CAGED, é prova irrefutável disso. Foram mais de 59 mil em abril e 34.253 novos empregos em maio, sendo o acumulado do ano positivo, com saldo de 48.543 admissões. É pouco, mas é uma tendência virtuosa.
É importante explicar que os formulários do CAGED são apenas recebidos  e contabilizados pelo Ministério do Trabalho:  suas informações lhe são enviadas, mensalmente, pelas empresas que demitem e admitem  funcionários e que são obrigadas a fazê-lo por força de lei. O CAGED não resulta do desenho de amostras, de cálculos estatísticos de erros, buscando retratar um determinado universo.  O saldo do CAGED  repousa em uma aritmética simples:  a diferença  entre admissões e demissões.
Os resultados positivos do CAGED nos últimos meses, mesmo sujeitos a oscilações, naturais nas fases de transição, revelam  a recuperação da economia brasileira. E serão (ou seriam?) ainda melhores à medida que as reformas caminhem e sejam efetivadas.
O problema é que as reformas dependem do Congresso... E como diz um amigo  meu, grande gozador, mas observador agudo da realidade, o ambiente em Brasília não é exatamente parlamentar... É PRA LAMENTAR...
 Vai daí que a Reforma Trabalhista - que só traz benefícios  a empregados e empregadores – está sujeita a incertezas derivadas da inconsequência de uma oposição ressentida e do fisiologismo de uma situação hesitante. Exatamente a  reforma que modernizaria as regras do mercado de trabalho sem retirar um único direito dos trabalhadores. Talvez estejamos condenados a manter uma legislação zumbi, feita para um mundo que não mais existe.
Recebi há poucos dias uma corrente nas redes sociais, aconselhando os brasileiros a não votar em nenhum candidato que esteja exercendo cargo eletivo ou  que tenha tido um mandato em passado recente. Diante dos escândalos que são descobertos praticamente todos os dias e que sempre envolvem políticos, estou propenso a aderir a essa corrente, pelo bem do Brasil.  País em que, estranhamente,  não funciona o dito popular que manda preferir o certo ao duvidoso.
Nas eleições, tentando proteger o bolso dos contribuintes, devemos sempre preferir o duvidoso ao certo!



sexta-feira, 16 de junho de 2017

FINALMENTE O BRASIL CHEGOU À OCDE!

Ótima notícia, da série “ANTES TARDE DO QUE NUNCA”,   que felizmente se tornou rotineira ultimamente  e que espero publicar ainda muitas outras vezes nos próximos meses, no decurso das atuais reformas e medidas modernizadoras que visam recuperar nosso debilitado país: finalmente o Brasil se tornará membro da OCDE (Organização  de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico), organização multilateral governamental que considero a mais competente em atividade no âmbito internacional e cuja convivência institucional nos fará muito bem, abrindo-nos as portas do século XXI!
A mídia de maior influência em nosso país não deu destaque ao acontecimento,  ignorando  sua importância. Assim como a educação brasileira, infelizmente, nossa mídia não ficaria bem colocada no teste  PISA!  (aliás, iniciativa brilhante e vencedora da OCDE...)
Mas o fato é que nosso governo oficializou, no fim do mês passado (29 de maio de 2017), pedido para o Brasil aderir à prestigiosa organização internacional, que congrega  atualmente 35 países e cuja atuação é baseada nos princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado. A certeza da aceitação do Brasil, no seio da organização, ficou clara em recente entrevista de seu principal executivo,  Angél Gurría,  afirmando que "o Brasil cumpre plenamente com todas as condições prévias. Já é da família, como um primo muito próximo".
Sou daqueles que prestam homenagens permanentes à OECD, por tratar-se de uma organização que pratica e demanda normas modernas de administração econômica, de gestão, de transparência, abertura e ética, cujo impacto nas boas práticas em políticas públicas é inquestionável.
Lembro bem do dia, há muitos anos,  em que vi com certa surpresa, na sua excelente revista “OBSERVER”, da qual fui leitor compulsivo, a menção ao fato de que a OCDE iria dedicar-se ao estudo da corrupção e do branqueamento (lavagem) de capitais  nos países-membros. Estranhei - porque a OCDE dedicava-se a temas substantivamente  ligados ao desenvolvimento - mas ao mesmo tempo acendeu-se-me  a esperança de que a entrada da OCDE nesse tema – tão importante para o Brasil – fosse o ponto de partida para o combate eficaz a essa praga universal, que infelicita tantos países, especialmente quando chega a níveis muito elevados (como tem sido no Brasil, nas décadas mais recentes).
E não deu outra! Os países-membros da OCDE, os mais desenvolvidos do mundo, conscientizaram-se dos males irreparáveis da corrupção, dos prejuízos que causa ao progresso das nações  e várias medidas foram surgindo com o intuito de combatê-la. Os paraísos fiscais foram sofrendo restrições crescentes, os fluxos de capitais suspeitos sendo acompanhados e sofrendo sanções, os sigilos das famosas “contas secretas” foram caindo aqui e ali, tudo feito dentro de normas cada vez mais severas...
A competência da OCDE certamente teve uma grande influência sobre a institucionalização da repressão internacional a corruptos e corruptores, por mais ricos e influentes que sejam e que agora estão cada vez mais ao alcance da lei, bastando aplicá-la, como se está fazendo agora no Brasil.
De certa forma, devo meu ingresso no serviço público, na década de 1960, à OCDE. Interessado em Educação, eu acompanhava as novidades que surgiam nessa área, em que o Brasil  permanecia bastante atrasado, principalmente porque nosso setor de ensino  estava muito mais voltado para teorias  filosóficas e privilegiando  o proselitismo político do que empenhado na realização de suas tarefas específicas e primordiais. Exatamente como tem ocorrido nas duas últimas décadas, em que a educação pouco educa e muito doutrina, mais deforma do que forma cérebros e almas.  Uma de minhas fontes de conhecimento e informação era a revista OBSERVER da OCDE, onde me  inteirei do seu PROJETO REGIONAL MEDITERRÂNEO , de planejamento educacional para alguns países europeus.  Planos que além das clássicas estatísticas demográficas também levavam em conta as necessidades de mão de obra das respectivas economias, o que se ajustaria muito bem ao caso brasileiro.
À época eu trabalhava na CONSULTEC, uma empresa de consultoria econômica, onde eu havia elaborado projetos de pedido de financiamento à USAID para  as escolas primárias, os ginásios industriais e a Escola Superior de Desenho Industrial do Governo Carlos Lacerda, do Estado da Guanabara, além de uma monografia (EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NO BRASIL) para a Universidade de Harvard.
Eu costumava colaborar com a redação da revista APEC (Análise e Perspectiva Econômica), liderada por Victor da Silva, com artigos diversos e numa dessas matérias, ao fim de 1964, abordei o plano educacional da OCDE e comentei sobre sua potencial adequação ao caso brasileiro. Roberto Campos (então Ministro Extraordinário do Planejamento e Coordenação Econômica) leu o artigo, gostou das ideias expostas e perguntou a Victor da Silva quem o havia escrito.  Daí o convite que me chegou logo depois, trazido pelo meu amigo e colega na CONSULTEC, Mário Henrique Simonsen, para criar e dirigir o futuro Setor de Desenvolvimento Social do EPEA (atual IPEA).
Já no cargo, durante alguns meses, recebi a assistência técnica periódica da OCDE, na pessoa do especialista em recursos humanos Angus Madison. Ajuda informal,  já que o Brasil não era país-membro, mas conseguida graças ao prestígio pessoal do Ministro Roberto Campos. E preciosa! Conversar com Angus Madison algumas horas valia um curso presencial da maior qualidade...
Em sua origem, a OCDE era formada por países europeus, aos quais se juntaram pouco depois Estados Unidos, Canadá e Japão, constituindo o que se chamava de “Clube dos Países Ricos”, mas a instituição foi gradativamente abrindo a participação a outros países. O Brasil já poderia ter sido admitido anteriormente, há muitos anos, mas os governos esquerdistas de FHC, Lula e Dilma preferiram sempre outros parceiros, deslumbrados ideologicamente com os “paraísos da igualdade” – Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador.
O Brasil vai agora, na OCDE, ter melhores companhias, partilhar boas práticas de gestão e liberar-se dos dogmas das economias dirigidas e fechadas. FINALMENTE!

Incidentalmente, fui convidado e participei recentemente do Webinar da OCDE sobre os conhecimentos, em educação financeira, de 48.000 estudantes de 15 países, testados no PISA de 2015.  Infelizmente, os alunos brasileiros tiveram os resultados médios mais baixos (390 pontos) entre todos os países participantes, evidenciando mais um aspecto negativo da  qualidade medíocre de nosso ensino básico.












Esperemos que os novos ventos  que sopram em nosso país melhorem também nossa pobre educação.

domingo, 4 de junho de 2017

SEMINÁRIO DA UNESCO PELA WEB

Na semana de 29 de maio a 2 de junho participei do Seminário que a UNESCO realizou pela internet sobre “TRANSFORMAÇÃO DO  TREINAMENTO  DE PROFESSORES PARA A MELHORIA DOS RESULTADOS DO APRENDIZADO”. Mais de 1100 educadores e professores, de todas as partes do mundo, participaram do  Seminário, o qual abrangeu três grandes temas.
No primeiro, foram abordados os pontos fracos e fortes dos sistemas de formação de professores que podem ser depreendidos dos resultados de grandes levantamentos estatísticos e qualitativos, nacionais e internacionais. Nas discussões  sobre este  tema, vários participantes destacaram a importância dos dados que mostram que os antecedentes socioeconômicos dos alunos têm um impacto mais forte nos resultados de sua aprendizagem do que as características dos seus  professores - sublinhando novamente como nossas discussões sobre educação se relacionam com questões de justiça social.
Os comentários dos participantes convergiram para três questões-chave:
a). Que dados e informações temos sobre os pontos fortes e fracos específicos dos sistemas atuais de formação de professores e  sobre sua relação com os resultados de aprendizagem dos professores?
b). Que dados e informações temos sobre a relação entre as características específicas do sistema de formação de professores e os resultados de aprendizagem dos seus alunos?
c). Existem outros dados que as avaliações internacionais deveriam coletar sobre a formação de professores e que atualmente não estão disponíveis?

As discussões do segundo tema foram  sobre   reforma do sistema de formação de professores  e  houve consenso em torno de algumas questões:
a)Os programas de formação realizados antes do exercício do magistério (“pre-service”) tanto quanto os de educação continuada, desenvolvidos durante o exercício profissional (“in-service”), precisam ser reformados. Abordagens como a tutoria de professores recém-qualificados e o engajamento de  professores interessados em participar de novas metodologias  pedagógicas  devem ser incentivadas ao longo de todo processo formativo.
b)Não apenas os professores, mas também os educadores de professores precisam de uma melhor preparação e oportunidades mais sistemáticas de desenvolvimento profissional  contínuo.
 c)Reformar o sistema de formação de professores por si só não é suficiente: os salários dos professores e seu status devem ser melhorados;  estudantes com melhor rendimento escolar devem ser recrutados para programas de formação de professores e os efeitos da pobreza e das deficiências  dos estudantes que vão atender também precisam ser abordados.

Ocorreu um intercâmbio rico e esclarecedor na Discussão do Tema 3, sobre as competências essenciais dos professores que não estão sendo adequadamente enfatizadas nas abordagens convencionais para a formação de professores.
Foram sublinhadas algumas das competências em falta (que muitos participantes ressaltaram):
Fluência no conhecimento básico e em habilidades aprendidas na escola primária e secundária
Capacidade de ensinar conteúdo de maneiras adequadas ao nível particular de seus alunos
Uso de avaliações para analisar e melhorar o ensino e a aprendizagem
Uma orientação acerca de auto-reflexão, aprendizado contínuo e auto-aperfeiçoamento
Capacidade de trabalhar com as necessidades individuais dos alunos, incluindo os deficientes  e superdotados
Conhecimentos e habilidades específicas: alfabetização digital / TIC e mídia, instrução de leitura, uso  de materiais didáticos práticos, conhecimento da linguagem de instrução e capacidade de usar métodos de instrução bilíngues, baseados na língua materna
Inclusão, equidade, justiça social, equidade de gênero, apreciação da diversidade e habilidades e atitudes específicas para trabalhar com populações  desfavorecidas
Estabelecer conexão de conceitos abstratos e práticos às necessidades da comunidade local
Capacidade dos professores de colaborar entre si para melhorar a escola  e  o ensino
Durante minha participação, dei ênfase a alguns pontos:
a)no primeiro tema, comentei o fato de que os candidatos ao magistério no Brasil estão entre os estudantes de pior rendimento escolar, em função do baixo prestígio social da carreira docente e das condições precárias de exercício profissional; propus programa de orientação profissional visando identificar e recrutar precocemente estudantes talentosos para a carreira docente; complementei,  mostrando a necessidade de incentivar o professorado com melhores salários e “fringe benefits”;
b)no segundo tema, lamentei que os cursos superiores de formação de professores no Brasil estão deformados pela doutrinação ideológica a que seus alunos são submetidos, sob o pretexto do que os meios acadêmicos denominam de “formação para a cidadania”. Conteúdos e pedagogia – que verdadeiramente importam na formação de professores - perdem espaço para o aparelhamento político das faculdades de educação;
c)no terceiro tema, lembrei que os professores devem ter competências que lhes permitam envolver  no processo educativo tanto os pais de seus alunos como a comunidade no entorno da escola. Enfatizei a necessidade de criar programas instrucionais utilizando o smartphone em sala de aula e em atividades  fora das classes.

Foi uma experiência espetacular, em que a internet colocou o mundo da educação em meu PC.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

UM BALANÇO DAS FRAUDES NO GOVERNO DO PT

Em setembro de  2016 escrevi um blog intitulado “Falta o Livro Negro do Governo do PT”. 
Nele, critiquei o Governo Temer pelo fato de não ter elaborado e divulgado amplamente, em  um documento acessível ao grande público, os graves problemas nacionais encontrados ao iniciar sua gestão. Problemas herdados dos anos de desmandos das administrações de Dilma e Lula e que - eu acreditava – iriam ser colocados mais tarde na conta do novo Presidente, pelos próprios políticos e adeptos do PT, PSOL, REDE e similares, aproveitando-se da falta de informação e da ingenuidade da maior parte do povo brasileiro.
Não deu outra e aqui e ali já são atribuídas a Temer as mazelas fabricadas, em verdade,  por Lula e Dilma. Se o Governo Temer tivesse uma Comunicação Social apenas razoável, o tal Livro Negro do PT teria saído e talvez a impopularidade do atual Presidente não estivesse nas alturas!
O fato é que o tempo passou e tempo é algo não renovável, embora perdure  infinitamente...
Agora, na mesma linha, tenho outra sugestão, relacionada a outra característica perniciosa, comum aos Governos Lula e Dilma: a tolerância com a fraude. Hoje mesmo foi divulgado um número estarrecedor: 80% das licenças médicas do INSS foram consideradas indevidas quando mais de 100 mil beneficiários foram submetidos à perícia do órgão. Só nesse quesito vai haver uma economia de 2 bilhões de reais por ano!
Em maio de 2015 postei um blog intitulado “PELA QUALIDADE DO GASTO PÚBLICO”,  no qual aplaudia o Ministério da Fazenda (cujo titular era Joaquim Levy) pela criação de um sistema de avaliação da qualidade do gasto público - medida essencial  para evitar, em 2015, a repetição do incrível rombo financeiro do Governo Dilma em  2014.
Adicionei uma opinião que agora, dois anos depois, é mais válida do que nunca:
“O primeiro passo, prioritário, para reduzir gastos em geral consistirá sempre no combate à fraude, que campeia em vários programas do Governo Federal, como resultado de vários anos de cumplicidade/desídia dos gestores, mais interessados em criar “currais eleitorais” do que na eficiência, eficácia e efetividade de projetos e atividades financiados pelos cofres públicos. ........
Em tese, atividades e projetos que recebem dinheiro a fundo perdido (que não precisa ser devolvido) e que não exigem contrapartida financeira dos beneficiários, são os mais sujeitos à transgressão, pois o custo da fraude é zero. E proliferam, especialmente se a seleção dos beneficiados depende de declaração apresentada pelo próprio interessado,  por exemplo,  de uma certa renda mínima (caso do PROUNI e do Bolsa Família - BF) ou se depende de prova de  idade do interessado (como Benefício de Prestação Continuada - BPC para idosos sem renda e a Aposentadoria por Idade do INSS).  Quando o critério envolve contagem de tempo – de contribuição previdenciária, por exemplo – a fraude também é relativamente frequente.
Em todos os casos, porém, é bom ressaltar: o fraudador geralmente  encontra, do outro lado do guichê, um agente público conivente ou desinteressado de identificar a fraude.
O ilícito também é facilitado quando o recebimento do benefício é feito por meio de cartão magnético, em caixas eletrônicos, caso do BF, do BPC e do INSS - o que permite que terceiros se apropriem, por exemplo, do dinheiro de  aposentados/pensionistas/ beneficiários já mortos.
A arma mais eficaz para combater a fraude, na maioria desses casos, é o recadastramento periódico dos inscritos  .....................................................................................................
Outra fraude teoricamente inacreditável, mas que ocorre com recursos repassados  a fundo perdido e sem contrapartidas monetárias, acontece simplesmente pela não realização da atividade ou do projeto contratado. A proliferação indiscriminada de programas cujas verbas são entregues  a ONGs para execução, sem a devida supervisão, é a principal fonte desse crime, que acarreta um trabalho insano aos  Tribunais de Contas, impossibilitados de universalizar sua fiscalização, em um país de dimensões continentais e com infraestruturas de transportes e comunicações ainda muito precárias. A fiscalização por amostragem tem enormes limitações e pode ser previsível para infratores influentes e principalmente bem informados. Os Ministérios da Educação e do Trabalho foram e são, tradicionalmente, um campo fértil para esse e outros tipos de fraude. O MEC, porque viveu um período de verbas abundantes, gastas sem critério técnico, com o único intuito de conquistar a Prefeitura de São Paulo. O MTE, porque afinal de contas estamos em plena República Sindicalista e temos todos que pagar "pedágio"  e imposto sindical aos pelegos de plantão. Programas culturais, de qualificação profissional, iniciação esportiva, educação de jovens e adultos, saúde preventiva e educação sanitária, bem como  de ações comunitárias diversas, são alvo fácil dessas atividades criminosas.”
Infelizmente, todas essas fraudes que eu apontava como provavelmente praticadas nos governos do PT, sob os olhos complacentes das autoridades, ocorriam realmente e têm  sido detectadas e coibidas pelo Governo atual. O problema é que as notícias dessas  constatações chegam ao público gradualmente, à medida que as correções vão sendo efetivadas em cada programa.  São manchetes sem impacto maior na opinião pública.
A transparência dos gastos públicos - que as democracias exigem – aconselharia que o Governo Federal, nestas alturas, elaborasse um documento revelando as fraudes encontradas, herdadas dos antecessores Dilma e Lula, consolidando inclusive as verbas desperdiçadas com essas práticas condenáveis. Seria UM BALANÇO DAS FRAUDES  NO GOVERNO DO PT!

Não se deve afastar, também, a responsabilização dos gestores desidiosos, os quais deram graves prejuízos ao Brasil. O Governo Federal tem esse dever para com o povo brasileiro!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

ANTES TARDE DO QUE NUNCA!

A Reforma Trabalhista chega com décadas de atraso mas traz inovações que vão revigorar o mercado, dando emprego aos trabalhadores e segurança jurídica aos empregadores.
Uma dessas muitas inovações traz-me à lembrança uma sugestão que dei há alguns anos para uma Fundação que lançou um concurso público, pedindo ideias para resolver o problema crônico da falta de professores no país.
Ao lado de algumas sugestões de longo prazo, mais ligadas ao recrutamento e à formação de novos professores, apresentei uma ideia para a solução emergencial da falta e do elevado absenteísmo dos docentes do setor público.
Com a legalização do trabalho intermitente minha ideia então apresentada ganha consistência.  Sugeri à tal Fundação que sistemas públicos de ensino, principalmente no nível médio, usassem professores aposentados ou simplesmente desocupados para substituir  os mestres faltosos. A Secretaria de Educação criaria um cadastro geo-referenciado de docentes interessados em trabalhar esporadicamente. Quando algum Diretor de Escola acionasse a Secretaria, informando a falta de um titular de certa matéria em sua escola, localizar-se-ia um substituto que residisse próximo ao estabelecimento, o qual seria acionado e entraria em ação emergencialmente, sendo remunerado por hora(s) de trabalho. Seria também um meio de beneficiar os professores idosos, cujas aposentadorias são geralmente baixas e necessitam de uma complementação para permitir uma velhice digna aos antigos mestres.
Não recebi nem resposta às minhas propostas, à época do tal concurso. O que sei é que os problemas continuam exatamente como têm sido nos últimos anos: faltam professores, em especial em certas matérias e durante alguns períodos do ano letivo – neste caso principalmente no início das aulas. Em outras palavras: a tal Fundação não parece ter dado qualquer contribuição válida para a questão, da mais alta importância para a qualidade de nossa pobre educação, conforme atestam os resultados do teste de PISA da OECD.
Espero que a regulamentação dessa modalidade de trabalho suscite em algum gestor de nossos sistemas educacionais de maior porte que se inspire na nova legislação e implemente a utilização de docentes ociosos para suprir as frequentes lacunas de nossas grades de ensino, problema sobre o qual, aliás, pouco se fala, embora seja um dos fatores geradores da baixa qualidade de nossa educação pública.

Assim que a Reforma Trabalhista for sancionada o Brasil recuperará os milhões de empregos que a incompetência e a corrupção ceifaram nos últimos anos. Que venha logo, embora já tardiamente!

sexta-feira, 31 de março de 2017

ONDA VERMELHA? FEBRE AMARELA!


O imediatismo irresponsável é uma característica de muitos administradores públicos brasileiros. Sua impunidade, a certeza de que esse grave defeito de nossos governantes ainda vai causar muitos males à nação brasileira e seu povo.                    
Certo dia, no começo dos anos 70, fui avisado por minha secretária de que havia uma senhora na portaria querendo falar-me sobre a proposta de um importante estudo  na área de mão de obra. Seu nome era Julieta Maria da Costa Calazans. Mandei que a  desconhecida entrasse e a ouvi.
À época eu dirigia o Centro Nacional de Recursos Humanos (CNRH) do atual IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do Planejamento.
Eu fora para o EPEA (foi esse o nome original, sigla de Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada) em janeiro de 1965, por sugestão de Mário Henrique Simonsen, quando o órgão, dirigido inicialmente pelo Dr. Victor Alves da Silva Filho, existia ainda informalmente, idealizado pelo Ministro Roberto Campos “para pensar o Brasil”. Caber-me-ia organizar o Setor de Desenvolvimento Social do EPEA – grande desafio para um jovem engenheiro de 27 anos de idade, sem qualquer experiência anterior no serviço público. Como bom atleta, não “amarelei”: fiz o que era preciso e ali estava diante da eloquente interlocutora.
Ouvi atentamente o que Julieta Calazans, com seu forte sotaque nordestino, queria propor-me. Ela vinha do meio acadêmico, tinha raízes na área rural e desejava construir uma Classificação Brasileira de Ocupações, a iniciar-se pela agricultura - que ela conhecia em profundidade. O Brasil não tinha nada nesse sentido, nem mesmo para os setores de indústria e serviços, em que a pesquisa seria mais fácil e viável. Usávamos classificações internacionais – inadequadas para a nossa realidade - e eu sabia que o país precisava que esse trabalho fosse feito.
Sincera, no final de nossa conversa, ao entregar-me seu currículo, Julieta disse-me que sabia ser difícil que eu aceitasse sua proposta  pois eu não a conhecia, o estudo duraria muitos anos e então, provavelmente, eu nem estaria mais como chefe no IPEA, quando chegasse a hora de lançar a obra inédita e colher os louros do longo trabalho.
Procurei informações sobre Julieta Calazans: soube que era obstinada, excelente técnica conhecedora da agricultura, com boa formação acadêmica, muito ligada aos núcleos católicos de esquerda do Nordeste rural.
Pouco depois dessa reunião, sob o meu comando, o CNRH iniciou o estudo proposto por Julieta. Tive que vencer a resistência de João Paulo dos  Reis Velloso em admiti-la, pois a técnica era tida como “agitadora” e Velloso, muito zeloso por sua carreira, temia uma reação negativa dos militares. Mesmo assim consegui admiti-la para trabalhar no CNRH, por meio de acordo com a FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Como ela previra, eu saí do IPEA em janeiro de 1972 e o trabalho só foi concluído depois disso. Dele resultou a CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), obra basilar, referência insubstituível para qualquer ação, estudo, pesquisa ou política pública relacionada ao setor do trabalho no Brasil. Hoje, ninguém pode imaginar, nem de longe, a possibilidade de a CBO  não existir. E ela só foi possível graças a uma decisão mirando o longo prazo, isenta de qualquer oportunismo carreirista. Infelizmente, coisa rara no serviço público dos dias correntes.
Quanto à primeira conversa com Julieta e sua previsão de que eu não receberia o crédito da realização do monumental trabalho da CBO, ela tinha total razão. Acabo de ler na internet uma longa entrevista de Julieta, contando a história integral daquela importante realização e em nenhum momento ela menciona meu nome!!! Julieta, porém, merece perdão: seu trabalho, importantíssimo para o Brasil, foi hercúleo, competente, digno dos maiores elogios.
Mas essa falta de memória (???) pouco me importa pois quando consulto a CBO... Ah! Esse é um motivo de grande satisfação pessoal para mim - até hoje e para sempre.
Toda essa conversa vem a propósito do recrudescimento da febre amarela em nosso sofrido pais. Uma doença facilmente controlável pela cobertura vacinal de toda população. Uma solução barata desde que permanente. Como os governantes deixaram que chegássemos a esse ponto? Dengue, chikungunya, zika... Mortes irreparáveis. Uma tragédia anunciada! Falta de visão prospectiva, de responsabilidade, de espírito público. Tudo isso somado e mais alguma coisa: a  incompetência típica do populismo petista, da onda vermelha que mergulhou o Brasil em uma crise sem precedentes.


quinta-feira, 16 de março de 2017

OTIMISMO BEM EMPREGADO

O CAGED (Cadastro de Empregados e Desempregados), levantamento mensal do Ministério do Trabalho, acaba de divulgar o resultado nacional para fevereiro de 2017, o qual apontou a criação de 35.610 postos de trabalho com carteira assinada. A estatística surpreendeu todos os analistas do mercado de trabalho, incluindo os da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Infelizmente há uma grande escassez de talentos nessa área e eu me penitencio pelo fato de ter sido o Coordenador desse setor no IPEA durante 7 anos e não ter conseguido deixar uma herança sustentável de formação desse tipo de profissionais.
Um fato, porém, me confere a absolvição dessa falha: eu previ que a  reação do emprego no Brasil dar-se-ia antes do que esperavam todos...De agora em diante haverá oscilações, uma melhoria inicial tímida do mercado de trabalho, mas uma recuperação crescente caso as reformas trabalhista e da previdência sejam aprovadas, sem as benesses irresponsáveis que alguns congressistas adoram distribuir.
Rememorando meu blog de 5 de outubro de 2016:

  • " Atualmente  o desemprego é  tema onipresente na mídia. Todavia, o tratamento dado à matéria não escapa muitas vezes ao lugar comum, à adoção repetida de conceitos (ou preconceitos) equivocados. Virou quase um slogan a afirmativa de que nas crises o desemprego é o último a reagir e a recuperar-se. O que não se diz, porém, é que isso só acontece porque a tributação sobre o emprego formal, no Brasil, é extremamente alta e a CLT totalmente engessada e ultrapassada. Aqui, admitir um empregado é caro e demiti-lo é caríssimo. Logo, empregar  sempre requer reflexão e cautela. Se assim não fosse, a recuperação dos postos de trabalho se verificaria de imediato, à medida que se desse a utilização da capacidade ociosa dos setores produtivos. É de lembrar que o custo da remuneração de horas extra também é alto e sua adoção normalmente evitada.                                                                                                     Um jornal paulista de grande circulação entrevistou recentemente alguns economistas e concluiu que  “o desemprego no Brasil só deverá cair na segunda metade de 2017. Ainda assim,  a volta a níveis anteriores à crise não é cenário mais previsto para 2018. O país levará pelo menos quatro anos para sair do sufoco no mercado de trabalho”. O FMI, ainda agora, confirmou essa visão pessimista. 
  • Creio que essa colocação é exagerada e que  a recuperação se fará mais rapidamente, pois  a mudança de comando do governo federal está restabelecendo  a confiança dos setores produtivos, antes perplexos com a incompetência e a ambiguidade dos dirigentes no poder. O simples anúncio da intenção do Governo de desfazer certos nós da legislação trabalhista já entusiasma o mercado. A possibilidade aberta pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) de que a negociação entre o empresariado e os representantes  dos empregados seja reconhecida pela justiça trabalhista já criará um  clima de confiança e aí voltam os investidores e com estes mais ocupações.  Essa reversão se dará mais rapidamente ainda caso o Governo efetive uma razoável redução da burocracia, como já foi feito no âmbito do Ministério da Agricultura.
  • Nunca é demais lembrar que a volta da confiança na gestão de nossa economia ocorrerá mais efetivamente também com  o combate à fraude, ao empreguismo nas administrações públicas, com a redução  do tamanho do Estado e a conclusão das milhares de obras inacabadas espalhadas pelo nosso território.
  • Espero boas notícias nos próximos 6 meses!"
Isso foi há 6 meses. Mais recentemente, no blog de 16 de janeiro, intitulado "Pessimismo Mal Empregado", repeti essas previsões:
"A OIT – Organização Internacional do Trabalho, agência especializada da ONU,  acaba de juntar-se aos muitos analistas que acreditam no aumento do desemprego no Brasil em 2017, a níveis que podem chegar a 14% e que afirmam que só em 2018 haverá melhoria da situação.
Tratei do assunto no blog de 5 de outubro de 2016, intitulado “O DRAMA DO DESEMPREGO NO BRASIL”. Não acredito nessa quase unanimidade pessimista e mantenho minha posição: o desemprego no Brasil não ultrapassará a casa dos 12% e ainda em 2017 começaremos a recuperar os postos de trabalho perdidos no Governo Dilma. O CAGED de dezembro de 2016 ainda mostrará a perda de centenas de milhares de empregos com carteira assinada – como sempre acontece no mês de dezembro - mas em 2017 começarão a aparecer os saldos positivos.
Alguns resultados recentes são encorajadores: sucesso da operação contra a corrupção, saldo positivo recorde da balança de pagamentos, queda da inflação, possibilitando a redução dos juros e início vitorioso do ciclo de reformas de que o Brasil necessita, nos campos fiscal, previdenciário, trabalhista, tributário e político.
Sintomas discretos dessa reação já estar próxima são perceptíveis: 1. Número elevado de ofertas de estágios neste início de ano; 2. Contratações crescentes pelo agronegócio em empregos de boa qualidade; 3. Reação de certos setores industriais, inclusive recuperando mercado externo; 4.Restabelecimento gradual da confiança na economia, demonstrado pelo ingresso de capitais estrangeiros no  Brasil; 5. Retomada de alguns investimentos da PETROBRAS.
Quando estudei na Escola Nacional de Engenharia, com os Professores Kafuri e Pardal, a Estatística era uma ciência exata. Hoje, quando observamos o panorama brasileiro, temos que reconhecer que a Estatística virou uma ciência social, uma arma política disfarçada!"
Sou eternamente agradecido a meus brilhantes mestres!

VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...