quarta-feira, 23 de abril de 2014

SÃO JORGE CHEGOU ATRASADO

Não sei se foi o inédito fechamento da Avenida Brasil ou a demolição inusitada da obra perfeita e acabada da Perimetral e sua substituição pelo indecifrável e intransponível binário (???), mas o fato é que o cavalo de São Jorge empacou e chegou atrasado ao Rio de Janeiro. Pois a batalha foi ontem... e o santo guerreiro se perdeu entre a Capadócia e a Cidade Maravilhosa, deixando Copacabana aos cuidados de São Sebastião que recebeu algumas flechadas adicionais e não evitou os tumultos que repercutiram mundo afora, atingindo a já abalada imagem da Cidade Olímpica. Hoje, nosso querido São Jorge pouco poderá fazer além de recolher as cinzas e destroços de uma noite sem precedentes, resultado da orquestração bem sucedida do crime organizado, sempre à espreita para aproveitar-se das debilidades de nossa política de segurança e utilizar-se de seus terroristas de aluguel para levar o horror à população que paga seus impostos em dia -  mas não vê muitos resultados na aplicação dos dinheiros públicos.
Na década dos 60 um amigo meu comprou um amplo apartamento na Rua Sá Ferreira, no quarteirão da praia, símbolo indesmentível de status e riqueza. Viveu ali muitos anos prósperos e felizes até que sua esposa faleceu. Nos trâmites do inventário, ao ter que pagar o imposto de transmissão do imóvel, verificou que o Estado lhe cobrava muito mais do que seria razoável, supervalorizando o bem. Pediu minha ajuda no sentido de avaliar o apartamento e eu o fiz, chegando à metade do valor que lhe fora atribuído pelo Estado. Aprendi então, ao abordar o caso específico dos imóveis da região, situados no entorno da favela do Pavão-Pavãozinho, que a vizinhança daquele mostrengo, dominado por traficantes e criminosos de todos os calibres, desvalorizava enormemente todas as propriedades atingidas pela metástase urbana causada pela favela. Até então, o investimento em imóveis era caracterizado pela baixa rentabilidade, a média liquidez e a elevada segurança. Com a favelização crescente, a cumplicidade dos políticos oportunistas e a desídia das autoridades, o investimento em imóveis perdeu seu ponto forte - a segurança - pois é bem possível que plantem uma favela em poucos dias ao lado de sua casa e seu patrimônio vá para o inferno. E isso era especialmente verdadeiro para a Cidade do Rio de Janeiro, em que o sucesso eleitoral dependia muito de relaxar na proibição da expansão das favelas, fornecer tijolos para a construção de barracos de alvenaria, asfaltar becos e vielas de terra.
Com a política de pacificação, as vizinhanças das favelas que iam  recebendo UPPs renasceram e passaram a viver melhores dias. Caíram rapidamente os índices locais de criminalidade e desapareceu o sentimento generalizado de insegurança. Meu amigo viu seu luxuoso apartamento recuperar parte substancial do valor original. Ipanema e principalmente  Copacabana foram beneficiadas pela volta aos velhos e  bons tempos.
Ontem, dia 22 de abril, data do Descobrimento do Brasil - lamentavelmente ignorada pela mídia e a opinião pública - a descoberta foi outra: a de que tudo pode voltar aos tempos em que a marginalidade imperava na Zona Sul do Rio de Janeiro. O crime organizado - que tem seus planejadores - está tentando retomar sua antiga  posição territorial de força, explorando os pontos fracos da política de segurança que precisa reagir rápida e vigorosamente.
Na Guerra do Vietnã, um dos principais fatores de enfraquecimento das forças aliadas dos norte-americanos era a inesperada insurreição de aldeias - outrora pacíficas ou neutras - que se aliavam aos vietcongues e aumentavam os territórios e efetivos comunistas da noite para o dia. Cientistas sociais americanos foram chamados a colaborar na guerra e o fizeram através de pesquisas que determinavam quando uma aldeia vietnamita típica se tornava prestes à insurreição. Os pesquisadores construíram uma taxonomia, com vários atributos e variáveis, das aldeias do Vietnã e determinavam quando a probabilidade de a população se aliar aos vietcongues assumia valores perigosos. Nesse momento era feita a intervenção adequada na comunidade de modo a reverter a expectativa. Creio que a inteligência da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro deveria atuar nesse mesmo sentido em relação às favelas pacificadas. Caso contrário, a bandidagem em breve estará batendo às nossas portas e invadindo nossas praias. Literalmente. A não ser que o trânsito no Rio melhore (improvável!) e São Jorge chegue na hora certa para fazer o milagre de aniquilar o dragão do crime organizado de nossa pobre Cidade...
PS - Nas décadas de 50 e 60 moravam na Ladeira Saint  Roman - hoje acesso deprimido  à favela Pavão-Pavãozinho - algumas das famílias mais ricas do Brasil. Lembro de Azevedo Antunes, Juraci Magalhães e Levy Gasparian...


domingo, 23 de março de 2014

AS CADEIRAS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Vi pelas televisões a indignação da imprensa contra a prática comercial de um cursinho pré-vestibular  de Montes Claros. Esse tipo de estabelecimento de ensino, que prepara os estudantes para exames de ingresso na Universidade, é uma resposta clássica do mercado às disfuncionalidades  centenárias da educação básica brasileira. Não existiria se os alunos estivessem realmente prontos ao concluir com êxito (formal) o ensino médio. O cursinho mineiro tem salas em que sentam 100, 200 e até 300 alunos simultaneamente. Geralmente, os professores que dão essas aulas para verdadeiras multidões, dominam os conteúdos curriculares e são quase- artistas, com grande capacidade para motivar e prender a atenção dos estudantes, utilizando-se de truques e meios audiovisuais diversos.  Ainda assim, por motivos variados, o posicionamento favorável dos estudantes na sala tem importância estratégica. Nasceu, por esse motivo, a natural ideia da direção do cursinho  de cobrar um adicional  de quatrocentos reais  anuais daqueles alunos que quisessem gozar do privilégio de uma cadeira cativa nas primeiras filas.  São as tais “cadeiras VIP”, brancas, mencionadas e mostradas nas reportagens indignadas da mídia.
Imediatamente o PROCON e o Ministério Público intervieram e a prática foi descontinuada.  Sanções ao cursinho estão em andamento... Folgo em saber que a prestação de serviços educacionais entrou na pauta dos órgãos de defesa do consumidor e estimo que daqui em diante sejam ampliadas as ações desse tipo, como já aconselhei em blog anterior. O controle de qualidade da educação, alvo de minhas preocupações mais recentes, só será efetivo quando assumir a relevância que já tem a vigilância exercida, pelo consumidor em geral, em relação aos demais produtos e serviços, tornando-se uma prática rotineira da nossa população.
Apesar de “a compra da cadeira VIP” ser facultativa, agiram bem  as autoridades competentes (sic) ao proibi-la, pois a meta do poder público para a educação deve ser a busca, simultaneamente, de qualidade e equidade, pois é exatamente isso que mais falta no Brasil.
PROCON e Ministério Público deveriam agora, por uma questão igualmente de justiça e equidade, levar a endereços mais nobres o mesmo tipo de intimação a que submeteram o modesto cursinho de Montes Claros.  Sugestões?
1)      Visitar Prefeituras e Palácios de Governos Estaduais: ainda agora, ao final de março de 2014, há mais de um milhão de estudantes da escola pública brasileira ainda sem aulas, por motivos os mais variados: greves diversas, déficits crônicos de professores, absenteísmo exagerado dos quadros docentes, licenças médicas fajutas para mestres preguiçosos, falta de transporte escolar ou de uniformes para os alunos do ENCINO (assim estava escrito nas camisas compradas pelo governo) público e assim por diante. Reflexo da péssima atenção que o Brasil dá a sua educação e da gestão irresponsável das autoridades competentes (rsrsrs). Falta de planejamento, incapacidade de prever o previsível, cumplicidade com auxiliares desidiosos, interesses eleitoreiros espúrios, enfim uma constelação de equívocos.  Por tudo isso, intimá-los...
2)      Acampar na Esplanada dos Ministérios, em frente ao MEC e ao MTE, desviando parte dos fiscais para o Palácio do Planalto:
a) no momento atual, o governo faz um grande e louvável esforço para ministrar educação profissional inicial e continuada a milhões de trabalhadores pelo PRONATEC, em virtude de o Ministério do Trabalho ter sumido com as verbas do FAT que nos últimos 12  anos  deveriam ter treinado nossos jovens, provocando assim um “apagão de mão de obra sem precedentes”. A produtividade de nossa indústria caiu; nossos serviços estão caríssimos, em função dos desperdícios causados por trabalhadores desqualificados;  a mão de obra rural, cada vez mais problemática, está sendo substituída massivamente por máquinas. O grande problema é que os candidatos que chegam ao PRONATEC não são treináveis de imediato! Motivos: não sabem ler e entender uma folha de instruções; não sabem fazer cálculos simples de soma e subtração e assim por diante.  Causa, uma só: receberam uma educação básica de péssima qualidade.
b) o Brasil tenta distribuir  mais de 100 mil bolsas de estudo gratuitas no exterior para as Universidades, mas acaba de descobrir que não há candidatos em número suficiente! Motivo: falta de proficiência no domínio de uma segunda língua. Causa, a mesma: receberam uma educação de péssima qualidade.
UM APELO:
Autoridades competentes do PROCON e do Ministério Público, por favor: intimem nossa Presidente e seus Ministros, pois eles também cobram dos contribuintes brasileiros pelas “cadeiras VIP da educação”. Se você, caro leitor, quer dar uma educação decente a seus filhos, além do que já sangra pelos impostos escorchantes dos governos,  pague por uma cadeira branca em um bom colégio particular, desses que estão sempre nos primeiros lugares do ENEM. Caso contrário, seus filhos vão sentar lá atrás, como a maioria do nosso povo, milhões de brasileiros que vão ficar pelo resto da vida no fundo da sala, sem ver, sem ouvir, sem entender.



sexta-feira, 7 de março de 2014

ESPORTE E EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

Ensino de qualidade tem que incluir a educação física como matéria obrigatória e propiciar oportunidades reais de prática desportiva aos estudantes.
Quando fui membro do CFE - Conselho Federal de Educação (atual CNE -  Conselho Nacional de Educação), no início da década dos 70, participei da elaboração da Reforma do Ensino Primário e Médio, consubstanciada na  Lei no 5.692, de 11 de agosto de 1971. Lutei  e votei pela obrigatoriedade da prática da educação física e desportiva no sistema educacional brasileiro. Posteriormente, aprovada a lei,  fui  escolhido Relator da regulamentação dessa obrigatoriedade no Conselho. À época eu dirigia o CNRH – Centro Nacional de Recursos Humanos do EPEA (hoje IPEA) que produziu o I Diagnóstico da Educação Física e Esportes no Brasil e que a seguir coordenou a elaboração do I Plano Nacional de Educação Física e Esportes, um marco histórico desse setor.  Minha informação a respeito estava bem atualizada.  Atleta de voleibol do Fluminense e ex-jogador da  Seleção brasileira, meus colegas  do CFE consideraram minhas credenciais suficientes  para que eu realizasse o trabalho. Fui assessorado  pelos Professores Lamartine Pereira da Costa e José Garcez Ballariny, do EPEA, cuja colaboração foi decisiva.
Ao correr  do tempo, não só pela evolução tecnológica da sociedade moderna – um convite permanente e sedutor  ao sedentarismo – mas pela minha própria observação  do cotidiano – verificando que a boa qualidade de vida está  no equilíbrio entre trabalho e lazer, atividades físicas e intelectuais – considero que aquela legislação do CFE foi uma ótima contribuição à educação  brasileira.  Esporte e educação física são fundamentais para nossa formação.  
O esporte tem notável  influência positiva na socialização, na saúde física e mental, contribui para uma visão equilibrada e regrada da competição, impõe a aceitação da natural alternância entre vitórias e derrotas durante a vida, estimula o companheirismo, a lealdade, a pertinácia e beneficia  muitos aspectos importantes da esfera psicossocial. O esporte  é um efetivo antídoto contra a proliferação das drogas e da violência, além de um fator de ascensão  social cada vez mais importante, à medida que o esporte escolar vai permitindo aos adolescentes e jovens pobres a oportunidade de revelar seus talentos. O  que não acontece com os dotes intelectuais dos alunos carentes, sufocados por uma escola de má qualidade, que não oferece a base de conhecimentos de que necessitam para tentar o ingresso na Universidade e trilhar os caminhos nobres da ciência, da tecnologia e da prática profissional de ponta. Na escola de qualidade vão surgir as vocações de futuros atletas  - que irão percorrer o trajeto esporte-profissão, entrando em  um importante segmento do atual mercado de trabalho e das  relações  internacionais, cujas tendências futuras de crescimento são  extremamente promissoras.
 Na escola de qualidade também devem nascer  os hábitos da prática sadia da atividade física para toda a vida e a educação da educação física presta-se maravilhosamente às abordagens transversais, que permitem enfocar problemas sérios que crescentemente vão acometendo nossa sociedade. Temas não faltam: o combate aos vícios em geral, seja do  uso de drogas lícitas (como o fumo e o álcool) como das ilícitas; a conscientização acerca da futilidade do falso culto ao corpo; o perigo dos excessos comuns em  alguns centros de preparação física, tanto na intensidade dos exercícios em si quanto no  uso de substâncias que prometem força e beleza a curto prazo, mas cobram um alto preço em saúde. Todas essas questões têm que ser enfocadas pelos bons professores de educação física com seus alunos - crianças, adolescentes ou jovens.
Não custa repetir que são múltiplas e cada vez mais eloquentes as pesquisas na área médica consolidando a atividade física como um dos mais importantes fatores de higidez, de melhoria  da qualidade de vida e aumento da longevidade. Embora ainda sujeitas a controvérsias, investigações recentes tendem a mostrar a igualmente  importante  contribuição dos exercícios físicos para o desenvolvimento  do intelecto.  Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston (BUSM) encontraram evidências de que a atividade física é benéfica para a saúde do cérebro e para a cognição. Certos hormônios,  secretados durante o exercício, ajudariam a melhorar a memória.  Em outro estudo, publicado em outubro de 2013, o Dr. Bruce Spiegelman, do Instituto Dana-Farber  Cancer  e Harvard Medical School relatou que uma molécula chamada FNDC5 e seu subproduto, irisina, tornam-se elevadas no cérebro quando fazemos  exercícios de resistência.  Spiegelman e a sua equipe também descobriram que aumentos nos níveis de irisina estão na origem da melhoria da capacidade da neurogênese  - crescimento de novos neurônios. Querendo saber mais, leia o Apêndice.
MENS SANA IN CORPORE SANO
Tive o privilégio de estar no sítio arqueológico  de Olímpia, cidade-berço da  competição entre os maiores atletas da Grécia Antiga, origem  das Olimpíadas modernas.   Foi em  776 a.C  que se realizou o primeiro torneio, que se repetiria de quatro em quatro anos, suspendendo as guerras eventualmente em andamento,  até que o imperador romano Teodósio I o suprimiu em 394. Senti uma intensa emoção ao visitar o estádio e imaginar como seriam  então os Jogos, origem de um tipo de atividade humana que me deu tantas alegrias, oportunidades e inculcou-me a perseverança e muito vigor para a luta por toda a vida. Recordei  que ali se fundiam, harmoniosamente,  esporte e arte. Fídias, o maior dos escultores gregos, mantinha em Olímpia um ateliê que ocupava durante os Jogos, ao lado do Templo de Zeus.  Deus que Fídias representou em  uma gigantesca estátua em marfim e ouro, considerada uma das sete  maravilhas do mundo antigo.
Durante muito tempo, vários Diretores de escolas brasileiras apresentavam a falta de espaço como álibi para não oferecer a atividade esportiva a seus alunos.  Conversa fiada... Escola cujo objetivo  seja ministrar ensino de qualidade inclui os esportes  e  a educação física dentre as atividades preferenciais oferecidas a seus alunos, usando de todos os meios para consegui-lo. No site  http:// www.procrie.com.br   -  mantido pelo Professor Roberto Pimentel  - qualquer interessado obterá, por exemplo,  as informações pertinentes para usar o minivoleibol como centro das atividades esportivas/educativas na escola, com a grande vantagem da ampla abrangência etária de praticantes potenciais, dos baixos custos dos materiais  usados e dos pequenos espaços requeridos para sua prática. Melhor ainda se o Prefeito se interessar em obter uma assistência técnica específica de Roberto Pimentel  para sua implantação no sistema de ensino público do Município.

APÊNDICE: “Exercising Intelligence: How research shows a link between physical activity and smarts”. Autoria de Jay Bonaretti        
Um grande estudo realizado na Academia  Sahlgrenska e pelo  Hospital Universitário Sahlgrenska , em Gotemburgo , na Suécia, revela que os jovens adultos que se exercitam regularmente têm escores de QI mais altos e são mais propensos a ingressar na universidade .
O estudo foi publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências (PNAS) , e envolveu mais de 1,2 milhões de homens suecos . Os homens estavam realizando o serviço militar e nasceram entre os anos de 1950 e 1976 . Ambos os resultados dos testes físicos e de QI foram revisados ​​pela equipe de pesquisa . Os resultados da análise revelam uma clara ligação entre a aptidão física e os resultados dos testes de QI. Em particular, a compreensão verbal e o pensamento lógico mostram maior associação com a aptidão. No  entanto , a força não foi associada com um aumento no QI.
"Estar em forma significa que você também tem bom coração e capacidade pulmonar e que seu cérebro fica cheia de oxigênio ", diz Michael Nilsson, professor da Academia Sahlgrenska e médico -chefe do Hospital da Universidade de Sahlgrenska . "Esta pode ser uma das razões pelas quais nós podemos ver uma ligação clara com a aptidão , mas não com a força muscular. Nós também observamos  que existem fatores de crescimento que são importantes."
Os pesquisadores também analisaram os dados de gêmeos e concluíram que fatores ambientais são mais importantes que a genética na associação entre QI e fitness. "Também mostramos que esses jovens que melhoraram  a sua aptidão física entre as idades de 15 e 18 anos também  aumentaram o seu desempenho cognitivo ", diz Maria Åberg , pesquisadora da Academia Sahlgrenska e médica no Centro de Saúde DBY. " Sendo este o caso , a educação física é um assunto que tem um lugar importante nas escolas, e é uma necessidade absoluta , se quisermos obter  bom desempenho em matemática e outras disciplinas teóricas. "
Outro resultado interessante da análise foi a descoberta de que aqueles que estavam mais aptos na idade de  18 anos eram mais propensos a frequentar a universidade e a encontrarem melhores empregos no mercado de trabalho.
O estudo foi realizado no Centro de Reparação e Reabilitação Cerebral de Gotemburgo, em conjunto com o Karolinska Institutet .

Referência: Aberg MA, Pedersen NL, Toren K., Svartengren M., Bäckstrand B., T. Johnsson , Cooper- Kuhn CM , Aberg ND, Nilsson M., Kuhn HG (2009). Aptidão cardiovascular está associada com a cognição na idade adulta jovem . Proc . Natl . Acad . Sci . U.S.A. 106 , 20.906-20.911 (“Exercising Intelligence: How research shows a link between physical activity and smarts” in Site http://www.ironmanmag.com.au, Capturado em 06/03/2014)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

MONITOR DE HOJE É O PROFESSOR DO AMANHÃ

Nos meus tempos de colégio, o monitor era aquele aluno que se destacava em determinada matéria e era escolhido pelo professor para ajudá-lo em suas aulas e eventualmente realizar algumas tarefas específicas com os colegas, tais como reações de química, exercícios de matemática, experimentos de física e assim por diante. No Colégio Mello e Souza, o monitor de Química era o Victor, uma vocação de mestre. Victor Notrica, depois de formado, foi um professor de ponta e quando o revi era Diretor do Instituto Guanabara, na Tijuca, Rio de Janeiro. Até o fim de 2013 foi o Presidente do Sindicato de Estabelecimentos de Ensino Particular no Rio de Janeiro (SINEPE Rio) e hoje é seu Vice-Presidente.
Monitor! Aí está uma velha ideia que ainda cabe nestes tempos de escassez de vocações para o professorado. A busca de talentos para o magistério deve começar desde cedo, no próprio ambiente escolar – o mais propício para o recrutamento e a seleção de jovens motivados para o exercício da profissão. Dentro dessa perspectiva, a instituição, nas escolas públicas de nível médio, da figura do “aluno-monitor” (ou simplesmente monitor), pode contribuir para a renovação dos respectivos quadros docentes. Os monitores seriam escolhidos dentre os melhores alunos, ao fim da primeira série do ensino médio e ajudariam os docentes da disciplina escolhida nas duas séries seguintes, havendo uma política deliberada de estímulos diversos para lograr seu comprometimento natural com a profissão docente.  Para a identificação e a assistência ao trabalho dos monitores, as Secretarias de Educação (ou os Diretores das escolas, por delegação da Secretaria) designariam “professores-tutores”, verdadeiros olheiros e treinadores, encarregados da busca e orientação dessas vocações precoces (os alunos-monitores). Os monitores receberiam bolsas de iniciação à docência como remuneração, no valor mensal de um terço do salário mínimo, para sua manutenção pessoal, compra de livros, equipamentos de informática e demais materiais didáticos. No caso de mau aproveitamento escolar, a critério dos Diretores, o monitor deixaria o Projeto.
Quando o monitor participar do ENEM (só poderá fazê-lo uma vez depois de seu ingresso no projeto) e ficar colocado entre os 1.000 candidatos com maiores notas globais no Brasil, os “professores-tutores” que os indicaram receberão uma gratificação (por aluno indicado e colocado) da respectiva Secretaria de Educação. Sempre que um monitor se classificar para o ensino superior e optar por cursar uma Licenciatura, seu tutor também será gratificado.
Todos os estudantes, dentre os 10.000 melhores classificados no ENEM, que optarem por cursar as Licenciaturas em Universidades públicas, receberão bolsas de manutenção pessoal equivalentes a um salário mínimo, durante toda a duração do curso de Licenciatura. Os bolsistas perderão o benefício caso sejam reprovados, se evadam ou mudem de curso.  Esse número (10.000) poderá variar em função das necessidades do sistema e das disponibilidades de recursos. Os estudantes, dentre esses mencionados, que frequentarem estabelecimentos de ensino superior em que não haja gratuidade, receberão adicionalmente bolsas do PROUNI que cubram 100% das suas anuidades durante todo curso,  desde que sejam aprovados em todas as matérias (ou em todos semestres letivos), cessando o benefício no caso de reprovação, evasão ou mudança de curso.
No decorrer da Licenciatura, esses estudantes, a cada ano, farão estágio de 1 mês, dando aula no ensino médio público, ganhando remuneração cumulativa com as bolsas que porventura recebam.
Formados na Licenciatura e depois de dois anos de serviço no ensino médio público esses professores, antigos monitores, passarão a ser elegíveis para receberem licenças remuneradas e bolsas para fazerem cursos de  Mestrado gratuitamente.
Dois anos após completado o Mestrado, os professores poderão ser elegíveis para ganharem novas licenças remuneradas e bolsas para fazerem o Doutorado gratuitamente.
Cinco anos depois de concluído o Doutorado, os professores podem apresentar um projeto visando um estágio de especialização em Universidades do exterior.

  • ONG selecionada poderia liderar o Projeto Monitoria, firmando convênio com as Secretarias de Educação que aceitassem as condições deste projeto (concessão de licenças remuneradas para educação continuada dos docentes e designação e gratificação dos “tutores”).  A ONG obteria também a adesão de empresas para cobrirem os custos dos monitores até o fim de suas Licenciaturas. A ideia é manter o Projeto ativo durante um longo período, suficiente para formar um estoque apreciável de docentes talentosos.


  • As ONGs atuando no Brasil mantêm incontáveis “escolinhas” de futebol, voleibol, basquete etc além de numerosíssimos cursos de iniciação à música, dança, capoeira etc etc mas não há  publicidade de qualquer iniciativa desse teor visando descobrir futuros matemáticos, físicos, químicos, biólogos e principalmente professores. Este projeto - quem sabe? - pode ser o início desse novo modismo, com reflexos positivos e importantes para o Brasil.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

PROFESSORES TALENTOSOS SÃO CELEBRIDADES

  • O CONTEXTO
O país necessita de instrumentos de política para atrair os jovens talentosos para o professorado das escolas públicas de nível  médio, ainda em expansão, pois os efeitos nocivos dos respectivos deficits vão agravar-se a curto prazo. Em 2011 o ensino médio brasileiro tinha 8,4 milhões de alunos e ocupava cerca de 500 mil professores. Sua expansão é relativamente recente e continua em andamento (o ensino  obrigatório dos 4 aos 17 anos só foi inserido na Constituição em 2009), sem que se tenha feito a respectiva formação dos quadros docentes, com bons padrões de qualidade. Pior: a relação candidatos/vagas nas Licenciaturas deteriora-se em termos qualitativos (candidatos são cada vez menos habilitados). Agravando o deficit, há uma demanda concorrente de professores para as novas unidades federais de ensino técnico, construídas nos últimos anos: em 2002 existiam 140 dessas escolas; em 2012 já são 354 e em 2014 serão  562.  Emergencialmente, essas instalações estão sendo utilizadas pelo PRONATEC, um programa que visa atender a milhões de jovens para sanar o “apagão de mão de obra qualificada” que está prejudicando muito a economia do país, baixando sua produtividade e a competividade de nossos produtos e serviços.
  • CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS
O controvertido “sistema de cotas” é  sintoma eloquente de que o  ensino público de  nível médio é um obstáculo à democratização de oportunidades no Brasil. Frequentado pelos jovens pobres e dos estratos de menor renda da classe média, seus diplomados têm  dificuldades no acesso ao curso superior de melhor qualidade e na transição para o mercado de trabalho. A “hora da verdade” para formados nos cursos médios das escolas públicas pode chegar nos maus resultados em exames vestibulares, em provas do ENEM e na dificuldade de classificação para o SISU e o PROUNI. Agora mesmo há sobra de bolsas de estudo no exterior dentro do programa Ciência sem Fronteiras pelo fato de os estudantes brasileiros não dominarem uma segunda língua. A má qualidade do ensino público pode também evidenciar-se quando da busca do primeiro emprego formal, dificultada pelo desprestígio da formação recebida, deficiente e cheia de lacunas, já bem conhecida das empresas. Em muitos casos, por não dominar certos conhecimentos básicos, esses jovens fracassam até mesmo ao frequentar os cursos de qualificação profissional necessários à  colocação em postos de trabalho exigentes em competências e habilidades específicas. Nessas situações, os estudantes estão pagando o preço dos desfalques nos quadros docentes, repetidos a cada ano letivo, em muitas escolas das várias Unidades da Federação; sendo penalizados pelo absenteísmo/grevismo exagerados de seus mestres desmotivados, uma constante; e lamentam as poucas aulas ministradas em matérias essenciais – como Matemática, Física e Química – nas quais o déficit  de professores é mais agudo. Esta proposta, por tudo isso, prioriza a atração/retenção de docentes para o ensino médio público.
  • FORÇAS DE ATRAÇÃO E REPULSÃO
A conquista de talentos para o exercício do magistério em nossa educação básica pública encontra uma barreira inicial na situação em que a maioria dos professores exerce atualmente essa profissão. Fato muito divulgado pela mídia, mostrando escolas localizadas em zonas de risco, em condições físicas deploráveis, sem equipamentos essenciais; ou realçando o fato de que a violência das periferias e favelas e a penetração das drogas entre os jovens já adentraram as salas de aula.  Culminando com a omissão de certas autoridades, cuja gestão displicente e burocrática falha no apoio aos funcionários e docentes trabalhando nessas condições de risco. Testemunhos eloquentes de que dificilmente se poderia  caracterizar o magistério público como uma carreira estimulante, recompensadora, capaz de exercer fascínio sobre as novas gerações, sobretudo atraindo seus elementos mais capazes. Ao contrário, a realidade atual é importante fator de repulsão à profissão. A valorização do corpo docente em atividade é, por isso mesmo, condição “sine qua non” para captar talentos para a carreira, em face de seu “efeito demonstração”.  Além do que há risco de perder  muitos dos docentes em atividade - provavelmente alguns dos mais qualificados - propensos a migrar para ocupações melhores, em setores mais promissores. Neste vasto país continental, nos sistemas públicos de ensino médio, de qualidade sofrível, há  porém trabalhos valiosos em andamento. Exemplos de boas práticas que devem ser divulgados, visando sua universalização.
  • A FORÇA DO MARKETING E CRITÉRIOS MERITOCRÁTICOS
A situação desfavorável do professorado em atividade não é, todavia, um obstáculo intransponível para recrutar novos e bons valores para a carreira. Certas analogias desmentem esse determinismo. A profissão que maior atração exerce sobre a nova geração do sexo masculino no Brasil é a de jogador de futebol. Não havendo problemas de recrutamento para esse esporte, a vasta demografia brasileira resulta em oferta abundante de talentos.  E como o sistema de seleção funciona obedecendo aos critérios de mérito, nossos jogadores fazem sucesso global e ocupam espaços abundantes na mídia mundial. Fechando o “círculo virtuoso”, há cada vez mais brasileirinhos que almejam e tentam o estrelato futebolístico. No entanto, quando se vai pesquisar a situação real dos jogadores atuando no Brasil, verifica-se que além de a carreira ser curta, a esmagadora maioria trabalha em condições precárias, mora em alojamentos desconfortáveis, recebe remunerações modestas – abaixo da média salarial do trabalhador brasileiro, pesquisada nas seis maiores regiões metropolitanas pelo IBGE (na Pesquisa Mensal de Emprego). A grande atratividade dessa profissão deve-se ao sucesso de algumas poucas centenas de jogadores de ponta que ganham somas milionárias, levam uma vida social charmosa, têm acesso ao “grand monde” e muita exposição nas mídias. O apelo da carreira futebolística resulta de os jovens pretendentes acreditarem na sua própria capacidade para “chegar lá” e na prevalência do mérito, como fator de julgamento para definir quem vai fazer sucesso. Na prática do jogo, predomina a meritocracia: os atletas estão sempre expostos aos olhos dos técnicos e ao julgamento das multidões. O marketing das estrelas e a prevalência do mérito atraem os jovens talentosos. Já existem algumas iniciativas no ensino público – muito tímidas e suscitando forte reação contrária - no sentido da implantação de sistemas de remuneração diferenciada segundo o mérito. O fato de a educação presencial ainda ter as características econômicas de um artesanato, em que a produtividade média da mão de obra é baixa, torna inviável pagar altos salários às centenas de milhares de professores em atividade. Assim, a gradação salarial fundamentada na produtividade talvez fosse uma das boas soluções para atrair talentos para a docência. Infelizmente, trata-se de um sonho irrealizável no momento brasileiro atual. De um lado, pela própria dificuldade de realizar comparações de mérito nos serviços públicos, desorganizados e incapazes de supervisionar suas unidades. De outro,  em função da ideologia dominante nas esferas de poder brasileiras – uma mentalidade que repele a evidenciação das diferenças individuais e não admite nem discutir soluções meritocráticas. Finalmente, a resistência dos próprios professores e seus sindicatos de se deixarem avaliar.
  • A SOLUÇÃO

É preciso contornar – ainda que parcialmente – as barreiras à prevalência do mérito. Buscar caminhos para premiar generosamente os professores talentosos, transformá-los em “celebridades”, criar o “efeito demonstração” que torne a carreira atraente e charmosa. A proposta para reter os milhares de docentes em atividade – e de quebra motivar jovens candidatos ao magistério - seria conceber e executar uma programação de CONCURSOS variados de BOAS PRÁTICAS  DE ENSINO, com grande publicidade e ótimos prêmios, abertos aos professores do ensino médio público. Cada Concurso teria: a) divulgação ampla na grande mídia, cobrindo sua abertura, premiação e resultados finais, de modo a tornar conhecidos e admirados os professores vencedores – transformando-os em personalidades midiáticas; b) recompensa pecuniária elevada para os docentes vitoriosos, que realizem trabalhos notáveis, de  modo a generalizar a crença de que a carreira permite acumular um bom patrimônio e que seu mérito é reconhecido pela sociedade; c) divulgação detalhada, pelos meios adequados, do conteúdo dos trabalhos premiados, de modo a servirem como motivação, inspiração e treinamento prático para os demais docentes em atividade. Os participantes dos Concursos seriam os atuais professores do ensino médio público, que poderiam apresentar trabalhos individuais ou em grupo (estimulando a multidisciplinaridade), mas o programa também influenciaria os jovens talentosos que estão no período de escolha da profissão. O ensino médio brasileiro é urbano (97%),  mas os Concursos, seus vencedores e os projetos premiados, dependendo dos recursos midiáticos utilizados na divulgação, serão conhecidos em todo território nacional, influenciando docentes de todos os níveis. O prestígio social em alta, a notoriedade granjeada pelos ganhadores – “celebridades do conhecimento” – e o dinheiro auferido na disputa, são as motivações para atrair e reter mestres talentosos em geral, dando-lhes a esperança de que seu trabalho terá o justo reconhecimento. A percepção acerca da carreira no ensino público se fará sob um novo olhar, identificando dinamismo, espírito de iniciativa e de inovação onde antes só parecia haver imobilismo e burocracia. O projeto tem a vantagem de que um pequeno grupo pode coordenar sua implementação. Especialista em Concursos se encarregará de sua concepção e execução, com um ou dois educadores para assessorá-lo. Haverá um sítio próprio e exclusivo dos Concursos na internet, com a respectiva equipe terceirizada, o que facilitará o envio do material pelos concorrentes – o qual poderá atingir quantidades ponderáveis e adquirir formatos diversos: vídeo com som; vídeo ilustrando texto; “power point show” ou similar; texto com ilustrações etc etc. Um grupo de jurados de notório saber, escolhido a cada Concurso, será responsável pela seleção inicial dos concorrentes. Na maioria dos casos, os vencedores dessa primeira “peneira” serão submetidos a uma segunda etapa de validação e julgamento, realizada  “in loco” (na comunidade, escola etc) e bem documentada, precedendo a decisão final. Havendo televisionamento e sucesso dos Concursos, pode-se ter votação popular em cada julgamento final, por meio do sítio na web ou através de telefonemas - neste caso a receita revertendo para os vencedores e/ou a produção do programa. O ideal seria utilizar o programa de TV de algum comunicador com grande audiência para lançamento, julgamento final e divulgação dos resultados. E sobretudo para celebrizar os vencedores. Há viabilidade de conseguir  cotas de patrocínio de empresas de âmbito nacional, pelo próprio valor publicitário da promoção ou dentro de seus programas de responsabilidade social. O Concurso pode levar o nome do patrocinador principal ou de  marca de sua escolha. É possível começar o programa quase de imediato, devendo o Concurso preceder o início dos semestres letivos. Cada um deles estender-se-á por um ou dois semestres, mas a série será duradoura, na medida do êxito e sempre que  novos temas de competição sejam idealizados. O resultado esperado é a retenção dos bons docentes em atividade, o crescimento do prestígio social da carreira e a maior adesão futura de talentos à profissão. O lançamento do Concurso em si melhorará a qualidade do ensino médio público de imediato, pois os docentes em atividade se esforçarão por desenvolver trabalhos pedagógicos relevantes, visando a própria participação no certame. Podem ter todo esse impacto esperado, por exemplo, os Concursos para professores versando sobre: a) criação de jogos educativos (eletrônicos ou não) de caráter pedagógico; b) desenvolvimento e execução de  atividades criativas de envolvimento dos alunos com a comunidade; c) projetos de ciência e tecnologia desenvolvidos em suas classes; d) concepção de programas de computador visando a  educação a distância; e) idealização e aplicação de projetos de atividades pedagógicas em parceria com empresas;  f) criação e aplicação, com seus alunos, de projetos de economia solidária em comunidades carentes; g) idealização e execução,  em benefício de seus alunos, de projetos de empreendedorismo e colocação no emprego; h) elaboração, individualmente ou em grupo, de material didático para tópico(s) relevante(s) de determinada matéria ou temas interdisciplinares. Será também possível lançar Concurso(s) idealizado(s) de forma dirigida para professores desta ou daquela disciplina, cujos efetivos são mais deficitários ou no caso de falta de candidatos talentosos à  respectiva Licenciatura.  Ao longo do tempo, os temas podem ter complexidade crescente, por exemplo Concursos sobre trabalhos de criação de tecnologias sustentáveis realizados pelos docentes com seus alunos ou então a concepção, formulação e implementação de projetos que tornem o resultado de determinada política pública mais eficaz  para a comunidade em que se insere a escola etc etc. Cada um desses Concursos dará origem a rico material didático multimídia, utilizável para treinamento presencial ou a distância de professores, atuais e futuros, do ensino médio. Após alguns Concursos e uma pós-produção adequada do material, ter-se-á uma  coletânea dos projetos vencedores que se constituirá em excelente e abrangente curso de aperfeiçoamento de docentes em práticas pedagógicas. E montar-se-á, automaticamente, uma equipe de “craques” do magistério: serão os próprios vencedores e melhores colocados dos diversos certames, provavelmente residindo em vários locais diferentes, que poderão funcionar como rede capilar para realizar diversas tarefas importantes: atuar como propagandistas, instrutores e multiplicadores dessas coleções didáticas, dar treinamentos, palestras, participar de Seminários Operacionais. O material didático de qualidade, assim produzido, é passível de concorrer a financiamento dos programas de material didático do MEC. Há uma gama ampla de possibilidades dentro da lógica deste projeto, extensível a outros níveis de ensino e até para atingir mais diretamente os jovens talentosos que estão na fase de escolher a profissão. Com a continuidade, esta série de Concursos será um poderoso instrumento de política educacional. Independente, democrático, fundamentado no mérito.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

SOS PROFESSOR SENIOR

  • ROTINA DA NÃO-QUALIDADE DA EDUCAÇÃO
Chegou a época do ano em que a mídia repete a  notícia da falta de professores em inúmeras escolas públicas de todo país.  O início do ano letivo não chega para todos, principalmente no ensino médio, em algumas matérias importantes como Matemática, Física, Química. Problema crônico, generalizado e inaceitável quando se pretende uma educação de qualidade. Enquanto não sobram professores  uma sugestão razoável seria a de se ter um corpo docente de reserva, pronto para atender emergências, mas que não pesasse nos cofres públicos a longo prazo. Isso mesmo: temporários que se sentissem confortáveis nessa posição.  É possível e viável sob o aspecto financeiro.

  • TENDÊNCIAS
O ensino médio brasileiro vive  acentuada  escassez de professores que irá piorar em breve, pois as matrículas continuam crescendo, em especial nos sistemas públicos e a preparação de docentes, apesar de todos os esforços,  não está acompanhando essa expansão. Ao mesmo tempo, existem reservas inaproveitadas de recursos humanos qualificados   dentre as pessoas da terceira idade, que tendem a aumentar, configurando um desperdício de alto custo econômico e sérias consequências humanas. Nossa população sofre rápido processo de envelhecimento.  O Censo de 2010 registrou a elevação da vida média do brasileiro para mais de 73 anos e contou 20,5 milhões de residentes com 60 e mais anos de idade, equivalentes a 11% da população total. Em 2000 eram só 8,6% - 14,5 milhões de pessoas. Em 2009, na PNAD do IBGE, 46%  dos idosos se declararam saudáveis e capazes de trabalhar. Em diversos países que tiveram sua transição demográfica  antes do Brasil, prevalece o conceito do “envelhecimento ativo”, com total inserção social do idoso, inclusive no mundo do trabalho, onde é capaz de realizar atividades não braçais pelo menos até os 75 anos de idade – um novo “ciclo produtivo”, com características peculiares, que representa um acréscimo substancial no período de utilização  desses recursos humanos.  Estratégia válida para reduzir custos e superar a carência (principalmente a sazonal) de alguns tipos de profissionais que têm um papel socieconômico relevante e cuja formação é demorada e cara. E também para evitar problemas psicológicos graves, como depressão e outros distúrbios criados por inatividades indesejadas da população idosa. Questão que  faz parte da agenda de responsabilidade social de muitas empresas, que aplicam, a seus empregados, programas de transição e adaptação quando a aposentadoria se aproxima.

  • ASPECTOS GERAIS DO PROJETO “SOS-PROFESSOR SENIOR” (SOS-PS)
O PROJETO SOS-PS utilizará idosos com nível  universitário e devidamente capacitados, no magistério do ensino médio público, atacando simultaneamente os problemas mencionados. Um,  já totalmente identificado – a carência de docentes – e outro ainda restrito aos artigos técnicos e teses acadêmicas – causado pelo rápido envelhecimento da população brasileira, cujas consequências mereceriam maior atenção. O Projeto envolveria profissionais recrutados dentre:  (1) o pessoal de nível superior, ainda em atividade,  mas perto da aposentadoria;  (2) os indivíduos da terceira idade com diploma universitário, inativos, mas capazes e potencialmente desejosos de trabalhar e (3) os  professores que já chegaram à idade de aposentadoria mas querem continuar lecionando. Pessoas idosas têm motivações as mais diversas para aderir ao Projeto: algumas  para se sentirem ainda úteis à sociedade; outras para escaparem à rotina da aposentadoria; outras mais para iniciar uma nova carreira ou ainda complementar seus rendimentos. Recrutados após intensa mobilização na mídia, cadastrados em um Banco de Recursos Humanos (BRH), selecionados e treinados, esses contingentes poderão ser aproveitados de várias maneiras em favor do ensino médio público: a) fazendo parte de uma força-tarefa que atenderá a chamados de emergência (SOS) para dar aulas presenciais nas escolas onde, por qualquer motivo, haja falta de professores; b) lecionando presencialmente, em horários extra  ou nas férias, para grupos de alunos que se preparam para exames vestibulares e ENEM, ou então para os que necessitem de reposição de aulas perdidas por greve/calamidade pública ou ainda que careçam de recuperação/reforço pedagógico por demonstrarem mau aproveitamento escolar; c) prestando serviços educacionais a distância aos alunos do ensino médio, nos regimes de tutoria ou “tira-dúvidas”, em arranjos logísticos diversos que vão do trabalho em “call-centers” especializados em educação ao teletrabalho desde suas residências ou telecentros comunitários. Tarefas com características que as tornem atraentes, convenientes e leves para os idosos. Um novo “ciclo de trabalho”, com especificidades adaptadas à terceira idade. Pesquisas de opinião entre os participantes podem  dirimir dúvidas a respeito dessa atratividade e manter aceso seu entusiasmo.

  • EXECUÇÃO DO PROJETO

Pré-condição:  Supondo que o Projeto será gerenciado por uma ONG (idônea, é claro), esta deverá, de início, propor e formalizar uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação (SEE), que tem a responsabilidade legal de administrar  o ensino público de nível médio na região escolhida. Mobilização: O Projeto deve ser  lançado com publicidade intensa, utilizando TV em horários nobres, com personalidades conclamando os interessados ao cadastramento por meio da internet, no site da ONG (ou do Projeto). Nesse momento inicial, além da grande mídia, inúmeras instituições podem ser envolvidas e contribuir para essa mobilização, através de seus cadastros e veículos internos. São aquelas: i) com ponderável participação da terceira idade em seus quadros sociais como clubes esportivos e militares, academias de ginástica, Conselhos Profissionais, associações de engenheiros, médicos, arquitetos,  advogados etc; ii) com parcelas substanciais da clientela constituídas de idosos (laboratórios farmacêuticos, agências de viagens, planos de saúde, seguradoras); iii) que já desenvolvem projetos para a terceira idade (alguns planos de saúde como a UNIMED, bancos, empresas dos setores alimentício e farmacêutico). A campanha de mobilização deve cuidar para que todas as pessoas recrutadas para o SOS-PS estejam tocadas pela mística  de sua missão, extremamente importante para o futuro dos jovens estudantes e o aperfeiçoamento da educação nacional. Com a sensação de que renascerão para a vida ativa e que sua história de trabalho terá sequência, um PS - de “post scriptum” e também de Professor Senior.   Cadastramento, Classificaçâo e Treinamento: O Projeto, após o primeiro esforço de mobilização, receberá os cadastros dos  residentes na região escolhida para implementação, interessados em participar. Os  cadastrados vão compor um Banco de Recursos Humanos (BRH). No processamento dos cadastros dos candidatos, estes  serão selecionados e classificados em função da complexidade do treinamento que precisarão receber para o exercício da atividade docente. Os participantes precisam familiarizar-se com as características do Projeto e o modo de  relacionamento com a SEE, o que demandará um rápido treinamento introdutório – que será comum a todos os grupos. Afora isso, alguns terão necessidade de atualização de conteúdos e de capacitação em práticas pedagógicas (Didática Geral  e prática de ensino relativa à disciplina de eleição); outros, em apenas um desses aspectos; outros mais já estarão qualificados, prontos para utilização. A imediatez do aproveitamento dos cadastrados seguirá a ordem lógica: os que precisarem apenas do treinamento introdutório serão utilizados  primeiro, seguindo-se os dois outros grupos. A capacitação dos Professores Seniores será realizada pela própria SEE ou por instituição de ensino superior por ela indicada. A SEE regulará a utilização e supervisão dos docentes.  Utilização:  A mecânica de utilização dos Professores Seniores no caso do atendimento presencial, nas escolas, seria a seguinte: 1. a SEE comunica ao Banco de Recursos Humanos (BRH) quantos docentes necessita, de que disciplinas, em quais períodos, horários  e locais. Essa comunicação é feita por via telefônica, com confirmação por meio da internet; 2. o BRH consulta seus dados, faz contacto com os Professores Seniores cadastrados que correspondem ao pedido da SEE e moram próximo às escolas necessitadas, dirigindo-se depois  à SEE, por iguais vias (telefone e internet),  mencionando que carências poderá atender e dando o nome dos Seniores recrutados para a prestação de serviços, com respectivos locais, horários e disciplinas a ministrar. O credenciamento dos Professores Seniores e o orçamento dos serviços a serem prestados  acompanham a resposta, para aprovação pela SEE e posterior acerto financeiro. O atendimento tipo “pronto-socorro” objetiva resolver “aqui e agora” o problema da falta do professor na sala de aula, qualquer que seja o motivo. É uma solução de natureza extremamente aleatória do ponto de vista do Professor Senior, a qual poderia desestimular os idosos menos requisitados para essa prestação de serviços.  Em contrapartida, esses chamados SOS, alguns imprevisíveis e “para hoje”, terão para os idosos o apelo da quebra de rotina, do chamamento para experiências novas, em ambientes variados, dando um tom heroico, patriótico e humano ao seu envolvimento no Projeto. Daí a abreviatura sugestiva, SOS-PS, significando que as pessoas da terceira idade engajadas no Projeto  estão sendo chamadas para socorrer um problema nacional importante, beneficiando um grupo estratégico para o futuro do país - os estudantes do ensino público brasileiro – e assim voltando ao mercado de trabalho. Essa aleatoriedade será compensada pelo fato de que o Professor Senior também  atuará de modo mais sistemático, dando aulas de reposição, recuperação e reforço pedagógico para alunos necessitados dessa atenção mais individualizada. Nesse sentido, serão organizados grupos de alunos a serem atendidos em horários fora da carga prevista na legislação. Esse tipo de atuação terá caráter compensatório para os alunos que ainda estão no sistema  mas foram prejudicados em anos recentes pela carência de professores. Esse esforço emendativo  gerará retorno pela economia resultante da redução dos índices de reprovação, repetência e deserção. O Professor Senior pode ter outra utilização, no campo da Educação a Distância, servindo na tutoria aos alunos da rede pública de ensino médio, os quais acessariam (via telefone ou via computador) uma Central SOS-PS, sempre que tivessem dúvidas sobre alguma disciplina de seu curso.  A Central redistribuiria o trabalho para os Professores Seniores. Financiamento: O Projeto dará uma  resposta apenas parcial aos problemas que pretende atacar, ficando claro que o BRH só terá a obrigação de atender no curto prazo aos pedidos da SEE que estejam dentro de suas possibilidades imediatas, não havendo o compromisso de suprir todas as necessidades surgidas e explicitadas pela SEE. O acordo preverá de que forma os docentes serão remunerados e como se fará a repartição das despesas entre a SEE e os mantenedores da ONG. Este Projeto poderá ser financiado por algumas empresas que já estão conscientes das consequências do envelhecimento da população brasileira, como os planos de saúde e seguradoras. Pode também suscitar o interesse dos laboratórios farmacêuticos que têm grande parte de seu faturamento proveniente da venda de remédios de uso prolongado e de bancos, pois os investidores da terceira idade constituem fatia crescente dos aplicadores no mercado financeiro. E também de empresas que aplicam, a seus empregados, programas de transição e adaptação à aposentadoria. É viável o patrocínio simultâneo, por várias empresas, no regime de cotas em dinheiro, correspondentes a  um certo número de professores-hora a serem postos à disposição da SEE, que por seu turno poderia dar uma contrapartida financeira que confirmasse seu interesse no Projeto. Não é fora de propósito projetar um futuro aporte de recursos de órgãos públicos federais como FNDE do MEC e FAT do MTE, desde que observados resultados positivos. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

PROFESSOR TALENTOSO: ESSENCIAL NA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

O professor talentoso, bem formado e motivado, é um fator de primordial importância para a educação de qualidade. Mas os jovens brasileiros talentosos não se imaginam dando aula numa escola pública de ensino básico.                                                                                                   
Para cada país, em determinado momento, existem profissões com maiores ou menores atrativos. Há, inclusive, aquelas que sofrem rejeição, como é o caso da carreira de professor de educação básica no Brasil atual. Os especialistas invocam as chamadas forças de atração e de repulsão, que explicariam a cotação que os candidatos a emprego atribuem às diferentes opções que lhes são oferecidas pelo mercado. Mas não há uma lógica irrefutável. O problema é complexo e envolve muitas variáveis, tanto objetivas quanto intangíveis: remuneração, prestígio social, estabilidade no emprego, condições de trabalho, vocação, busca de notoriedade, tradição familiar... Enfim, um emaranhado causal  indecifrável. Mas uma coisa é certa: a carreira de professor de educação básica não tem grande atratividade no Brasil, especialmente para o exercício profissional nas escolas públicas, embora também apresente muitos aspectos positivos. As estatísticas causam alarme e registram que as Licenciaturas, relativamente, têm cada vez menos candidatos que as demais carreiras tradicionais e que os futuros docentes têm resultados acadêmicos progressivamente mais fracos a cada ano. Seria esse um motivo para desistir de recrutar um professorado constituído de pessoas talentosas? Certamente que não! Afinal, os incontáveis cursos de teatro, dança, música, bailado etc mantidos pelas ONGs nas comunidades carentes do Brasil vivem repletos, assim como os seus similares frequentados pelas classes médias, mas todos sabem das agruras e incertezas das respectivas profissões. Afora umas poucas centenas de artistas que fazem sucesso e fortuna, a imensa maioria desses trabalhadores vive penando nas piores condições, em busca de um lugar ao sol. Qual será o mistério dessa atratividade pelas luzes da ribalta que a sala de aula não tem?  
  • A EDUCAÇÂO DEVE TER SEU PROGRAMA DE TV!
A televisão é tão potente e influente no Brasil que há quem lhe atribua a capacidade de mudar paradigmas, criar ídolos e vilões, vender o invendável. “Não deu na  TV ? Não aconteceu !” (Walter Clark, Diretor de Rede de TV). Uma hipótese razoável, portanto, é que quando os artistas aparecem na mídia, estão ali para se exibir e brilhar, ganhar notoriedade e aquele sempre bem-vindo prestígio social inerente às ocupações da área cultural. As situações de insucesso, penúria, vícios, infelicidade, embora frequentes, só raramente são focalizadas. Em contrapartida, a atividade do professor de educação básica tem sido mostrada pela mídia exatamente nas condições mais desfavoráveis: ao sofrer algum tipo de violência; reivindicando melhoria salarial em greves intermináveis; quando sua escola deixa de funcionar porque houve tiroteio nas vizinhanças ou o teto da sala de aula caiu, por conta das infiltrações etc. A TV aberta está presente em praticamente todos os lares brasileiros e a influência que exerce é tão fantástica que a carreira do magistério do ensino fundamental e médio poderia ter um “ponto de inflexão” se recebesse sua ajuda deliberada e competentemente orientada. Uma sugestão seria produzir e veicular semanalmente, em cadeia nacional de emissora  aberta, de grande audiência, um Programa de TV sobre a educação, em sua realidade integral e não apenas pelo seu lado desfavorável. Agradável ao gosto popular, comandado por um comunicador consagrado, o Programa visará “virar o jogo” e conciliar uma audiência apreciável, atingindo o grande público, com o empenho em apresentar o professor e seu trabalho como temas centrais. Objetivará elevar o prestígio social e autoestima do professorado da educação básica, para reter/atrair talentos, notadamente para atuar no ensino público. Existem mais de 2 milhões de docentes em atividade em todos os níveis, espalhados pelo vasto território do Brasil, que o Programa atingirá  diretamente. Mas, potencialmente, todos os públicos serão tocados, de modo a mudar a percepção geral que se tem da profissão.
  • PROGRAMAÇÃO
Em princípio, a programação seguiria os modelos com grande audiência já existentes, que podem ser denominados de segmentados ou“setoriais” – caso dos programas rurais – e que tanto sucesso tiveram no Brasil, a ponto de se multiplicarem e tornarem onipresentes. Obviamente, a programação  dedicada  à educação básica terá aspectos diferenciais, de modo a atingir seus objetivos específicos. Após uma análise dos resultados das pesquisas existentes sobre as aspirações do professorado brasileiro, a equipe de produção do Programa definirá conteúdos e formatos iniciais. Ao longo da veiculação do Programa - e até utilizando-o como instrumento de coleta de informações - será possivel focar nos temas mais sensíveis ao professorado do ensino público e aos estudantes candidatos às Licenciaturas, já agora com sintonia fina, imprimindo à produção uma dinâmica objetiva, de base científica. No Programa idealizado, haverá um mosaico de formatos distintos: notíciário, entrevistas, reportagens, dramaturgia, documentários, seções fixas de perguntas/concursos e de interação com o público. Mas a constante será manter o professor como sua figura central, respeitada, reverenciada, amada, humana, benemérita, importante para o futuro do país, mostrando seu trabalho e seus exemplos positivos. O Programa exibirá ao público, sempre que possível, o professor real, que está atuando em sala de aula - e não um personagem, um ator. As  matérias com o mestre de carne e osso serão filmadas “in loco”, trabalhando em  sua escola ou na comunidade, de modo que tenha “os seus quinze minutos de glória”, um dos ingredientes básicos do projeto. Essa notoriedade, ainda que fugaz, exerce uma grande atração sobre nosso povo e o professor brasileiro do ensino básico – que não é diferente – precisa e quer aparecer, ganhar em autoestima, recuperar seu prestígio social. Visto como um elemento importante para a comunidade e protagonista do desenvolvimento nacional.
Independentemente de pesquisa, alguns conteúdos e formatos devem ser quase que obrigatórios no Programa:
a)Embora a educação brasileira seja de qualidade sofrível para ruim (vide colocações obtidas pelos estudantes brasileiros nos testes PISA da OCDE), há muitos trabalhos excelentes sendo feitos pelos nossos docentes, nos vários níveis de ensino. Utilizando o formato “reportagem”, deve-se focar nesses exemplos com o maior detalhe possível, pois que veiculados servirão para aperfeiçoamento dos demais professores, originando séries pedagógicas de educação a  distância e transmissão de práticas que oxigenarão o sistema;
b)A gestão de qualidade merece seu espaço midiático. Os trabalhos meritórios dos diretores das escolas básicas e das autoridades educacionais devem ser ressaltados nas reportagens, pois uma liderança dinâmica pode transformar comandados,  revelar  elementos úteis e laboriosos – cujo talento dormitava no marasmo  de um  sistema burocrático;
c)O noticiário atualizado sobre assuntos de interesse coletivo, como a legislação educacional (sem o “bias” da “chapa branca”), problemas e soluções do cotidiano escolar, os fatos curiosos vividos pelos professores em seu trabalho etc deve constar da grade programática, sempre apresentando o docente de forma positiva;
d)Ações de heroismo e dedicação extrema dos docentes brasileiros devem ser apresentados frequentemente e para isso a dramaturgia – ponto alto da nossa TV, internacionalmente reconhecido - jogará papel de relevo. Mostrando, por exemplo,  como a ação de um professor pode mudar a vida de pessoas ou comunidades inteiras. Na história do rádio brasileiro registra-se que em meados do século passado, a Rádio Nacional veiculava um programa de grande audiência que levou muitos jovens a optar pela carreira médica. O título era “Obrigado Doutor” e seu apresentador - famoso  - era o obstetra Paulo Roberto. Contava histórias fantásticas de vidas salvas pelo conhecimento científico, dedicação, intuição ou amor à profissão de médicos reais ou fictícios, geralmente clinicando no interior, sem dispor de maiores recursos. Um sucesso que comovia multidões!
e)O Programa deve ter também um concurso de perguntas e respostas só para docentes do ensino médio e fundamental, com ótimas premiações, crescentes à medida que o  candidato vá vencendo etapas, acertando todos quesitos, estabelecendo-se um limite superior de premiação bem elevado. Também no século passado, um programa de TV desse tipo fazia sucesso estrondoso: denominado “O Céu é o Limite”, seu comunicador era J. Silvestre. Os professores precisam ter a sensação de que, caso se esforcem, podem ficar famosos, ganhar milhões e que sua carreira não é “um beco sem saída”, rotineira e desprestigiada. E  o brasileiro deve conscientizar-se de que o saber do mestre tem valor inestimável;
f)No sentido de manter os docentes atualizados, o Programa deve divulgar pesquisas sobre educação realizadas no Brasil e no exterior, principalmente quando seus resultados  acarretarem inovações/reorientações no ensino. No formato de documentário ou noticiário, a seção deve dar prêmios de viagens para professores conhecerem  as inovações de sucesso;
g)As premiações de docentes devem ser uma constante do Programa. Proporcionar-lhes estágios em Universidades estrangeiras ou bolsas para Mestrado e Doutorado no Brasil, sempre em valores atraentes. O Programa deve contribuir para que desfrutem de oportunidades de uma educação continuada de qualidade. Os prêmios  serão atribuídos a docentes que realizem trabalhos pedagógicos notáveis, selecionados dentre as reportagens realizadas ou em concursos específicos promovidos pelo Programa;
h)O Programa deve manter um “site” na web, buscando a interação permanente com os telespectadores, por meios diversos, recolhendo sugestões, reclamações, opiniões, enfim recebendo o “feedback” sempre útil para o aperfeiçoamento do Programa.
i)A preocupação com a criação de conceitos novos, faltantes na educação brasileira, pode ser outra grande contribuição do Programa. A discussão de temas abordando “a escola como centro da comunidade”, “o controle de qualidade do processo educacional pela sua  clientela e não por órgãos públicos e burocráticos”, “a implantação da figura do professor de família, elemento democratizante para atuação junto às famílias pobres e miseráveis” etc etc podem dar origem a debates interessantes, para arejar o setor educacional e consequentemente gerar um ambiente mais propício aos profissionais talentosos.
O Programa, em rede nacional, atingirá o público telespectador em geral, conscientizando-o sobre a importância da educação e evidentemente devendo agradá-lo como espetáculo e entretenimento, de modo a maximizar a audiência. Mas para a equipe de produção do Programa, o público-alvo subjacente será o professorado brasileiro em todos os níveis, que se  quer valorizar, assim como jovens na fase de escolha da profissão, que se quer atrair.
As premiações em dinheiro, oferecidas pelo Programa, servirão de estímulo aos professores qualificados que ali verão sua chance real de desfrutar de uma boa qualidade de vida  Os prêmios em viagens de estudo atrairão pessoas talentosas, que almejam a oportunidade de crescer intelectualmente, aproveitar plenamente seu potencial. Não haverá dificuldades em produzir um programa do agrado do grande público, pois o Brasil faz uma televisão reconhecida mundialmente como de ótimo nível.  Desse modo, o Programa poderá, efetivamente,  mudar a atual percepção sobre o exercício do magistério no Brasil, mostrando as boas práticas pedagógicas, o dinamismo dos melhores exemplos de direção das escolas e a inovação nascida das pesquisas divulgadas. O Programa será financiado por meio do patrocínio, integral ou em cotas, de empresas de âmbito nacional, dentro de seus programas usuais de publicidade e marketing. Mas pode também concorrer, pela sua natureza, aos incentivos fiscais da área cultural (Lei Rouanet). Os indicadores de êxito serão audiência em alta, visitas maciças ao “site”, correspondência volumosa, envio espontâneo de matéria pelos professores e seus diretores.
São produtos esperados do projeto: a) a difusão de pesquisas educacionais, de inovações pedagógicas e de boas práticas de ensino; b) a educação continuada e consequente aperfeiçoamento dos docentes que assistem ao Programa; c) a produção de material bruto para séries de treinamento de professores; d) estímulo à meritocracia pela premiação dos mestres mais destacados; e) o aumento do prestígio social do professorado; f) a atração de talentos para a carreira; g) a criação de um amplo espaço participativo e de interação com o público para os docentes brasileiros; h) o debate dos grandes problemas da educação nacional e a introdução, nessa discussão, de conceitos inovadores e renovadores do setor.
  • CONCLUSÃO
Talvez não seja possível medir o imenso retorno financeiro que, nos últimos trinta anos, os programas rurais de televisão deram à produção da agropecuária e à renda do homem do campo no Brasil. Caso um exercício econométrico nesse sentido fosse possível e efetivamente realizado, seu resultado certamente aconselharia a implementação do Programa de TV sobre Educação aqui proposto. "Quem não se comunica se trumbica" (Abelardo Chacrinha Barbosa, animador de TV).       




VIAGEM AO PASSADO

O Irã está na moda e minhas recordações daquele país mais vivas do que nunca... Estive no Irã em 1976, para participar da Conferência In...