Não sei se foi o inédito fechamento da Avenida Brasil ou a demolição inusitada da obra perfeita e acabada da Perimetral e sua substituição pelo indecifrável e intransponível binário (???), mas o fato é que o cavalo de São Jorge empacou e chegou atrasado ao Rio de Janeiro. Pois a batalha foi ontem... e o santo guerreiro se perdeu entre a Capadócia e a Cidade Maravilhosa, deixando Copacabana aos cuidados de São Sebastião que recebeu algumas flechadas adicionais e não evitou os tumultos que repercutiram mundo afora, atingindo a já abalada imagem da Cidade Olímpica. Hoje, nosso querido São Jorge pouco poderá fazer além de recolher as cinzas e destroços de uma noite sem precedentes, resultado da orquestração bem sucedida do crime organizado, sempre à espreita para aproveitar-se das debilidades de nossa política de segurança e utilizar-se de seus terroristas de aluguel para levar o horror à população que paga seus impostos em dia - mas não vê muitos resultados na aplicação dos dinheiros públicos.
Na década dos 60 um amigo meu comprou um amplo apartamento na Rua Sá Ferreira, no quarteirão da praia, símbolo indesmentível de status e riqueza. Viveu ali muitos anos prósperos e felizes até que sua esposa faleceu. Nos trâmites do inventário, ao ter que pagar o imposto de transmissão do imóvel, verificou que o Estado lhe cobrava muito mais do que seria razoável, supervalorizando o bem. Pediu minha ajuda no sentido de avaliar o apartamento e eu o fiz, chegando à metade do valor que lhe fora atribuído pelo Estado. Aprendi então, ao abordar o caso específico dos imóveis da região, situados no entorno da favela do Pavão-Pavãozinho, que a vizinhança daquele mostrengo, dominado por traficantes e criminosos de todos os calibres, desvalorizava enormemente todas as propriedades atingidas pela metástase urbana causada pela favela. Até então, o investimento em imóveis era caracterizado pela baixa rentabilidade, a média liquidez e a elevada segurança. Com a favelização crescente, a cumplicidade dos políticos oportunistas e a desídia das autoridades, o investimento em imóveis perdeu seu ponto forte - a segurança - pois é bem possível que plantem uma favela em poucos dias ao lado de sua casa e seu patrimônio vá para o inferno. E isso era especialmente verdadeiro para a Cidade do Rio de Janeiro, em que o sucesso eleitoral dependia muito de relaxar na proibição da expansão das favelas, fornecer tijolos para a construção de barracos de alvenaria, asfaltar becos e vielas de terra.
Com a política de pacificação, as vizinhanças das favelas que iam recebendo UPPs renasceram e passaram a viver melhores dias. Caíram rapidamente os índices locais de criminalidade e desapareceu o sentimento generalizado de insegurança. Meu amigo viu seu luxuoso apartamento recuperar parte substancial do valor original. Ipanema e principalmente Copacabana foram beneficiadas pela volta aos velhos e bons tempos.
Ontem, dia 22 de abril, data do Descobrimento do Brasil - lamentavelmente ignorada pela mídia e a opinião pública - a descoberta foi outra: a de que tudo pode voltar aos tempos em que a marginalidade imperava na Zona Sul do Rio de Janeiro. O crime organizado - que tem seus planejadores - está tentando retomar sua antiga posição territorial de força, explorando os pontos fracos da política de segurança que precisa reagir rápida e vigorosamente.
Na Guerra do Vietnã, um dos principais fatores de enfraquecimento das forças aliadas dos norte-americanos era a inesperada insurreição de aldeias - outrora pacíficas ou neutras - que se aliavam aos vietcongues e aumentavam os territórios e efetivos comunistas da noite para o dia. Cientistas sociais americanos foram chamados a colaborar na guerra e o fizeram através de pesquisas que determinavam quando uma aldeia vietnamita típica se tornava prestes à insurreição. Os pesquisadores construíram uma taxonomia, com vários atributos e variáveis, das aldeias do Vietnã e determinavam quando a probabilidade de a população se aliar aos vietcongues assumia valores perigosos. Nesse momento era feita a intervenção adequada na comunidade de modo a reverter a expectativa. Creio que a inteligência da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro deveria atuar nesse mesmo sentido em relação às favelas pacificadas. Caso contrário, a bandidagem em breve estará batendo às nossas portas e invadindo nossas praias. Literalmente. A não ser que o trânsito no Rio melhore (improvável!) e São Jorge chegue na hora certa para fazer o milagre de aniquilar o dragão do crime organizado de nossa pobre Cidade...
PS - Nas décadas de 50 e 60 moravam na Ladeira Saint Roman - hoje acesso deprimido à favela Pavão-Pavãozinho - algumas das famílias mais ricas do Brasil. Lembro de Azevedo Antunes, Juraci Magalhães e Levy Gasparian...
quarta-feira, 23 de abril de 2014
domingo, 23 de março de 2014
AS CADEIRAS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Vi pelas televisões a indignação da imprensa contra a
prática comercial de um cursinho pré-vestibular de Montes Claros. Esse tipo de estabelecimento
de ensino, que prepara os estudantes para exames de ingresso na Universidade, é
uma resposta clássica do mercado às disfuncionalidades centenárias da educação básica brasileira.
Não existiria se os alunos estivessem realmente prontos ao concluir com êxito (formal)
o ensino médio. O cursinho mineiro tem salas em que sentam 100, 200 e até 300
alunos simultaneamente. Geralmente, os professores que dão essas aulas para
verdadeiras multidões, dominam os conteúdos curriculares e são quase- artistas,
com grande capacidade para motivar e prender a atenção dos estudantes,
utilizando-se de truques e meios audiovisuais diversos. Ainda assim, por motivos variados, o
posicionamento favorável dos estudantes na sala tem importância estratégica.
Nasceu, por esse motivo, a natural ideia da direção do cursinho de cobrar um adicional de quatrocentos reais anuais daqueles alunos que quisessem gozar do
privilégio de uma cadeira cativa nas primeiras filas. São as tais “cadeiras VIP”, brancas, mencionadas
e mostradas nas reportagens indignadas da mídia.
Imediatamente o PROCON e o Ministério Público intervieram e
a prática foi descontinuada. Sanções ao
cursinho estão em andamento... Folgo em saber que a prestação de serviços
educacionais entrou na pauta dos órgãos de defesa do consumidor e estimo que
daqui em diante sejam ampliadas as ações desse tipo, como já aconselhei em blog
anterior. O controle de qualidade da educação, alvo de minhas preocupações mais
recentes, só será efetivo quando assumir a relevância que já tem a vigilância
exercida, pelo consumidor em geral, em relação aos demais produtos e serviços, tornando-se
uma prática rotineira da nossa população.
Apesar de “a compra da cadeira VIP” ser facultativa, agiram
bem as autoridades competentes (sic) ao
proibi-la, pois a meta do poder público para a educação deve ser a busca,
simultaneamente, de qualidade e equidade, pois é exatamente isso que mais falta
no Brasil.
PROCON e Ministério Público deveriam agora, por uma questão igualmente
de justiça e equidade, levar a endereços mais nobres o mesmo tipo de intimação
a que submeteram o modesto cursinho de Montes Claros. Sugestões?
1)
Visitar Prefeituras e Palácios de Governos
Estaduais: ainda agora, ao final de março de 2014, há mais de um milhão de
estudantes da escola pública brasileira ainda sem aulas, por motivos os mais
variados: greves diversas, déficits crônicos de professores, absenteísmo
exagerado dos quadros docentes, licenças médicas fajutas para mestres
preguiçosos, falta de transporte escolar ou de uniformes para os alunos do
ENCINO (assim estava escrito nas camisas compradas pelo governo) público e
assim por diante. Reflexo da péssima atenção que o Brasil dá a sua educação e
da gestão irresponsável das autoridades competentes (rsrsrs). Falta de
planejamento, incapacidade de prever o previsível, cumplicidade com auxiliares
desidiosos, interesses eleitoreiros espúrios, enfim uma constelação de
equívocos. Por tudo isso, intimá-los...
2)
Acampar na Esplanada dos Ministérios, em frente
ao MEC e ao MTE, desviando parte dos fiscais para o Palácio do Planalto:
a) no momento atual, o governo faz um
grande e louvável esforço para ministrar educação profissional inicial e
continuada a milhões de trabalhadores pelo PRONATEC, em virtude de o Ministério
do Trabalho ter sumido com as verbas do FAT que nos últimos 12 anos deveriam ter treinado nossos jovens,
provocando assim um “apagão de mão de obra sem precedentes”. A produtividade de
nossa indústria caiu; nossos serviços estão caríssimos, em função dos
desperdícios causados por trabalhadores desqualificados; a mão de obra rural, cada vez mais problemática,
está sendo substituída massivamente por máquinas. O grande problema é que os
candidatos que chegam ao PRONATEC não são treináveis de imediato! Motivos: não
sabem ler e entender uma folha de instruções; não sabem fazer cálculos simples
de soma e subtração e assim por diante. Causa, uma só: receberam uma educação básica
de péssima qualidade.
b) o Brasil tenta distribuir mais de 100 mil bolsas de estudo gratuitas no
exterior para as Universidades, mas acaba de descobrir que não há candidatos em
número suficiente! Motivo: falta de proficiência no domínio de uma segunda
língua. Causa, a mesma: receberam uma educação de péssima qualidade.
UM APELO:
Autoridades competentes do PROCON e do
Ministério Público, por favor: intimem nossa Presidente e seus Ministros, pois
eles também cobram dos contribuintes brasileiros pelas “cadeiras VIP da
educação”. Se você, caro leitor, quer dar uma educação decente a seus filhos, além do que já sangra pelos impostos escorchantes dos governos, pague por uma cadeira branca em um bom colégio particular, desses que estão
sempre nos primeiros lugares do ENEM. Caso contrário, seus filhos vão sentar lá
atrás, como a maioria do nosso povo, milhões de brasileiros que vão ficar pelo resto
da vida no fundo da sala, sem ver, sem ouvir, sem entender.
sexta-feira, 7 de março de 2014
ESPORTE E EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
Ensino de qualidade tem que incluir a educação física como
matéria obrigatória e propiciar oportunidades reais de prática desportiva aos
estudantes.
Quando fui membro do CFE - Conselho Federal de Educação (atual
CNE - Conselho Nacional de Educação), no
início da década dos 70, participei da elaboração da Reforma do Ensino Primário
e Médio, consubstanciada na Lei no
5.692, de 11 de agosto de 1971. Lutei e
votei pela obrigatoriedade da prática da educação física e desportiva no
sistema educacional brasileiro. Posteriormente, aprovada a lei, fui escolhido Relator da regulamentação dessa
obrigatoriedade no Conselho. À época eu dirigia o CNRH – Centro Nacional de
Recursos Humanos do EPEA (hoje IPEA) que produziu o I Diagnóstico da Educação
Física e Esportes no Brasil e que a seguir coordenou a elaboração do I Plano
Nacional de Educação Física e Esportes, um marco histórico desse setor. Minha informação a respeito estava bem
atualizada. Atleta de voleibol do
Fluminense e ex-jogador da Seleção
brasileira, meus colegas do CFE consideraram
minhas credenciais suficientes para que
eu realizasse o trabalho. Fui assessorado pelos Professores Lamartine Pereira da Costa e
José Garcez Ballariny, do EPEA, cuja colaboração foi decisiva.
Ao correr do tempo,
não só pela evolução tecnológica da sociedade moderna – um convite permanente e
sedutor ao sedentarismo – mas pela minha
própria observação do cotidiano – verificando
que a boa qualidade de vida está no
equilíbrio entre trabalho e lazer, atividades físicas e intelectuais –
considero que aquela legislação do CFE foi uma ótima contribuição à educação brasileira. Esporte e educação física são fundamentais
para nossa formação.
O esporte tem notável
influência positiva na socialização, na saúde física e mental, contribui
para uma visão equilibrada e regrada da competição, impõe a aceitação da
natural alternância entre vitórias e derrotas durante a vida, estimula o
companheirismo, a lealdade, a pertinácia e beneficia muitos aspectos importantes da esfera
psicossocial. O esporte é um efetivo
antídoto contra a proliferação das drogas e da violência, além de um fator de
ascensão social cada vez mais importante,
à medida que o esporte escolar vai permitindo aos adolescentes e jovens pobres
a oportunidade de revelar seus talentos. O
que não acontece com os dotes intelectuais dos alunos carentes,
sufocados por uma escola de má qualidade, que não oferece a base de
conhecimentos de que necessitam para tentar o ingresso na Universidade e trilhar
os caminhos nobres da ciência, da tecnologia e da prática profissional de
ponta. Na escola de qualidade vão surgir as vocações de futuros atletas - que irão percorrer o trajeto
esporte-profissão, entrando em um
importante segmento do atual mercado de trabalho e das relações
internacionais, cujas tendências futuras de crescimento são extremamente promissoras.
Na escola de
qualidade também devem nascer os hábitos
da prática sadia da atividade física para toda a vida e a educação da educação
física presta-se maravilhosamente às abordagens transversais, que permitem
enfocar problemas sérios que crescentemente vão acometendo nossa sociedade.
Temas não faltam: o combate aos vícios em geral, seja do uso de drogas lícitas (como o fumo e o
álcool) como das ilícitas; a conscientização acerca da futilidade do falso
culto ao corpo; o perigo dos excessos comuns em
alguns centros de preparação física, tanto na intensidade dos exercícios
em si quanto no uso de substâncias que
prometem força e beleza a curto prazo, mas cobram um alto preço em saúde. Todas
essas questões têm que ser enfocadas pelos bons professores de educação física
com seus alunos - crianças, adolescentes ou jovens.
Não custa repetir que são múltiplas e cada vez mais
eloquentes as pesquisas na área médica consolidando a atividade física como um
dos mais importantes fatores de higidez, de melhoria da qualidade de vida e aumento da longevidade.
Embora ainda sujeitas a controvérsias, investigações recentes tendem a mostrar
a igualmente importante contribuição dos exercícios físicos para o
desenvolvimento do intelecto. Pesquisadores da Escola de Medicina da
Universidade de Boston (BUSM) encontraram evidências de que a atividade física
é benéfica para a saúde do cérebro e para a cognição. Certos hormônios, secretados durante o exercício, ajudariam a
melhorar a memória. Em outro estudo,
publicado em outubro de 2013, o Dr. Bruce Spiegelman, do Instituto Dana-Farber Cancer e
Harvard Medical School relatou que uma molécula chamada FNDC5 e seu subproduto,
irisina, tornam-se elevadas no cérebro quando fazemos exercícios de resistência. Spiegelman e a sua equipe também descobriram
que aumentos nos níveis de irisina estão na origem da melhoria da capacidade da
neurogênese - crescimento de novos
neurônios. Querendo saber mais, leia o Apêndice.
MENS SANA IN CORPORE SANO
Tive o privilégio de estar no sítio arqueológico de Olímpia, cidade-berço da competição entre os maiores atletas da Grécia
Antiga, origem das Olimpíadas modernas. Foi em
776 a.C que se realizou o primeiro
torneio, que se repetiria de quatro em quatro anos, suspendendo as guerras
eventualmente em andamento, até que o
imperador romano Teodósio I o suprimiu em 394. Senti uma intensa emoção ao
visitar o estádio e imaginar como seriam então os Jogos, origem de um tipo de atividade
humana que me deu tantas alegrias, oportunidades e inculcou-me a perseverança e
muito vigor para a luta por toda a vida. Recordei que ali se fundiam, harmoniosamente, esporte e arte. Fídias, o maior dos
escultores gregos, mantinha em Olímpia um ateliê que ocupava durante os Jogos, ao
lado do Templo de Zeus. Deus que Fídias representou
em uma gigantesca estátua em marfim e
ouro, considerada uma das sete
maravilhas do mundo antigo.
Durante muito tempo, vários Diretores de escolas brasileiras
apresentavam a falta de espaço como álibi para não oferecer a atividade
esportiva a seus alunos. Conversa fiada...
Escola cujo objetivo seja ministrar
ensino de qualidade inclui os esportes
e a educação física dentre as
atividades preferenciais oferecidas a seus alunos, usando de todos os meios
para consegui-lo. No site http:// www.procrie.com.br
-
mantido pelo Professor Roberto
Pimentel - qualquer interessado obterá,
por exemplo, as informações pertinentes
para usar o minivoleibol como centro das atividades esportivas/educativas na
escola, com a grande vantagem da ampla abrangência etária de praticantes
potenciais, dos baixos custos dos materiais
usados e dos pequenos espaços requeridos para sua prática. Melhor ainda
se o Prefeito se interessar em obter uma assistência técnica específica de
Roberto Pimentel para sua implantação no
sistema de ensino público do Município.
APÊNDICE: “Exercising Intelligence: How research shows a link between physical activity and smarts”. Autoria de Jay Bonaretti
Um grande estudo realizado na Academia Sahlgrenska e pelo Hospital Universitário Sahlgrenska , em
Gotemburgo , na Suécia, revela que os jovens adultos que se exercitam
regularmente têm escores de QI mais altos e são mais propensos a ingressar na
universidade .
O estudo foi publicado na revista Proceedings, da Academia
Nacional de Ciências (PNAS) , e envolveu mais de 1,2 milhões de homens suecos .
Os homens estavam realizando o serviço militar e nasceram entre os anos de 1950
e 1976 . Ambos os resultados dos testes físicos e de QI foram revisados pela
equipe de pesquisa . Os resultados da análise revelam uma clara ligação entre a
aptidão física e os resultados dos testes de QI. Em particular, a compreensão
verbal e o pensamento lógico mostram maior associação com a aptidão. No entanto , a força não foi associada com um
aumento no QI.
"Estar em forma significa que você também tem bom
coração e capacidade pulmonar e que seu cérebro fica cheia de oxigênio ",
diz Michael Nilsson, professor da Academia Sahlgrenska e médico -chefe do
Hospital da Universidade de Sahlgrenska . "Esta pode ser uma das razões
pelas quais nós podemos ver uma ligação clara com a aptidão , mas não com a
força muscular. Nós também observamos
que existem fatores de crescimento que são importantes."
Os pesquisadores também analisaram os dados de gêmeos e
concluíram que fatores ambientais são mais importantes que a genética na
associação entre QI e fitness. "Também mostramos que esses jovens que
melhoraram a sua aptidão física entre as
idades de 15 e 18 anos também aumentaram
o seu desempenho cognitivo ", diz Maria Åberg , pesquisadora da Academia
Sahlgrenska e médica no Centro de Saúde DBY. " Sendo este o caso , a
educação física é um assunto que tem um lugar importante nas escolas, e é uma
necessidade absoluta , se quisermos obter bom desempenho em matemática e outras
disciplinas teóricas. "
Outro resultado interessante da análise foi a descoberta de
que aqueles que estavam mais aptos na idade de 18 anos eram mais propensos a frequentar a
universidade e a encontrarem melhores empregos no mercado de trabalho.
O estudo foi realizado no Centro de Reparação e Reabilitação
Cerebral de Gotemburgo, em conjunto com o Karolinska Institutet .
Referência:
Aberg MA, Pedersen NL, Toren K., Svartengren M., Bäckstrand B., T. Johnsson ,
Cooper- Kuhn CM , Aberg ND, Nilsson M., Kuhn HG (2009). Aptidão
cardiovascular está associada com a cognição na idade adulta jovem . Proc . Natl . Acad . Sci . U.S.A.
106 , 20.906-20.911 (“Exercising Intelligence: How research shows a link
between physical activity and smarts” in
Site http://www.ironmanmag.com.au, Capturado em 06/03/2014)
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
MONITOR DE HOJE É O PROFESSOR DO AMANHÃ
Nos meus tempos de colégio, o
monitor era aquele aluno que se destacava em determinada matéria e era
escolhido pelo professor para ajudá-lo em suas aulas e eventualmente realizar
algumas tarefas específicas com os colegas, tais como reações de química,
exercícios de matemática, experimentos de física e assim por diante. No Colégio
Mello e Souza, o monitor de Química era o Victor, uma vocação de mestre. Victor
Notrica, depois de formado, foi um professor de ponta e quando o revi era
Diretor do Instituto Guanabara, na Tijuca, Rio de Janeiro. Até o fim de 2013 foi
o Presidente do Sindicato de Estabelecimentos de Ensino Particular no Rio de
Janeiro (SINEPE Rio) e hoje é seu Vice-Presidente.
Monitor! Aí está uma velha ideia
que ainda cabe nestes tempos de escassez de vocações para o professorado. A busca
de talentos para o magistério deve começar desde cedo, no próprio ambiente
escolar – o mais propício para o recrutamento e a seleção de jovens motivados para o exercício
da profissão. Dentro dessa perspectiva, a instituição, nas escolas públicas de
nível médio, da figura do “aluno-monitor” (ou simplesmente monitor), pode
contribuir para a renovação dos respectivos quadros docentes. Os monitores
seriam escolhidos dentre os melhores alunos, ao fim da primeira série do ensino
médio e ajudariam os docentes da disciplina escolhida nas duas séries seguintes,
havendo uma política deliberada de estímulos diversos para lograr seu
comprometimento natural com a profissão docente. Para a identificação e a assistência ao
trabalho dos monitores, as Secretarias de Educação (ou os Diretores das escolas,
por delegação da Secretaria) designariam “professores-tutores”, verdadeiros olheiros
e treinadores, encarregados da busca e orientação dessas vocações precoces (os
alunos-monitores). Os monitores receberiam bolsas de iniciação à docência como
remuneração, no valor mensal de um terço do salário mínimo, para sua manutenção
pessoal, compra de livros, equipamentos de informática e demais materiais
didáticos. No caso de mau aproveitamento escolar, a critério dos Diretores, o
monitor deixaria o Projeto.
Quando o monitor participar do ENEM
(só poderá fazê-lo uma vez depois de seu ingresso no projeto) e ficar colocado
entre os 1.000 candidatos com maiores notas globais no Brasil, os “professores-tutores”
que os indicaram receberão uma gratificação (por aluno indicado e colocado) da
respectiva Secretaria de Educação. Sempre que um monitor se classificar para o
ensino superior e optar por cursar uma Licenciatura, seu tutor também será
gratificado.
Todos os estudantes, dentre os 10.000
melhores classificados no ENEM, que optarem por cursar as Licenciaturas em
Universidades públicas, receberão bolsas de manutenção pessoal equivalentes a
um salário mínimo, durante toda a duração do curso de Licenciatura. Os
bolsistas perderão o benefício caso sejam reprovados, se evadam ou mudem de
curso. Esse número (10.000) poderá
variar em função das necessidades do sistema e das disponibilidades de recursos.
Os estudantes, dentre esses mencionados, que frequentarem estabelecimentos de
ensino superior em que não haja gratuidade, receberão adicionalmente bolsas do
PROUNI que cubram 100% das suas anuidades durante todo curso, desde que sejam aprovados em todas as matérias
(ou em todos semestres letivos), cessando o benefício no caso de reprovação,
evasão ou mudança de curso.
No decorrer da Licenciatura, esses
estudantes, a cada ano, farão estágio de 1 mês, dando aula no ensino médio
público, ganhando remuneração cumulativa com as bolsas que porventura recebam.
Formados na Licenciatura e depois
de dois anos de serviço no ensino médio público esses professores, antigos
monitores, passarão a ser elegíveis para receberem licenças remuneradas e
bolsas para fazerem cursos de Mestrado
gratuitamente.
Dois anos após completado o
Mestrado, os professores poderão ser elegíveis para ganharem novas licenças remuneradas
e bolsas para fazerem o Doutorado gratuitamente.
Cinco anos depois de concluído o
Doutorado, os professores podem apresentar um projeto visando um estágio de
especialização em Universidades do exterior.
- ONG selecionada poderia liderar o Projeto Monitoria, firmando convênio com as Secretarias de Educação que aceitassem as condições deste projeto (concessão de licenças remuneradas para educação continuada dos docentes e designação e gratificação dos “tutores”). A ONG obteria também a adesão de empresas para cobrirem os custos dos monitores até o fim de suas Licenciaturas. A ideia é manter o Projeto ativo durante um longo período, suficiente para formar um estoque apreciável de docentes talentosos.
- As ONGs atuando no Brasil mantêm incontáveis “escolinhas” de futebol, voleibol, basquete etc além de numerosíssimos cursos de iniciação à música, dança, capoeira etc etc mas não há publicidade de qualquer iniciativa desse teor visando descobrir futuros matemáticos, físicos, químicos, biólogos e principalmente professores. Este projeto - quem sabe? - pode ser o início desse novo modismo, com reflexos positivos e importantes para o Brasil.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
PROFESSORES TALENTOSOS SÃO CELEBRIDADES
- O
CONTEXTO
O país necessita
de instrumentos de política para atrair os jovens talentosos para o
professorado das escolas públicas de nível
médio, ainda em expansão, pois os efeitos nocivos dos respectivos deficits
vão agravar-se a curto prazo. Em 2011 o ensino médio brasileiro tinha 8,4
milhões de alunos e ocupava cerca de 500 mil professores. Sua expansão é relativamente
recente e continua em andamento (o ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos só foi inserido na
Constituição em 2009), sem que se tenha feito a respectiva formação dos
quadros docentes, com bons padrões de qualidade. Pior: a relação
candidatos/vagas nas Licenciaturas deteriora-se em termos qualitativos
(candidatos são cada vez menos habilitados). Agravando o deficit, há uma demanda
concorrente de professores para as novas unidades federais de ensino técnico,
construídas nos últimos anos: em 2002 existiam 140 dessas escolas; em 2012 já são
354 e em 2014 serão 562. Emergencialmente, essas instalações estão
sendo utilizadas pelo PRONATEC, um programa que visa atender a milhões de
jovens para sanar o “apagão de mão de obra qualificada” que está prejudicando
muito a economia do país, baixando sua produtividade e a competividade de
nossos produtos e serviços.
- CONSEQUÊNCIAS
NEGATIVAS
O controvertido
“sistema de cotas” é sintoma eloquente de
que o ensino público de nível médio é um obstáculo à democratização de
oportunidades no Brasil. Frequentado pelos jovens pobres e dos estratos de
menor renda da classe média, seus diplomados têm dificuldades no acesso ao curso superior de
melhor qualidade e na transição para o mercado de trabalho. A “hora da verdade”
para formados nos cursos médios das escolas públicas pode chegar nos maus
resultados em exames vestibulares, em provas do ENEM e na dificuldade de classificação
para o SISU e o PROUNI. Agora mesmo há sobra de bolsas de estudo no exterior
dentro do programa Ciência sem Fronteiras pelo fato de os estudantes brasileiros
não dominarem uma segunda língua. A má qualidade do ensino público pode também evidenciar-se
quando da busca do primeiro emprego formal, dificultada pelo desprestígio da
formação recebida, deficiente e cheia de lacunas, já bem conhecida das
empresas. Em muitos casos, por não dominar certos conhecimentos básicos, esses
jovens fracassam até mesmo ao frequentar os cursos de qualificação profissional
necessários à colocação em postos de
trabalho exigentes em competências e habilidades específicas. Nessas situações,
os estudantes estão pagando o preço dos desfalques nos quadros docentes, repetidos
a cada ano letivo, em muitas escolas das várias Unidades da Federação; sendo
penalizados pelo absenteísmo/grevismo exagerados de seus mestres desmotivados, uma
constante; e lamentam as poucas aulas ministradas em matérias essenciais – como
Matemática, Física e Química – nas quais o déficit de professores é mais agudo. Esta proposta,
por tudo isso, prioriza a atração/retenção de docentes para o ensino médio
público.
- FORÇAS
DE ATRAÇÃO E REPULSÃO
A conquista de
talentos para o exercício do magistério em nossa educação básica pública encontra
uma barreira inicial na situação em que a maioria dos professores exerce
atualmente essa profissão. Fato muito divulgado pela mídia, mostrando escolas localizadas
em zonas de risco, em condições físicas deploráveis, sem equipamentos
essenciais; ou realçando o fato de que a violência das periferias e favelas e a
penetração das drogas entre os jovens já adentraram as salas de aula. Culminando com a omissão de certas
autoridades, cuja gestão displicente e burocrática falha no apoio aos
funcionários e docentes trabalhando nessas condições de risco. Testemunhos
eloquentes de que dificilmente se poderia caracterizar o magistério público como uma
carreira estimulante, recompensadora, capaz de exercer fascínio sobre as novas
gerações, sobretudo atraindo seus elementos mais capazes. Ao contrário, a
realidade atual é importante fator de repulsão à profissão. A valorização do corpo
docente em atividade é, por isso mesmo, condição “sine qua non” para captar
talentos para a carreira, em face de seu “efeito demonstração”. Além do que há risco de perder muitos dos docentes em atividade -
provavelmente alguns dos mais qualificados - propensos a migrar para ocupações melhores,
em setores mais promissores. Neste vasto país continental, nos sistemas
públicos de ensino médio, de qualidade sofrível, há porém trabalhos valiosos em andamento. Exemplos
de boas práticas que devem ser divulgados, visando sua universalização.
- A
FORÇA DO MARKETING E CRITÉRIOS MERITOCRÁTICOS
A situação
desfavorável do professorado em atividade não é, todavia, um obstáculo
intransponível para recrutar novos e bons valores para a carreira. Certas
analogias desmentem esse determinismo. A profissão que maior atração exerce
sobre a nova geração do sexo masculino no Brasil é a de jogador de futebol. Não
havendo problemas de recrutamento para esse esporte, a vasta demografia
brasileira resulta em oferta abundante de talentos. E como o sistema de seleção funciona
obedecendo aos critérios de mérito, nossos jogadores fazem sucesso global e
ocupam espaços abundantes na mídia mundial. Fechando o “círculo virtuoso”, há cada
vez mais brasileirinhos que almejam e tentam o estrelato futebolístico. No
entanto, quando se vai pesquisar a situação real dos jogadores atuando no
Brasil, verifica-se que além de a carreira ser curta, a esmagadora maioria
trabalha em condições precárias, mora em alojamentos desconfortáveis, recebe
remunerações modestas – abaixo da média salarial do trabalhador brasileiro,
pesquisada nas seis maiores regiões metropolitanas pelo IBGE (na Pesquisa
Mensal de Emprego). A grande atratividade dessa profissão deve-se ao sucesso de
algumas poucas centenas de jogadores de ponta que ganham somas milionárias,
levam uma vida social charmosa, têm acesso ao “grand monde” e muita exposição
nas mídias. O apelo da carreira futebolística resulta de os jovens pretendentes
acreditarem na sua própria capacidade para “chegar lá” e na prevalência do
mérito, como fator de julgamento para definir quem vai fazer sucesso. Na
prática do jogo, predomina a meritocracia: os atletas estão sempre expostos aos
olhos dos técnicos e ao julgamento das multidões. O marketing das estrelas e a prevalência
do mérito atraem os jovens talentosos. Já existem algumas iniciativas no ensino
público – muito tímidas e suscitando forte reação contrária - no sentido da implantação
de sistemas de remuneração diferenciada segundo o mérito. O fato de a educação
presencial ainda ter as características econômicas de um artesanato, em que a
produtividade média da mão de obra é baixa, torna inviável pagar altos salários
às centenas de milhares de professores em atividade. Assim, a gradação salarial
fundamentada na produtividade talvez fosse uma das boas soluções para atrair
talentos para a docência. Infelizmente, trata-se de um sonho irrealizável no momento
brasileiro atual. De um lado, pela própria dificuldade de realizar comparações de
mérito nos serviços públicos, desorganizados e incapazes de supervisionar suas
unidades. De outro, em função da
ideologia dominante nas esferas de poder brasileiras – uma mentalidade que repele
a evidenciação das diferenças individuais e não admite nem discutir soluções meritocráticas.
Finalmente, a resistência dos próprios professores e seus sindicatos de se deixarem
avaliar.
- A
SOLUÇÃO
É preciso
contornar – ainda que parcialmente – as barreiras à prevalência do mérito.
Buscar caminhos para premiar generosamente os professores talentosos,
transformá-los em “celebridades”, criar o “efeito demonstração” que torne a
carreira atraente e charmosa. A proposta para reter os milhares de docentes em
atividade – e de quebra motivar jovens candidatos ao magistério - seria conceber
e executar uma programação de CONCURSOS variados de BOAS PRÁTICAS DE ENSINO, com grande publicidade e ótimos
prêmios, abertos aos professores do ensino médio público. Cada Concurso teria:
a) divulgação ampla na grande mídia, cobrindo sua abertura, premiação e
resultados finais, de modo a tornar conhecidos e admirados os professores vencedores
– transformando-os em personalidades midiáticas; b) recompensa pecuniária elevada
para os docentes vitoriosos, que realizem trabalhos notáveis, de modo a generalizar a crença de que a carreira
permite acumular um bom patrimônio e que seu mérito é reconhecido pela
sociedade; c) divulgação detalhada, pelos meios adequados, do conteúdo dos
trabalhos premiados, de modo a servirem como motivação, inspiração e
treinamento prático para os demais docentes em atividade. Os participantes dos Concursos seriam
os atuais professores do ensino médio público, que poderiam apresentar
trabalhos individuais ou em grupo (estimulando a multidisciplinaridade), mas o
programa também influenciaria os jovens talentosos que estão no período de
escolha da profissão. O ensino médio brasileiro é urbano (97%), mas os Concursos, seus vencedores e os
projetos premiados, dependendo dos recursos midiáticos utilizados na divulgação,
serão conhecidos em todo território nacional, influenciando docentes de todos
os níveis. O prestígio social em alta, a notoriedade granjeada pelos ganhadores –
“celebridades do conhecimento” – e o dinheiro auferido na disputa, são as motivações para atrair e reter mestres
talentosos em geral, dando-lhes a esperança de que seu trabalho terá o justo
reconhecimento. A percepção acerca da
carreira no ensino público se fará sob um novo olhar, identificando dinamismo,
espírito de iniciativa e de inovação onde antes só parecia haver imobilismo e
burocracia. O projeto tem a vantagem de que um pequeno grupo pode coordenar sua
implementação. Especialista em Concursos se encarregará de sua concepção e execução,
com um ou dois educadores para assessorá-lo. Haverá um sítio próprio e
exclusivo dos Concursos na internet, com a respectiva equipe terceirizada, o
que facilitará o envio do material pelos concorrentes – o qual poderá atingir
quantidades ponderáveis e adquirir formatos diversos: vídeo com som; vídeo
ilustrando texto; “power point show” ou similar; texto com ilustrações etc etc.
Um grupo de jurados de notório saber, escolhido a cada Concurso, será
responsável pela seleção inicial dos concorrentes. Na maioria dos casos, os
vencedores dessa primeira “peneira” serão submetidos a uma segunda etapa de
validação e julgamento, realizada “in
loco” (na comunidade, escola etc) e bem documentada, precedendo a decisão
final. Havendo televisionamento e sucesso dos Concursos, pode-se ter votação
popular em cada julgamento final, por meio do sítio na web ou através de
telefonemas - neste caso a receita revertendo para os vencedores e/ou a produção
do programa. O ideal seria utilizar o programa de TV de algum comunicador com
grande audiência para lançamento, julgamento final e divulgação dos resultados.
E sobretudo para celebrizar os vencedores. Há viabilidade de conseguir cotas de patrocínio de empresas de âmbito
nacional, pelo próprio valor publicitário da promoção ou dentro de seus programas
de responsabilidade social. O Concurso pode levar o nome do patrocinador
principal ou de marca de sua escolha. É possível
começar o programa quase de imediato, devendo o Concurso preceder o início dos
semestres letivos. Cada um deles estender-se-á por um ou dois semestres, mas a
série será duradoura, na medida do êxito e sempre que novos temas de competição sejam idealizados. O
resultado esperado é a retenção dos bons docentes em atividade, o crescimento
do prestígio social da carreira e a maior adesão futura de talentos à profissão.
O lançamento do Concurso em si melhorará a qualidade do ensino médio público de
imediato, pois os docentes em atividade se esforçarão por desenvolver trabalhos
pedagógicos relevantes, visando a própria participação no certame. Podem ter todo esse
impacto esperado, por exemplo, os Concursos para professores versando sobre: a)
criação de jogos educativos (eletrônicos ou não) de caráter pedagógico; b) desenvolvimento
e execução de atividades criativas de
envolvimento dos alunos com a comunidade; c) projetos de ciência e tecnologia
desenvolvidos em suas classes; d) concepção de programas de computador visando
a educação a distância; e) idealização e
aplicação de projetos de atividades pedagógicas em parceria com empresas; f) criação e aplicação, com seus alunos, de
projetos de economia solidária em comunidades carentes; g) idealização e
execução, em benefício de seus alunos, de
projetos de empreendedorismo e colocação no emprego; h) elaboração, individualmente
ou em grupo, de material didático para tópico(s) relevante(s) de determinada matéria
ou temas interdisciplinares. Será também possível lançar Concurso(s) idealizado(s)
de forma dirigida para professores desta ou daquela disciplina, cujos efetivos são
mais deficitários ou no caso de falta de candidatos talentosos à respectiva Licenciatura. Ao longo do tempo, os temas podem ter complexidade
crescente, por exemplo Concursos sobre trabalhos de criação de tecnologias
sustentáveis realizados pelos docentes com seus alunos ou então a concepção, formulação e implementação de projetos
que tornem o resultado de determinada política pública mais eficaz para a
comunidade em que se insere a escola etc etc. Cada um desses Concursos dará
origem a rico material didático multimídia, utilizável para treinamento presencial
ou a distância de professores, atuais e futuros, do ensino médio. Após alguns
Concursos e uma pós-produção adequada do material, ter-se-á uma coletânea dos projetos vencedores que se
constituirá em excelente e abrangente curso de aperfeiçoamento de docentes em
práticas pedagógicas. E montar-se-á, automaticamente, uma equipe de “craques”
do magistério: serão os próprios vencedores e melhores colocados dos diversos certames,
provavelmente residindo em vários locais diferentes, que poderão funcionar como
rede capilar para realizar diversas tarefas importantes: atuar como propagandistas,
instrutores e multiplicadores dessas coleções didáticas, dar treinamentos,
palestras, participar de Seminários Operacionais. O material didático de
qualidade, assim produzido, é passível de concorrer a financiamento dos
programas de material didático do MEC. Há uma gama ampla de possibilidades
dentro da lógica deste projeto, extensível a outros níveis de ensino e até para
atingir mais diretamente os jovens talentosos que estão na fase de escolher a
profissão. Com a continuidade, esta série de Concursos será um poderoso
instrumento de política educacional. Independente, democrático, fundamentado no
mérito.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
SOS PROFESSOR SENIOR
- ROTINA DA NÃO-QUALIDADE DA EDUCAÇÃO
Chegou a época
do ano em que a mídia repete a notícia
da falta de professores em inúmeras escolas públicas de todo país. O início do ano letivo não chega para todos,
principalmente no ensino médio, em algumas matérias importantes como
Matemática, Física, Química. Problema crônico, generalizado e inaceitável
quando se pretende uma educação de qualidade. Enquanto não sobram professores uma sugestão razoável seria a de se ter um
corpo docente de reserva, pronto para atender emergências, mas que não pesasse
nos cofres públicos a longo prazo. Isso mesmo: temporários que se sentissem
confortáveis nessa posição. É possível e
viável sob o aspecto financeiro.
- TENDÊNCIAS
O ensino médio
brasileiro vive acentuada escassez de professores que irá piorar em breve,
pois as matrículas continuam crescendo, em especial nos sistemas públicos e a
preparação de docentes, apesar de todos os esforços, não está acompanhando essa expansão. Ao mesmo
tempo, existem reservas inaproveitadas de recursos humanos qualificados dentre
as pessoas da terceira idade, que tendem a aumentar, configurando um
desperdício de alto custo econômico e sérias consequências humanas. Nossa
população sofre rápido processo de envelhecimento. O Censo de 2010 registrou a elevação da vida
média do brasileiro para mais de 73 anos e contou 20,5 milhões de residentes
com 60 e mais anos de idade, equivalentes a 11% da população total. Em 2000
eram só 8,6% - 14,5 milhões de pessoas. Em 2009, na PNAD do IBGE, 46% dos idosos se declararam saudáveis e capazes
de trabalhar. Em diversos países que tiveram sua transição demográfica antes do Brasil, prevalece o conceito do
“envelhecimento ativo”, com total inserção social do idoso, inclusive no mundo
do trabalho, onde é capaz de realizar atividades não braçais pelo menos até os
75 anos de idade – um novo “ciclo produtivo”, com características peculiares,
que representa um acréscimo substancial no período de utilização desses recursos humanos. Estratégia válida para reduzir custos e superar
a carência (principalmente a sazonal) de alguns tipos de profissionais que têm
um papel socieconômico relevante e cuja formação é demorada e cara. E também
para evitar problemas psicológicos graves, como depressão e outros distúrbios criados
por inatividades indesejadas da população idosa. Questão que faz parte da agenda de responsabilidade social
de muitas empresas, que aplicam, a seus empregados, programas de transição e adaptação
quando a aposentadoria se aproxima.
- ASPECTOS GERAIS DO PROJETO “SOS-PROFESSOR SENIOR” (SOS-PS)
O PROJETO
SOS-PS utilizará idosos com nível universitário
e devidamente capacitados, no magistério do ensino médio público, atacando
simultaneamente os problemas mencionados. Um,
já totalmente identificado – a carência de docentes – e outro ainda
restrito aos artigos técnicos e teses acadêmicas – causado pelo rápido envelhecimento
da população brasileira, cujas consequências mereceriam maior atenção. O Projeto
envolveria profissionais recrutados dentre:
(1) o pessoal de nível superior, ainda em atividade, mas perto da aposentadoria; (2) os indivíduos da terceira idade com
diploma universitário, inativos, mas capazes e potencialmente desejosos de trabalhar
e (3) os professores que já chegaram à
idade de aposentadoria mas querem continuar lecionando. Pessoas idosas têm
motivações as mais diversas para aderir ao Projeto: algumas para se sentirem ainda úteis à sociedade;
outras para escaparem à rotina da aposentadoria; outras mais para iniciar uma
nova carreira ou ainda complementar seus rendimentos. Recrutados após intensa
mobilização na mídia, cadastrados em um Banco de Recursos Humanos (BRH),
selecionados e treinados, esses contingentes poderão ser aproveitados de várias
maneiras em favor do ensino médio público: a) fazendo parte de uma força-tarefa
que atenderá a chamados de emergência (SOS) para dar aulas presenciais nas
escolas onde, por qualquer motivo, haja falta de professores; b) lecionando
presencialmente, em horários extra ou
nas férias, para grupos de alunos que se preparam para exames vestibulares e
ENEM, ou então para os que necessitem de reposição de aulas perdidas por greve/calamidade
pública ou ainda que careçam de recuperação/reforço pedagógico por demonstrarem
mau aproveitamento escolar; c) prestando serviços educacionais a distância aos
alunos do ensino médio, nos regimes de tutoria ou “tira-dúvidas”, em arranjos
logísticos diversos que vão do trabalho em “call-centers” especializados em
educação ao teletrabalho desde suas residências ou telecentros comunitários. Tarefas
com características que as tornem atraentes, convenientes e leves para os
idosos. Um novo “ciclo de trabalho”, com especificidades adaptadas à terceira
idade. Pesquisas de opinião entre os participantes podem dirimir dúvidas a respeito dessa atratividade
e manter aceso seu entusiasmo.
- EXECUÇÃO DO PROJETO
Pré-condição: Supondo que o Projeto será gerenciado por uma
ONG (idônea, é claro), esta deverá, de início, propor e formalizar uma parceria
com a Secretaria Estadual de Educação (SEE), que tem a responsabilidade legal
de administrar o ensino público de nível
médio na região escolhida. Mobilização:
O Projeto deve ser lançado com
publicidade intensa, utilizando TV em horários nobres, com personalidades conclamando
os interessados ao cadastramento por meio da internet, no site da ONG (ou do
Projeto). Nesse momento inicial, além da grande mídia, inúmeras instituições
podem ser envolvidas e contribuir para essa mobilização, através de seus
cadastros e veículos internos. São aquelas: i) com ponderável participação da
terceira idade em seus quadros sociais como clubes esportivos e militares,
academias de ginástica, Conselhos Profissionais, associações de engenheiros,
médicos, arquitetos, advogados etc; ii) com
parcelas substanciais da clientela constituídas de idosos (laboratórios
farmacêuticos, agências de viagens, planos de saúde, seguradoras); iii) que já
desenvolvem projetos para a terceira idade (alguns planos de saúde como a
UNIMED, bancos, empresas dos setores alimentício e farmacêutico). A campanha de
mobilização deve cuidar para que todas as pessoas recrutadas para o SOS-PS estejam
tocadas pela mística de sua missão,
extremamente importante para o futuro dos jovens estudantes e o aperfeiçoamento
da educação nacional. Com a sensação de que renascerão para a vida ativa e que
sua história de trabalho terá sequência, um PS - de “post scriptum” e também de
Professor Senior. Cadastramento,
Classificaçâo e Treinamento: O Projeto, após o primeiro esforço de mobilização,
receberá os cadastros dos residentes na
região escolhida para implementação, interessados em participar. Os cadastrados vão compor um Banco de Recursos
Humanos (BRH). No processamento dos cadastros dos candidatos, estes serão selecionados e classificados em função
da complexidade do treinamento que precisarão receber para o exercício da
atividade docente. Os participantes precisam familiarizar-se com as
características do Projeto e o modo de relacionamento com a SEE, o que demandará um
rápido treinamento introdutório – que será comum a todos os grupos. Afora isso,
alguns terão necessidade de atualização de conteúdos e de capacitação em
práticas pedagógicas (Didática Geral e prática de ensino relativa à disciplina de
eleição); outros, em apenas um desses aspectos; outros mais já estarão
qualificados, prontos para utilização. A imediatez do aproveitamento dos
cadastrados seguirá a ordem lógica: os que precisarem apenas do treinamento
introdutório serão utilizados primeiro,
seguindo-se os dois outros grupos. A capacitação dos Professores Seniores será
realizada pela própria SEE ou por instituição de ensino superior por ela
indicada. A SEE regulará a utilização e supervisão dos docentes. Utilização:
A mecânica de utilização dos
Professores Seniores no caso do atendimento presencial, nas escolas, seria a
seguinte: 1. a SEE comunica ao Banco de Recursos Humanos (BRH) quantos docentes
necessita, de que disciplinas, em quais períodos, horários e locais. Essa comunicação é feita por via
telefônica, com confirmação por meio da internet; 2. o BRH consulta seus dados,
faz contacto com os Professores Seniores cadastrados que correspondem ao pedido
da SEE e moram próximo às escolas necessitadas, dirigindo-se depois à SEE, por iguais vias (telefone e
internet), mencionando que carências
poderá atender e dando o nome dos Seniores recrutados para a prestação de
serviços, com respectivos locais, horários e disciplinas a ministrar. O credenciamento
dos Professores Seniores e o orçamento dos serviços a serem prestados acompanham a resposta, para aprovação pela SEE
e posterior acerto financeiro. O atendimento tipo “pronto-socorro” objetiva
resolver “aqui e agora” o problema da falta do professor na sala de aula,
qualquer que seja o motivo. É uma solução de natureza extremamente aleatória do
ponto de vista do Professor Senior, a qual poderia desestimular os idosos menos
requisitados para essa prestação de serviços.
Em contrapartida, esses chamados SOS, alguns imprevisíveis e “para hoje”,
terão para os idosos o apelo da quebra de rotina, do chamamento para
experiências novas, em ambientes variados, dando um tom heroico, patriótico e humano
ao seu envolvimento no Projeto. Daí a abreviatura sugestiva, SOS-PS,
significando que as pessoas da terceira idade engajadas no Projeto estão sendo chamadas para socorrer um problema
nacional importante, beneficiando um grupo estratégico para o futuro do país -
os estudantes do ensino público brasileiro – e assim voltando ao mercado de
trabalho. Essa aleatoriedade será compensada pelo fato de que o Professor
Senior também atuará de modo mais
sistemático, dando aulas de reposição, recuperação e reforço pedagógico para
alunos necessitados dessa atenção mais individualizada. Nesse sentido, serão
organizados grupos de alunos a serem atendidos em horários fora da carga
prevista na legislação. Esse tipo de atuação terá caráter compensatório para os
alunos que ainda estão no sistema mas
foram prejudicados em anos recentes pela carência de professores. Esse esforço emendativo
gerará retorno pela economia resultante
da redução dos índices de reprovação, repetência e deserção. O Professor Senior
pode ter outra utilização, no campo da Educação a Distância, servindo na
tutoria aos alunos da rede pública de ensino médio, os quais acessariam (via
telefone ou via computador) uma Central SOS-PS, sempre que tivessem dúvidas
sobre alguma disciplina de seu curso. A
Central redistribuiria o trabalho para os Professores Seniores. Financiamento: O Projeto dará uma resposta apenas parcial aos problemas que
pretende atacar, ficando claro que o BRH só terá a obrigação de atender no
curto prazo aos pedidos da SEE que estejam dentro de suas possibilidades
imediatas, não havendo o compromisso de suprir todas as necessidades surgidas e
explicitadas pela SEE. O acordo preverá de que forma os docentes serão
remunerados e como se fará a repartição das despesas entre a SEE e os
mantenedores da ONG. Este Projeto poderá ser financiado por algumas empresas
que já estão conscientes das consequências do envelhecimento da população
brasileira, como os planos de saúde e seguradoras. Pode também suscitar o
interesse dos laboratórios farmacêuticos que têm grande parte de seu
faturamento proveniente da venda de remédios de uso prolongado e de bancos,
pois os investidores da terceira idade constituem fatia crescente dos
aplicadores no mercado financeiro. E também de empresas que aplicam, a seus
empregados, programas de transição e adaptação à aposentadoria. É viável o patrocínio
simultâneo, por várias empresas, no regime de cotas em dinheiro,
correspondentes a um certo número de
professores-hora a serem postos à disposição da SEE, que por seu turno poderia dar
uma contrapartida financeira que confirmasse seu interesse no Projeto. Não é
fora de propósito projetar um futuro aporte de recursos de órgãos públicos
federais como FNDE do MEC e FAT do MTE, desde que observados resultados
positivos.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
PROFESSOR TALENTOSO: ESSENCIAL NA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
O professor talentoso,
bem formado e motivado, é um fator de primordial importância para a educação de
qualidade. Mas os jovens brasileiros talentosos não se imaginam dando aula numa
escola pública de ensino básico.
Para cada país, em
determinado momento, existem profissões com maiores ou menores atrativos. Há,
inclusive, aquelas que sofrem rejeição, como é o caso da carreira de professor de
educação básica no Brasil atual. Os especialistas invocam as chamadas forças de
atração e de repulsão, que explicariam a cotação que os candidatos a emprego
atribuem às diferentes opções que lhes são oferecidas pelo mercado. Mas não há
uma lógica irrefutável. O problema é complexo e envolve muitas variáveis, tanto
objetivas quanto intangíveis: remuneração, prestígio social, estabilidade no
emprego, condições de trabalho, vocação, busca de notoriedade, tradição
familiar... Enfim, um emaranhado causal indecifrável. Mas uma coisa é certa: a
carreira de professor de educação básica não tem grande atratividade no Brasil,
especialmente para o exercício profissional nas escolas públicas, embora também
apresente muitos aspectos positivos. As estatísticas causam alarme e registram
que as Licenciaturas, relativamente, têm cada vez menos candidatos que as demais
carreiras tradicionais e que os futuros docentes têm resultados acadêmicos
progressivamente mais fracos a cada ano. Seria esse um motivo para desistir de recrutar
um professorado constituído de pessoas talentosas? Certamente que não! Afinal, os
incontáveis cursos de teatro, dança, música, bailado etc mantidos pelas ONGs
nas comunidades carentes do Brasil vivem repletos, assim como os seus similares
frequentados pelas classes médias, mas todos sabem das agruras e incertezas das
respectivas profissões. Afora umas poucas centenas de artistas que fazem
sucesso e fortuna, a imensa maioria desses trabalhadores vive penando nas
piores condições, em busca de um lugar ao sol. Qual será o mistério dessa
atratividade pelas luzes da ribalta que a sala de aula não tem?
- A
EDUCAÇÂO DEVE TER SEU PROGRAMA DE TV!
A televisão é
tão potente e influente no Brasil que há quem lhe atribua a capacidade de mudar
paradigmas, criar ídolos e vilões, vender o invendável. “Não deu na TV ? Não aconteceu !” (Walter Clark, Diretor
de Rede de TV). Uma hipótese razoável, portanto, é que quando os artistas
aparecem na mídia, estão ali para se exibir e brilhar, ganhar notoriedade e
aquele sempre bem-vindo prestígio social inerente às ocupações da área
cultural. As situações de insucesso, penúria, vícios, infelicidade, embora
frequentes, só raramente são focalizadas. Em contrapartida, a atividade do
professor de educação básica tem sido mostrada pela mídia exatamente nas condições
mais desfavoráveis: ao sofrer algum tipo de violência; reivindicando melhoria
salarial em
greves intermináveis; quando sua escola deixa de funcionar porque houve
tiroteio nas vizinhanças ou o teto da sala de aula caiu, por conta das infiltrações
etc. A TV aberta está presente em praticamente todos os lares brasileiros e a
influência que exerce é tão fantástica que a carreira do magistério do ensino
fundamental e médio poderia ter um “ponto de inflexão” se recebesse sua ajuda
deliberada e competentemente orientada. Uma sugestão seria produzir e veicular
semanalmente, em cadeia nacional de emissora aberta, de grande audiência, um Programa de TV
sobre a educação, em sua realidade integral e não apenas pelo seu lado
desfavorável. Agradável ao gosto popular, comandado por um comunicador
consagrado, o Programa visará “virar o jogo” e conciliar uma audiência
apreciável, atingindo o grande público, com o empenho em apresentar o professor
e seu trabalho como temas centrais. Objetivará elevar o prestígio social e
autoestima do professorado da educação básica, para reter/atrair talentos,
notadamente para atuar no ensino público. Existem mais de 2 milhões de docentes
em atividade em todos os níveis, espalhados pelo
vasto território do Brasil, que o Programa atingirá diretamente. Mas, potencialmente, todos os
públicos serão tocados, de modo a mudar a percepção geral que se tem da
profissão.
- PROGRAMAÇÃO
Em princípio, a
programação seguiria os modelos com grande audiência já existentes, que podem
ser denominados de segmentados ou“setoriais” – caso dos programas rurais – e que
tanto sucesso tiveram no Brasil, a ponto de se multiplicarem e tornarem
onipresentes. Obviamente, a programação dedicada à educação básica terá aspectos diferenciais,
de modo a atingir seus objetivos específicos. Após uma análise dos resultados
das pesquisas existentes sobre as aspirações do professorado brasileiro, a
equipe de produção do Programa definirá conteúdos e formatos iniciais. Ao longo
da veiculação do Programa - e até utilizando-o como instrumento de coleta de
informações - será possivel focar nos temas mais sensíveis ao professorado do
ensino público e aos estudantes candidatos às Licenciaturas, já agora com
sintonia fina, imprimindo à produção uma dinâmica objetiva, de base científica.
No Programa idealizado, haverá um mosaico de formatos distintos: notíciário,
entrevistas, reportagens, dramaturgia, documentários, seções fixas de
perguntas/concursos e de interação com o público. Mas a constante será manter o
professor como sua figura central, respeitada, reverenciada, amada, humana,
benemérita, importante para o futuro do país, mostrando seu trabalho e seus exemplos
positivos. O Programa exibirá ao público, sempre que possível, o professor real,
que está atuando em sala de aula - e não um personagem, um ator. As matérias com o mestre de carne e osso serão filmadas
“in loco”, trabalhando em sua escola ou
na comunidade, de modo que tenha “os seus quinze minutos de glória”, um dos
ingredientes básicos do projeto. Essa notoriedade, ainda que fugaz, exerce uma
grande atração sobre nosso povo e o professor brasileiro do ensino básico – que
não é diferente – precisa e quer aparecer, ganhar em autoestima, recuperar seu
prestígio social. Visto como um elemento importante para a comunidade e protagonista
do desenvolvimento nacional.
Independentemente
de pesquisa, alguns conteúdos e formatos devem ser quase que obrigatórios no
Programa:
a)Embora a
educação brasileira seja de qualidade sofrível para ruim (vide colocações
obtidas pelos estudantes brasileiros nos testes PISA da OCDE), há muitos trabalhos
excelentes sendo feitos pelos nossos docentes, nos vários níveis de ensino. Utilizando
o formato “reportagem”, deve-se focar nesses exemplos com o maior detalhe possível,
pois que veiculados servirão para aperfeiçoamento dos demais professores, originando
séries pedagógicas de educação a distância e transmissão de práticas que oxigenarão
o sistema;
b)A gestão de
qualidade merece seu espaço midiático. Os trabalhos meritórios dos diretores
das escolas básicas e das autoridades educacionais devem ser ressaltados nas
reportagens, pois uma liderança dinâmica pode transformar comandados, revelar
elementos úteis e laboriosos – cujo talento dormitava no marasmo de um sistema burocrático;
c)O noticiário atualizado
sobre assuntos de interesse coletivo, como a legislação educacional (sem o
“bias” da “chapa branca”), problemas e soluções do cotidiano escolar, os fatos
curiosos vividos pelos professores em seu trabalho etc deve constar da grade
programática, sempre apresentando o docente de forma positiva;
d)Ações de
heroismo e dedicação extrema dos docentes brasileiros devem ser apresentados frequentemente
e para isso a dramaturgia – ponto alto da nossa TV, internacionalmente reconhecido
- jogará papel de relevo. Mostrando, por exemplo, como a ação de um professor pode mudar a vida
de pessoas ou comunidades inteiras. Na história do rádio brasileiro registra-se
que em meados do século passado, a Rádio Nacional veiculava um programa de
grande audiência que levou muitos jovens a optar pela carreira médica. O título
era “Obrigado Doutor” e seu apresentador - famoso - era o obstetra Paulo Roberto. Contava
histórias fantásticas de vidas salvas pelo conhecimento científico, dedicação,
intuição ou amor à profissão de médicos reais ou fictícios, geralmente
clinicando no interior, sem dispor de maiores recursos. Um sucesso que comovia
multidões!
e)O Programa
deve ter também um concurso de perguntas e respostas só para docentes do ensino
médio e fundamental, com ótimas premiações, crescentes à medida que o candidato vá vencendo etapas, acertando todos
quesitos, estabelecendo-se um limite superior de premiação bem elevado. Também
no século passado, um programa de TV desse tipo fazia sucesso estrondoso: denominado
“O Céu é o Limite”, seu comunicador era J. Silvestre. Os professores precisam
ter a sensação de que, caso se esforcem, podem ficar famosos, ganhar milhões e
que sua carreira não é “um beco sem saída”, rotineira e desprestigiada. E o brasileiro deve conscientizar-se de que o saber
do mestre tem valor inestimável;
f)No sentido de
manter os docentes atualizados, o Programa deve divulgar pesquisas sobre
educação realizadas no Brasil e no exterior, principalmente quando seus resultados
acarretarem inovações/reorientações no
ensino. No formato de documentário ou noticiário, a seção deve dar prêmios de
viagens para professores conhecerem as inovações
de sucesso;
g)As premiações
de docentes devem ser uma constante do Programa. Proporcionar-lhes estágios em
Universidades estrangeiras ou bolsas para Mestrado e Doutorado no Brasil, sempre
em valores atraentes. O Programa deve contribuir para que desfrutem de
oportunidades de uma educação continuada de qualidade. Os prêmios serão atribuídos a docentes que realizem
trabalhos pedagógicos notáveis, selecionados dentre as reportagens realizadas ou
em concursos específicos promovidos pelo Programa;
h)O Programa
deve manter um “site” na web, buscando a interação permanente com os
telespectadores, por meios diversos, recolhendo sugestões, reclamações,
opiniões, enfim recebendo o “feedback” sempre útil para o aperfeiçoamento do
Programa.
i)A preocupação
com a criação de conceitos novos, faltantes na educação brasileira, pode ser outra
grande contribuição do Programa. A discussão de temas abordando “a escola como
centro da comunidade”, “o controle de qualidade do processo educacional pela
sua clientela e não por órgãos públicos
e burocráticos”, “a implantação da figura do professor de família, elemento
democratizante para atuação junto às famílias pobres e miseráveis” etc etc
podem dar origem a debates interessantes, para arejar o setor educacional e
consequentemente gerar um ambiente mais propício aos profissionais talentosos.
O Programa, em
rede nacional, atingirá o público telespectador em geral, conscientizando-o
sobre a importância da educação e evidentemente devendo agradá-lo como
espetáculo e entretenimento, de modo a maximizar a audiência. Mas para a equipe
de produção do Programa, o público-alvo subjacente será o professorado
brasileiro em todos os níveis, que se
quer valorizar, assim como jovens na fase de escolha da profissão, que
se quer atrair.
As premiações em
dinheiro, oferecidas pelo Programa, servirão de estímulo aos professores qualificados
que ali verão sua chance real de desfrutar de uma boa qualidade de vida Os prêmios em viagens de estudo atrairão
pessoas talentosas, que almejam a oportunidade de crescer intelectualmente,
aproveitar plenamente seu potencial. Não haverá dificuldades em produzir um
programa do agrado do grande público, pois o Brasil faz uma televisão
reconhecida mundialmente como de ótimo nível. Desse modo, o Programa poderá, efetivamente, mudar a atual percepção sobre o exercício do
magistério no Brasil, mostrando as boas práticas pedagógicas, o dinamismo dos melhores exemplos de direção das
escolas e a inovação nascida das pesquisas divulgadas. O Programa será
financiado por meio do patrocínio, integral ou em cotas, de empresas de âmbito
nacional, dentro de seus programas usuais de publicidade e marketing. Mas pode também
concorrer, pela sua natureza, aos incentivos fiscais da área cultural (Lei
Rouanet). Os indicadores de êxito serão audiência em alta, visitas maciças ao
“site”, correspondência volumosa, envio espontâneo de matéria pelos professores
e seus diretores.
São produtos esperados do
projeto: a) a difusão de pesquisas educacionais, de inovações pedagógicas e de
boas práticas de ensino; b) a educação continuada e consequente aperfeiçoamento
dos docentes que assistem ao Programa; c) a produção de material bruto para
séries de treinamento de professores; d) estímulo à meritocracia pela premiação
dos mestres mais destacados; e) o aumento do prestígio social do professorado; f)
a atração de talentos para a carreira; g) a criação de um amplo espaço
participativo e de interação com o público para os docentes brasileiros; h) o
debate dos grandes problemas da educação nacional e a introdução, nessa
discussão, de conceitos inovadores e renovadores do setor.
- CONCLUSÃO
Talvez não seja
possível medir o imenso retorno financeiro que, nos últimos trinta anos, os
programas rurais de televisão deram à produção da agropecuária e à renda do
homem do campo no Brasil. Caso um exercício econométrico nesse sentido fosse
possível e efetivamente realizado, seu resultado certamente aconselharia a
implementação do Programa de TV sobre Educação aqui proposto. "Quem
não se comunica se trumbica" (Abelardo Chacrinha Barbosa, animador de
TV).
Assinar:
Postagens (Atom)
VIAGEM AO PASSADO
O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...
-
A necessidade de uma melhoria qualitativa da educação brasileira, abrangendo todos os seus níveis, é indiscutível e urgente. Todos os br...
-
Ensino de qualidade tem que incluir a educação física como matéria obrigatória e propiciar oportunidades reais de prática desportiva aos es...
-
Participei do webinar (em 08/10/19), promovido pelo Instituto Internacional de Planejamento Educacional (IIPE) da UNESCO, sobre “Políticas...